PNAD Contínua 2019: abastecimento de água no Centro-Oeste volta ao patamar antes do racionamento

06/05/2020 10h00 | Última Atualização: 06/05/2020 13h42

Em 2019, o país tinha 72,4 milhões de domicílios, dos quais 70,7 milhões (97,6%) tinham água canalizada e 63,8 milhões (88,2%) tinham acesso à rede geral de abastecimento.

Em 85,5% das unidades, a principal fonte de abastecimento de água era a rede geral de distribuição. A Região Nordeste (69,0%) apresentava a menor cobertura diária de abastecimento, enquanto a Sul (97,0%) tinha a maior. Comparado a 2018, a Região Centro-Oeste avançou na disponibilidade diária de rede geral de abastecimento, passando de 87,1% (2018) para 94,9% (2019, recuperando o patamar registrado antes da crise de abastecimento da região em 2016 devido à estiagem) (94,7%).

Na Região Norte, 21,3% dos domicílios tinham abastecimento de água por meio de poço profundo ou artesiano e 13,4% recorriam ao poço raso, freático ou cacimba. No Nordeste, 6,1% dos domicílios tinham outra forma de abastecimento de água, como por exemplo: água da chuva armazenada em cisternas, tanques, água de rio, açudes ou caminhão-pipa.

A pesquisa mostra que 97,8% dos domicílios do país (70,8 milhões) tinham banheiro de uso exclusivo e em 68,3% (49,1 milhões) o esgoto era ligado à rede geral ou fossa séptica ligada à rede. O percentual de domicílios com banheiro de uso exclusivo do domicílio variou de 90,2%, na Região Norte, a 99,8%, no Sul.

A proporção de domicílios com acesso à rede geral de esgotos foi de 66,3% em 2018 para 68,3% em 2019. Permanecem diferenças acentuadas entre as regiões: em 2019, o Norte (27,4%) e o Nordeste (47,2%) tinham as menores coberturas, enquanto a Região Sudeste alcançava estimativa de 88,9%; Sul e Centro-Oeste tinham valores de 68,7% e 60,0%, respectivamente. Todas as Regiões apresentaram crescimento em relação a 2018.

O percentual de domicílios com coleta de lixo era feita diretamente por serviço de limpeza foi de 84,4%, uma expansão de 2,1 milhões de domicílios (ou mais 3,6%) em um ano. Em 7,0% dos domicílios a coleta era feita em caçamba de serviço de limpeza, enquanto em 7,4% o lixo era queimado na propriedade.

Em 2019, o acesso à energia elétrica nos domicílios era praticamente universal, com 99,8% das unidades dispondo desse serviço, seja por rede geral ou por fonte alternativa.

A disponibilidade de geladeira tinha o percentual mais elevado nos domicílios, ultrapassando os 90% em todas as regiões. Já a máquina de lavar roupa estava presente em 66,1% dos domicílios do país, com diferenças regionais acentuadas: os menores percentuais estavam no Norte (44,3%) e Nordeste (37,0%), e os maiores no Sudeste (79,1%), Sul (85,8%) e Centro-Oeste (73,7).

Em quase metade (49,2%) dos domicílios brasileiros havia automóvel, enquanto 22,2% tinham motocicleta e 11,7%, ambos. No Norte e Nordeste, as proporções de domicílios com motocicleta (respectivamente, 31,8% e 30,4%) estavam acima dos percentuais de carro nessas regiões.

De 2012 para 2019, a participação da população de cor branca recuou de 46,6% para 42,7%. Houve quedas em todas as regiões, principalmente no Sudeste (5,0 pontos percentuais) e no Sul (5,8 pontos percentuais). Essas são algumas informações do módulo Características Gerais dos Domicílios e dos Moradores da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD-C) 2019. O material de apoio dessa divulgação está à direita.

Centro-Oeste recupera abastecimento de água após crise de 2016

Dos 72,4 milhões de domicílios do país, 97,6% (70,7 milhões) possuíam água canalizada e 88,2% (63,8 milhões) tinham acesso à rede geral de abastecimento de água em 2019. Em 85,5% das unidades, a principal fonte de abastecimento de água era a rede geral de distribuição - regionalmente, variando de 58,8% no Norte até 92,3% no Sudeste.

O uso de poço profundo ou artesiano; poço raso, freático ou cacimba; fonte ou nascente e outra forma como principal meio de abastecimento apresentavam estimativas de 7,1%, 3,2%, 2,1% e 2,0%, respectivamente. Na Região Norte, 21,3% dos domicílios tinham abastecimento de água através de poço profundo ou artesiano e 13,4% recorriam ao poso raso, freático ou cacimba. No Nordeste, 6,1% dos domicílios tinham outra forma de abastecimento de água, como por exemplo: água da chuva armazenada em cisternas, tanques, água de rio, açudes ou caminhão-pipa.

Dentre os domicílios que possuíam a rede geral como principal forma de abastecimento de água, foi investigada a disponibilidade/frequência desse serviço. Em 88,5% deles a disponibilidade era diária, baixando para cerca de 5,0% nos casos de frequência de 4 a 6 vezes na semana ou de 1 a 3 vezes na semana. A Região Nordeste (69,0%) apresentava a menor cobertura diária de abastecimento, enquanto a Sul (97,0%) tinha a maior. Em relação a 2018, as Regiões Norte e Centro-Oeste apresentaram avanço na disponibilidade diária, principalmente o Centro-Oeste, que passou de 87,1% (2018) para 94,9% (2019), recuperando o patamar registrado antes da crise de abastecimento da Região em 2016 (94,7%).

Percentual (%) de domicílios que utilizam a rede geral de água como principal forma de abastecimento, por Grandes Regiões, com disponibilidade diária - 2019


Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Trabalho e Rendimento,
Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua 2019.

No Norte, menos de um terço dos domicílios tinham acesso à rede geral de esgoto

Em 2019, o banheiro de uso exclusivo estava presente em 97,8% dos domicílios do país (70,8 milhões) e, em 68,3% (49,1 milhões) o escoamento do esgoto era feito pela rede geral ou fossa séptica ligada à rede. O percentual de domicílios que possuía banheiro de uso exclusivo do domicílio variou de 90,2%, no Norte, a 99,8%, no Sul.

A proporção de domicílios com acesso à rede geral de esgotos registrava diferenças mais acentuadas entre as regiões: o Norte (27,4%) e o Nordeste (47,2%) tinham as menores coberturas, enquanto o Sudeste alcançava estimativa de 88,9%; Sul e Centro-Oeste tinham valores de 68,7% e 60,0%, respectivamente. Todas as regiões apresentaram crescimento em relação a 2018, principalmente, o Norte (de 21,8% para 27,4%) e Centro-Oeste (de 55,6% para 60,0%). Apesar de apresentar a menor estimativa de acesso a rede geral, o Norte teve a maior expansão em relação a 2016, quando 18,9% dos domicílios tinham esse serviço.

Com exceção do Norte, as demais regiões tinham a rede geral como tipo predominante de escoamento do esgoto sanitário dos domicílios. O acesso à rede geral se dava diretamente ou por meio de fossa séptica ligada à rede: no primeiro caso, o Sudeste registrava a maior estimativa (86,5%), enquanto a fossa séptica ligada à rede tinha o maior percentual na Região Sul (12,5%).

A fossa séptica não ligada à rede geral alcançava 19,1% dos domicílios do País, sendo que no Norte e Nordeste o percentual era de 42,9% e 30,7%, respectivamente. No Sudeste, essa modalidade era utilizada somente por 5,5% dos domicílios.

Outro tipo de esgotamento sanitário foi estimado em 12,6%, indicando que aproximadamente nove milhões de domicílios no País tinham como destino dos dejetos a fossa rudimentar, a vala, o rio, lago ou mar e outras formas de escoadouro. No Norte, 29,6% dos domicílios (1,6 milhão) estavam nessa condição, superando a estimativa de domicílios da região que tinham a rede geral como destino (27,4%). O Nordeste também registrava elevado percentual de outro tipo de esgotamento (22,1% ou 4,1 milhões), enquanto no Sudeste 5,5% dos domicílios (1,7 milhão) destinavam os dejetos dessa forma.

Distribuição percentual (%) de domicílios, por Grandes Regiões, segundo a forma de esgotamento sanitário – 2019


Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Trabalho e Rendimento,
Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua 2019.

A queima do lixo na propriedade chegava a 17,6% no Norte e 15,1% no Nordeste

O destino do lixo dos domicílios no Brasil é principalmente feito por meio de coleta direta por serviço de limpeza. Os dados da pesquisa mostram que essa modalidade, além de ser a principal, vem gradativamente aumentando: 82,7% em 2016, 82,9% em 2017, 83,0% em 2018 e em 2019 atinge seu maior valor, de 84,4%. Secundariamente, havia a coleta feita em caçamba de serviço de limpeza (7,0%), a queima do lixo na propriedade (7,4%) e outro destino (1,2%).

De 2018 para 2019, a expansão de 3,6% da coleta direta do lixo significou o crescimento de 2,1 milhões de domicílios atendidos por esse serviço. Todas as grandes regiões tiveram avanço da coleta direta: Norte (de 70,8% para 72,4%), Nordeste (de 69,6% para 70,8%), Sudeste (de 91,1% para 92,1%), Sul (de 87,3% para 89,6%) e Centro-Oeste (de 85,7% para 87,8%). Esse movimento foi acompanhado pela redução da participação da coleta em caçamba de serviço de limpeza nas regiões.

Apesar do crescimento da coleta direta, em 2019 havia 5,4 milhões de domicílios no país em que destino do lixo era a queima na propriedade. As maiores incidências estavam no Norte (17,6%) e no Nordeste (15,1%), que reuniam 3,8 milhões de domicílios nessa condição. A Região Norte manteve em 2019 a mesma estimativa de 2018 (17,6%); enquanto o Nordeste apresentou pequeno recuo frente ao percentual de 2018 (15,3%).

Outro destino, que não os mencionados anteriormente, era utilizado por 883 mil domicílios, estando a maior concentração nas Regiões Norte (137 mil) e Nordeste (412 mil).

Distribuição percentual (%) dos domicílios, por destino do lixo, segundo as Grandes Regiões - 2019


Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Trabalho e Rendimento,
Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua 2019.

49,2% dos domicílios possuíam carro para uso pessoal

A PNAD Contínua também investigou a existência de alguns bens (geladeira, máquina de lavar roupa, automóvel e motocicleta). A posse de carro para uso pessoal foi estimada em 49,2% dos domicílios; no caso de motocicleta o percentual baixava para 22,9% e apenas 11,7% possuíam ambos. Os maiores valores do automóvel (carro) foram observados nas Regiões Sudeste (56,4%), Sul (68,5%) e Centro-Oeste (59,8%).

No Norte e Nordeste a estimativa de domicílios que tinham motocicleta eram de, respectivamente 31,8% e 30,4%, sendo maiores, portanto, do que os percentuais de carro nessas mesmas regiões. No Sul (15,6%) e no Centro-Oeste (16,9%) foram observados os maiores valores de domicílios que tinham carro e motocicleta.

Com exceção do Norte, as demais regiões tiveram expansão da proporção tanto de carro quanto de motocicleta em relação a 2018. Frente a 2016, o Centro-Oeste registrou o principal crescimento de carros, passando de 56,2% para 59,8%.

A geladeira tinha o percentual mais elevado nos domicílios e todas as grandes regiões apresentavam estimativas superiores a 90,0% em 2019. Com cobertura bem abaixo, a máquina de lavar roupa estava presente em 66,1% dos domicílios do país e apresentava diferenças regionais acentuadas: Norte (44,3%) e Nordeste (37,0%) apresentavam os menores percentuais, enquanto Sudeste (79,1%), Sul (85,8%) e Centro-Oeste (73,7%) os maiores. O Centro-Oeste, que apresentava estimativa de 67,0% em 2016, teve o principal crescimento dentre todas as regiões.

População acima de 30 anos atingiu 57,7% em 2019

A distribuição da população residente do país por grupos etários mostrou a tendência de queda da proporção de pessoas abaixo de 30 anos de idade: em 2012 essa estimativa era de 47,7%, passando para 42,3% em 2019 - destacando-se a queda entre as pessoas de 10 a 13 anos de idade (de 6,8% para 5,5%) e de 14 a 17 anos (de 7,2% para 5,9%). Os grupos que compreendiam pessoas de 18 a 19, 20 a 24 e 25 a 29 anos de idade correspondiam, respectivamente, a 3,2%, 7,6% e 7,3% da população residente.

A população acima de 30 anos de idade registrou crescimento em 2019, atingindo 57,7% – estimativa maior que a de 2012 (52,4%). Os grupos de 30 a 39 anos, 40 a 49 anos, 50 a 59 anos e de 60 a 64 anos correspondiam a 15,8%, 13,8%, 12,4% e 4,9% da população residente, respectivamente.

Em 2019, os homens até 24 anos de idade (17,8%) registravam estimativa superior a de mulheres (17,2%) dessa mesma faixa etária. A partir dos 25 anos, a proporção de mulheres era superior a dos homens em todos os grupos de idade, sendo de 30,4% e 34,6%, respectivamente, homens e mulheres.

O Norte apresentava a maior concentração populacional nos grupos de idade mais jovens, com 43,0% da população da região com menos de 24 anos de idade. Nas regiões Sudeste e Sul esse indicador baixava para 32,3% e 32,6%, respectivamente, e a média nacional ficava em 35,0%. A população de 60 anos ou mais de idade tinha as maiores concentrações no Sudeste (17,1%) e no Sul (17,4%) e cresceu em todas as regiões na comparação com 2012.

População branca diminuiu em todas as regiões

A população declarada de cor branca, em 2019, representava 42,7% da população residente, ao passo que a de cor preta era de 9,4% e de pardos correspondiam a 46,8%. Em 2012, essas estimativas eram respectivamente, 46,6% (branca), 7,4% (preta) e 45,3% (parda).

A Região Nordeste (11,9%) tinha a maior proporção de pessoas declaradas da cor preta, seguida da Sudeste (9,9%), Centro-Oeste (9,2%) e Norte (7,3%). A população de cor parda apresentava os maiores valores no Norte (72,2%) e Nordeste (62,5%). A Região Sul tinha o predomínio de população de cor branca (73,2%), enquanto no Norte (19,1%) havia a menor estimativa dessa população.

A participação da população declarada de cor branca reduziu em todas as regiões de 2012 para 2019, principalmente no Sudeste (5,0 pontos percentuais) e no Sul (5,8 pontos percentuais). No Nordeste houve a principal expansão da participação das pessoas declaradas pretas (3,2 pontos percentuais) e no Sul das pessoas declaradas de parda (4,8 pontos percentuais).