Produção industrial recua 0,7% em dezembro e fecha 2019 com queda acumulada de 1,1%

04/02/2020 09h00 | Última Atualização: 04/02/2020 15h59

Em dezembro de 2019, a produção industrial nacional recuou 0,7% frente ao mês anterior (série com ajuste sazonal), segunda taxa negativa seguida e acumulando nesse período recuo de 2,4%. Em relação a dezembro de 2018 (série sem ajuste sazonal), a indústria caiu 1,2%, após também assinalar perda no mês anterior (-1,8%). Com esses resultados, o setor industrial recuou tanto no fechamento do quarto trimestre de 2019 (-0,6%), como no acumulado do segundo semestre do ano (-0,9%), contra iguais períodos do ano anterior.

Dezembro 2019 / Novembro 2019 -0,7%
Dezembro 2019 / Dezembro 2018 -1,2%
Acumulado em 2019 -1,1%
Acumulado em 12 meses -1,1%
Média Móvel Trimestral -0,5%

 No índice acumulado do ano, a atividade industrial recuou 1,1% frente a igual período de 2018, interrompendo, dessa forma, dois anos consecutivos de crescimento: 2017 (2,5%) e 2018 (1,0%). A publicação completa da Pesquisa Industrial Mensal (PIM Brasil) pode ser acessada à direita desta página. 

Produção Industrial por Grandes Categorias Econômicas - Brasil - Dezembro de 2019     
Grandes Categorias Econômicas Variação (%)
Dezembro 2019/Novembro 2019* Dezembro 2019/Dezembro 2018 Acumulado Janeiro-Dezembro Acumulado nos Últimos 12 Meses
Bens de Capital -8,8 -5,9 -0,4 -0,4
Bens Intermediários 0,1 -2,1 -2,2 -2,2
Bens de Consumo -1,4 1,3 1,1 1,1
Duráveis -2,7 1,6 2 2
Semiduráveis e não Duráveis -1,4 1,2 0,9 0,9
Indústria Geral -0,7 -1,2 -1,1 -1,1
Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Indústria    *Série com ajuste sazonal    

3 das 4 grandes categorias econômicas e 17 dos 26 ramos pesquisados mostraram redução na produção

Na queda de 0,7% da atividade industrial, na passagem de novembro para dezembro de 2019, três das quatro grandes categorias econômicas e 17 dos 26 ramos pesquisados mostraram redução na produção. Entre as atividades, as influências negativas mais importantes foram registradas por veículos automotores, reboques e carrocerias (-4,7%) e máquinas e equipamentos (-7,0%), com a primeira acumulando recuo de 9,7% em três meses consecutivos de queda na produção; e a segunda intensificando a perda de 2,0% verificada em novembro de 2019.

Outras contribuições negativas relevantes vieram de indústrias extrativas (-1,4%), de produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-6,2%), de artefatos de couro, artigos para viagem e calçados (-6,6%), de metalurgia (-1,9%), de produtos de metal (-2,9%), de produtos de borracha e de material plástico (-2,5%), de produtos de minerais não-metálicos (-1,8%) e de máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-2,5%).

Por outro lado, entre os nove ramos que ampliaram a produção nesse mês, o desempenho de maior importância para a média global foi registrado por coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (4,2%), que acentuou o ritmo de crescimento observado no mês anterior (1,7%). Vale destacar também os resultados positivos assinalados pelos setores de impressão e reprodução de gravações (39,8%) e de confecção de artigos do vestuário e acessórios (5,3%), com o primeiro impulsionado, em grande parte, por encomendas especiais e mostrando expansão pelo terceiro mês seguido, após recuar 29,3% em setembro de 2019; e o último avançando pelo segundo mês consecutivo e acumulando ganho de 7,3% nesse período.

Entre as grandes categorias econômicas, ainda na comparação com o mês imediatamente anterior, bens de capital, ao recuar 8,8%, mostrou a queda mais acentuada em dezembro de 2019 e manteve o comportamento predominantemente negativo presente desde maio de 2019, acumulando nesse período redução de 12,9%. O resultado de dezembro foi a queda mais intensa desde maio de 2018 (-18,5%). Os segmentos de bens de consumo duráveis (-2,7%) e de bens de consumo semi e não-duráveis (-1,4%) também assinalaram taxas negativas nesse mês, com ambos marcando o segundo mês seguido de queda na produção e acumulando perdas de 5,7% e 2,1%, respectivamente. Apenas o setor de bens intermediários apontou variação positiva (0,1%), após recuar 1,7% no mês anterior.

Média móvel trimestral mostra queda de 0,5%

Ainda na série com ajuste sazonal, a evolução do índice de média móvel trimestral mostrou queda de 0,5% no trimestre encerrado em dezembro de 2019 frente ao nível do mês anterior, intensificando, dessa forma, o resultado negativo registrado em novembro de 2019 (-0,2%), quando interrompeu a trajetória ascendente iniciada em julho de 2019.

Entre as grandes categorias econômicas, bens de capital (-3,8%) e bens de consumo duráveis (-1,5%) assinalaram os recuos mais intensos em dezembro de 2019, com o setor de bens de capital mantendo o comportamento negativo iniciado em julho de 2019 e acumulando nesse período redução de 6,5%; e bens de consumo interrompendo a trajetória ascendente iniciada em agosto de 2019. Os segmentos de bens intermediários (-0,5%) e de bens de consumo semi e não-duráveis (-0,4%) também registraram taxas negativas em dezembro de 2019.

Assim, bens intermediários registrou o segundo mês seguido de queda, acumulando perda de 1,0% nesse período; e bens de consumo semi e não-duráveis interrompeu a trajetória predominantemente ascendente iniciada em dezembro de 2018.

Indústria recuou 1,2% na comparação com dezembro de 2018

Na comparação com igual mês do ano anterior, o setor industrial assinalou queda de 1,2% em dezembro de 2019, com resultados negativos em duas das quatro grandes categorias econômicas, 14 dos 26 ramos, 36 dos 79 grupos e 49,4% dos 805 produtos pesquisados. Vale citar que dezembro de 2019 (21 dias) teve um dia útil a mais do que igual mês do ano anterior (20).

Entre as atividades, indústrias extrativas (-12,2%) exerceu a maior influência negativa na formação da média da indústria, pressionada, em grande medida, pelos itens minérios de ferro. Houve redução também nos ramos de metalurgia (-10,4%), de produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-17,3%), de máquinas e equipamentos (-7,2%), de veículos automotores, reboques e carrocerias (-2,6%), de artefatos de couro, artigos para viagem e calçados (-8,6%), de celulose, papel e produtos de papel (-2,9%), de manutenção, reparação e instalação de máquinas e equipamentos (-8,1%) e de produtos de minerais não-metálicos (-3,2%).

Entre as grandes categorias econômicas, ainda no confronto com igual mês do ano anterior, a redução mais acentuada foi em bens de capital (-5,9%); terceira taxa negativa consecutiva nesse tipo de comparação e a mais elevada dessa sequência. Na formação do índice de dezembro, o segmento foi influenciado pelas quedas observadas nos grupamentos de bens de capital para equipamentos de transporte (-8,0%) e agrícolas (-34,8%), pressionados, principalmente, pela menor fabricação de caminhões, caminhão-trator para reboques e semirreboques, embarcações para transporte de pessoas ou cargas (inclusive petroleiros e plataformas), reboques e semirreboques (inclusive para uso agrícola) e vagões de passageiros e para transporte de mercadorias, no primeiro; e de tratores agrícolas e máquinas para colheita, no segundo.

Por outro lado, os impactos positivos foram assinalados pelos grupamentos de bens de capital para energia elétrica (10,2%), para construção (5,8%), para fins industriais (0,8%) e de uso misto (1,9%).

O segmento de Bens intermediários recuou -2,1% no índice mensal de dezembro de 2019 e apontou a segunda taxa negativa consecutiva nesse tipo de comparação. O resultado desse mês foi explicado, principalmente, pelos recuos nos produtos associados às atividades de indústrias extrativas (-12,2%), de metalurgia (-10,4%), de produtos alimentícios (-4,1%), de máquinas e equipamentos (-8,9%), de produtos de minerais não-metálicos (-3,3%), de celulose, papel e produtos de papel (-4,0%) e de outros produtos químicos (-0,8%), enquanto as pressões positivas foram registradas por coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (16,2%), veículos automotores, reboques e carrocerias (5,4%), produtos têxteis (9,5%), produtos de borracha e de material plástico (2,0%) e produtos de metal (1,9%).

Ainda nessa categoria econômica, vale citar também os resultados assinalados pelos grupamentos de insumos típicos para construção civil (-0,3%), que interrompeu três meses consecutivos de crescimento na produção; e de embalagens (3,8%), que marcou a taxa positiva mais elevada desde maio de 2019 (21,0%).

Já o segmento de bens de consumo duráveis cresceu 1,6% em dezembro de 2019 frente a igual período do ano anterior, quarta taxa positiva consecutiva nesse tipo de comparação. Nesse mês, o setor foi particularmente impulsionado pela expansão na fabricação dos eletrodomésticos da “linha marrom” (21,7%), por conta da maior produção de televisores. Vale citar também os avanços assinalados por motocicletas (4,1%) e pelo grupamento de outros eletrodomésticos (25,3%).
Por outro lado, a redução na fabricação de automóveis (-3,4%) exerceu a maior influência negativa nessa categoria. Os demais impactos negativos foram registrados pelos grupamentos de eletrodomésticos da “linha branca” (-2,0%) e de móveis (-0,3%).

O segmento de bens de consumo semi e não-duráveis avançou 1,2% em dezembro de 2019 frente a igual período do ano anterior, após também crescer em setembro (2,0%), outubro (3,6%) e novembro (0,9%) últimos. O desempenho nesse mês foi explicado, em grande parte, pela expansão observada nos grupamentos de alimentos e bebidas elaborados para consumo doméstico (3,1%) e de semiduráveis (6,4%).

Por outro lado, os subsetores de não-duráveis (-3,4%) e de carburantes (-5,7%) apontaram as taxas negativas nessa categoria, pressionados, em grande medida, pela menor produção de medicamentos, sabões ou detergentes em pó e amaciantes, no primeiro; e de álcool etílico, no segundo.

No quarto trimestre de 2019, Indústria caiu 0,6%

O setor industrial, ao recuar 0,6% no quarto trimestre de 2019, permaneceu com o comportamento negativo observado desde o último trimestre de 2018 (-1,3%), todas as comparações contra igual período do ano anterior. A redução na intensidade de perda no total da produção industrial na passagem do terceiro (-1,2%) para o quarto (-0,6%) trimestre de 2019 foi explicada dinamismo verificado em três das quatro grandes categorias econômicas, com destaque para bens de consumo duráveis (de 1,1% para 3,3%).

Os segmentos de bens de consumo semi e não-duráveis (de 1,0% para 2,0%) e de bens intermediários (de -2,4% para -1,5%) também fizeram esse movimento, com bens de consumo semi e não-duráveis marcando o terceiro trimestre consecutivo de crescimento na produção; e bens intermediários com a perda menos intensa da sequência de cinco trimestres de resultados negativos. O setor produtor de bens de capital (de 1,2% para -3,5%) foi o único que mostrou perda de ritmo entre os dois períodos, interrompendo, dessa forma, dois trimestres seguidos de taxas positivas.

Indústria acumula redução de 1,1% em 2019

No índice acumulado para janeiro-dezembro de 2019, frente a igual período do ano anterior, o setor industrial mostrou redução de 1,1%, com resultados negativos em duas das quatro grandes categorias econômicas, 16 dos 26 ramos, 40 dos 79 grupos e 54,2% dos 805 produtos pesquisados.

Entre as atividades, indústrias extrativas (-9,7%) exerceu a maior influência negativa na formação da média da indústria, pressionada, em grande medida, pelos itens minérios de ferro. Vale destacar também as contribuições negativas assinaladas pelos ramos de metalurgia (-2,9%), de celulose, papel e produtos de papel (-3,9%), de manutenção, reparação e instalação de máquinas e equipamentos (-9,1%), de outros equipamentos de transporte (-9,0%), de produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-3,7%), de produtos de madeira (-5,5%), de perfumaria, sabões, produtos de limpeza e de higiene pessoal (-3,7%) e de produtos de borracha e de material plástico (-1,5%).

Por outro lado, entre as dez atividades que apontaram ampliação na produção, as principais influências no total da indústria foram registradas por produtos alimentícios (1,6%), veículos automotores, reboques e carrocerias (2,1%), coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (1,7%), produtos de metal (5,1%) e bebidas (4,0%).

Entre as grandes categorias econômicas, o perfil dos resultados para os doze meses de 2019 mostrou menor dinamismo para bens intermediários (-2,2%), pressionado, sobretudo, pela redução verificada em indústrias extrativas (-9,7%), explicada, principalmente, pelos efeitos do rompimento de uma barragem de rejeitos de mineração na região de Brumadinho (MG) ocorrido em janeiro de 2019.

O segmento de bens de capital (-0,4%) também apontou taxa negativa no índice acumulado no ano. Por outro lado, o setor produtor de bens de consumo duráveis (2,0%) assinalou a expansão mais acentuada, impulsionado, em grande parte, pela maior fabricação de eletrodomésticos da “linha branca” (10,7%). O segmento de bens de consumo semi e não-duráveis (0,9%) também fechou o ano de 2019 com crescimento na produção.