Pintec 2017: caem a taxa de inovação, os investimentos em atividades inovativas e os incentivos do governo

16/04/2020 10h00 | Última Atualização: 16/04/2020 15h21

Entre 2015 e 2017, 33,6% das 116.962 empresas brasileiras com dez ou mais trabalhadores fizeram algum tipo de inovação em produtos ou processos, taxa 2,4 pontos percentuais abaixo da apresentada no triênio anterior (de 2012-2014), quando atingiu 36,0%. É o que revela a Pesquisa de Inovação (Pintec) 2017 do IBGE. A indústria foi a mais afetada, com o percentual de empresas inovadoras caindo de 36,4% em 2014 para 33,9% em 2017, o menor patamar das três últimas edições.

O investimento nas atividades inovativas chegou a R$ 67,3 bilhões em 2017, representando 1,95% da receita líquida das empresas, com uma queda de 17,42% em relação aos R$ 81,5 bilhões investidos em 2014, equivalentes a 2,5% da receita líquida. Do total de gastos, R$ 25,6 bilhões foram para atividades internas de P&D, atingindo 0,74% da receita de vendas. Outros R$ 21,2 bilhões foram aplicados na aquisição de máquinas e equipamentos, 0,62% da receita de vendas, e R$ 7,0 bilhões na aquisição externa de P&D, 0,20% da receita de vendas.

A pesquisa destaca também que o percentual de empresas beneficiadas com algum incentivo do governo recuou de 39,9%, em 2014, para 26,2%, em 2017. O financiamento à compra de máquinas e equipamentos, principal mecanismo de incentivo à inovação, foi a modalidade que mais perdeu relevância, caindo de 29,9% empresas beneficiadas para 12,9% no mesmo período.

Já a participação de mulheres ocupadas em atividades de P&D nas empresas inovadoras subiu de 20,9% em 2014 para 23,6% em 2017. O material de apoio à divulgação da Pintec 2017 pode ser acessado à direita.

Quase 40 mil empresas inovaram entre 2015 e 2017

No triênio 2015-2017, das 116.962 empresas com dez ou mais pessoas ocupadas, 39.329 implementaram produtos ou processos novos ou significativamente aprimorados. A taxa geral de inovação foi de 33,6%, 2,4 p.p. abaixo do verificado no triênio 2012-2014 (36,0%).

A indústria foi a mais afetada ao registrar 33,9% de empresas inovadoras, o menor patamar das três últimas edições. Os setores de eletricidade e gás e de serviços selecionados mantiveram a tendência de queda apresentada a partir do triênio 2012-2014, caindo de 29,2% para 28,4% e de 32,4% para 32%, respectivamente.

Empresas investem R$ 67,3 bilhões em atividades inovativas

Em 2017, o dispêndio das empresas nas atividades inovativas foi de R$ 67,3 bilhões, 1,95% da receita líquida – queda de 17,42% em relação aos R$ 81,5 bilhões investidos entre 2012 e 2014, equivalente a 2,5% da receita líquida.

A indústria teve a terceira queda consecutiva no dispêndio com atividades inovativas, caindo de 2,12% das receitas líquidas em 2014 para 1,65% em 2017. As atividades internas de P&D receberam 0,62% das receitas líquidas. A maior queda foi nos gastos na aquisição de máquinas e equipamentos, 0,51%, ante 1,11% em 2011 e 0,85% em 2014.

Nas empresas de eletricidade e gás, 0,66% das receitas líquidas foram para atividades inovativas, ligeiro aumento em relação à 2014 (0,57%) e queda em relação à 2011 (1,28%). A participação dos gastos em aquisição externa de P&D sobre a receita recuou para 0,16%, ante 0,83% em 2011 e 0,26% em 2014. Em 2017, a aquisição de máquinas e equipamentos subiu para 0,32% da receita líquida, após queda, entre 2011 e 2014, de 0,16% para 0,09%.

Nos serviços selecionados após crescimento em 2014 (7,81%) comparativamente a 2011 (4,96%), houve queda em 2017 para 5,79%. No tocante à aquisição de máquinas e equipamentos, após significativo crescimento entre 2011 e 2014 (de 1,38% para 3,50%), a intensidade dos gastos sobre a receita caiu para 1,80% em 2017. Mas, nas atividades internas de P&D, o setor manteve a sequência no crescimento registrado entre 2011 e 2014 (1,82% para 2,13%), ao subir para 2,40% em 2017.

Investimentos nas atividades internas de P&D assumem a liderança, ao atingir 0,74% da receita líquida das empresas

Em 2017, destaca-se a perda de posição relativa da categoria máquinas e equipamentos (de 42,4% em 2011 e 41,1% em 2014 para 31,5% em 2017) em favorecimento dos gastos em P&D interno, que assume a liderança na composição, passando de 30,8% em 2011 e 30,3 em 2014 para 38,1% em 2017. A intensidade dos gastos das empresas inovadoras nas atividades internas de P&D foi de 0,74% das receitas líquidas.

Na indústria, houve perda de participação dos gastos em máquinas e equipamentos (de 40,2% para 31,1% entre 2014 e 2017), acompanhada pelo aumento da participação dos gastos nas atividades internas de P&D (de 31,5% para 37,4%).

Nos serviços selecionados, a participação das máquinas e equipamentos entre 2014 e 2017 caiu de 44,8% para 31,0%, e os dispêndios nas atividades de P&D interno subiram de 27,2% em 2014 para 41,6% em 2017.
Já nas empresas de eletricidade e gás, o movimento foi oposto, com perda da participação dos dispêndios em aquisição externa de P&D de 46,0% em 2014 para 24,5% em 2017. E aumento na aquisição de máquinas e equipamentos, de 15,5% em 2014 para 48,6% em 2017. Os dispêndios nas atividades internas de P&D caíram de 30,0% em 2014 para 21,1% em 2017.

Cresce a proporção de empresas que inovam só em produto

A queda expressiva nos dispêndios em máquinas e equipamentos pode guardar relação com a queda nas taxas de inovação em processo. A aquisição de máquinas e equipamentos, seja para modernização tecnológica ou para produção de novos produtos, configura-se na modalidade mais comum de inovação de processo no Brasil.

Na Pintec 2017, a participação das empresas que inovaram apenas em processo diminuiu de 17,5% em 2014 para 14,8%. O percentual de empresas que inovaram conjuntamente em produto e processo também reduziu, mas em menor intensidade (-0,9 p.p.), de 14,6% para 13,7%. Por outro lado, cresceu a proporção de empresas que inovaram apenas em produto: de 3,9% em 2014 para 5,1% em 2017.

Caem gastos do governo, mas cresce percentual de empresas que recorrem à Lei do Bem

Apesar do aumento das empresas que se beneficiaram da Lei do Bem (de 3,5% em 2014 para 4,7% em 2017), a diminuição do apoio total do governo tem sua tendência influenciada pela diminuição do apoio para aquisição de máquinas e equipamentos.

No triênio 2015-2017, 26,2% de empresas inovadoras foram beneficiadas com algum tipo de apoio à inovação, queda em relação aos triênios 2009-2011 e 2012-2014, quando as proporções foram de 34,2% e 39,9%, respectivamente.

O financiamento para a compra de máquinas e equipamentos ainda é o principal mecanismo de incentivo à inovação, mas foi a modalidade que mais perdeu relevância nas empresas beneficiadas, recuando de 29,9% para 12,9% no período.

Na indústria, o percentual de empresas inovadoras que utilizaram financiamento para aquisição de máquinas e equipamentos caiu de 31,4%, entre 2012 e 2014 para 14,1% entre 2015 e 2017. Apesar disso, essa modalidade continua sendo a principal do setor. Por outro lado, o percentual de empresas inovadoras que se beneficiaram da Lei do Bem aumentou de 3,2% para 4,3%.

Nos serviços selecionados, o incentivo à aquisição de máquinas e equipamentos caiu para 3,8%, ante 16,1% no triênio anterior. No caso da Lei do Bem, houve um aumento de 6,1% para 6,7%, tornando essa modalidade a principal fonte de apoio à inovação nessas atividades no triênio 2015-2017.

Nas empresas de eletricidade e gás, 3,2% tiveram apoio para aquisição de máquinas e equipamentos, ante 11,1% em 2014. O aceso à Lei do Bem subiu de 28,8% em 2014 para 34,9% em 2017.
Serviços selecionados e indústria concentram os impactos positivos da inovação

Os impactos relacionados à melhoria da qualidade e à manutenção da participação de mercado ainda foram os mais destacados pela indústria e por empresas de serviços selecionados. Os investimentos em atividades inovativas melhoraram a qualidade dos bens e serviços para 92,8% das empresas de serviços selecionados, 82,6% das indústrias e 48,8% das empresas de eletricidade e gás.

Também permitiram manter a participação de mercado para 80,7% das empresas de serviços selecionados e 83,1% das indústrias. E assegurou a ampliação de participação de mercado para 73,7% das indústrias e 71,0% das empresas de serviços selecionados.

Outro impacto destacado é o aumento da produção e da prestação de serviços, apontado por 75,5% das indústrias, 75,2% das empresas de serviços e 54,8% das empresas de eletricidade e gás. Também aumentou a flexibilidade de produção para 74,1% das indústrias, 68,9% das empresas de serviços selecionados e 50,6% das empresas de eletricidade e gás.

Serviços selecionados tem maior proporção de profissionais com dedicação exclusiva em P&D

Em 2017, entre os profissionais ocupados nas atividades de pesquisa e desenvolvimento, 61,3% estão em regime de dedicação exclusiva; e 38,7% parcial; ante 61,4% e 38,6% em 2014, respectivamente. O setor de serviços selecionados concentra o maior percentual de dedicação exclusiva: 72,1% ante 57% na indústria e 14,4% em eletricidade e gás.

Mais de 70% das pessoas ocupadas nas atividades de P&D têm pelo menos graduação. Nas empresas de eletricidade e gás, há maior percentual de graduados (69,3%), e pós-graduados, (17%).

Cresce a proporção de mulheres nas atividades de P&D

Apesar de menos de um quarto das pessoas ocupadas em cargos de pesquisadores nas empresas brasileiras ser do sexo feminino, houve um aumento nessa proporção em relação ao triênio anterior. Entre 2012-2014, as mulheres eram 20,9% do pessoal ocupado, percentual que subiu para 23,6% em 2015-2017.

Entre os setores onde as mulheres pesquisadoras eram maioria, destacam-se: confecção de artigos do vestiário e acessórios (75,5%); fabricação de sabões, detergentes, produtos de limpeza, cosméticos, produtos de perfumaria e higiene pessoal (62,3%); produtos farmoquímicos (53,7%); e farmacêuticos (60%).

Avançam iniciativas de cooperação para inovar

A Pintec 2017 mostrou que 15,6% das empresas inovadoras realizaram algum tipo de atividade inovativa com outras organizações. No setor de eletricidade e gás, o percentual subiu de 55% no triênio 2012-2014 para 70,1% em 2017. Na indústria, variou de 14,3% para 14,9%. Nos dois setores, os fornecedores foram os principais parceiros. Em serviços selecionados, o percentual caiu de 23,6% em 2014 para 18,4% em 2017. Nesse setor, a interação com clientes e consumidores foi a principal forma de parceria.

Na indústria e nos serviços selecionados, a internet e os clientes continuam a ser as principais fontes de informação para às atividades inovativas. No setor de eletricidade e gás, as fontes provêm dos fornecedores e outras empresas do grupo.

Chama a atenção o aumento relativo da importância do departamento de P&D para os três setores: em 2017, ele foi considerado importante fonte para 45,6% das empresas de eletricidade e gás e para 16,4% das indústrias – ante 26,6%, e 11,8%, respectivamente, em 2014. Já nos serviços selecionados, a proporção recuou de 30,5% para 24,2%, no período.

Para 82% das empresas inovadoras, riscos econômicos são principal obstáculo à inovação

No período 2015-2017, os riscos econômicos excessivos ganharam importância, configurando-se como principal obstáculo à inovação para 81,8% das empresas inovadoras, após ocupar a terceira e segunda posições nos triênios 2009-2011 e 2012-2014.

Em contrapartida, os elevados custos para inovar caíram da primeira colocação, em 2011 e em 2014, para a segunda, sendo indicado por 79,7% das empresas inovadoras.

A falta de pessoal qualificado foi indicada por 65,5% das empresas inovadoras, despontando como terceiro obstáculo no ranking, ganhando espaço em relação à escassez de fontes apropriadas de financiamento (63,9%), que caiu para a quarta posição.

Em relação às empresas que não inovaram, as condições de mercado permanecem como principais entraves para a não realização da inovação: 60,4% ante 54,9% no triênio anterior. Em seguida, destacam-se as inovações prévias, com perda de importância entre os triênios (de 20,3% para 16,7%). Por fim, outros fatores são apontados por 22,9% das empresas, com ligeira queda em relação a 2012-2014 (24,8%).

Na edição 2017 da Pintec, observou-se aumento no percentual de empresas inovadoras que realizaram atividades de biotecnologia (4,6% ante 3,4% do período anterior) e nanotecnologia (2,3% contra 1,8%). Em ambos os casos, são nas grandes empresas em que mais se desenvolvem essas atividades.