POF 2017-2018: Famílias com até R$ 1,9 mil destinam 61,2% de seus gastos à alimentação e habitação

04/10/2019 10h00 | Atualizado em 10/10/2019 17h11

As famílias com rendimento de até dois salários mínimos (R$ 1.908,00) comprometiam uma parte maior de seu orçamento em despesas com alimentação e habitação do que aquelas com rendimentos superiores a 25 salários mínimos (R$ 23.850,00). Somados, os dois grupos representavam 61,2% das despesas das famílias com menores rendimentos, sendo 22,0% destinados à alimentação e 39,2% voltados à habitação. Entre aquelas com os rendimentos mais altos, a soma atingia 30,2%, sendo 7,6% com alimentação e 22,6% com habitação.

Para as famílias que formam a classe de maiores rendimentos, as despesas com alimentação (R$ 2.061,34) eram mais que o triplo do valor médio do total das famílias do país (R$ 658,23) e mais de seis vezes o valor da classe com rendimentos mais baixos (R$ 328,74).

Além disso, 23,9% das famílias que recebiam até R$1.908,00 contribuíam com apenas 5,5% do valor médio recebido no Brasil. Isso significa que, da média mensal de R$ 5.426,70, apenas R$ 297,18 vêm deste grupo. Já os 2,7% das famílias que recebiam mais de R$ 23.850,00 contribuíam com R$ 1.080,26 para a média global. Dessa forma, este grupo se apropria de quase 20% de todos os valores recebidos pelas famílias. É o que mostra a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2017-2018.

A pesquisa revela também que alimentação, habitação e transporte comprometiam, em conjunto, 72,2% dos gastos das famílias brasileiras, no que refere ao total das despesas de consumo. Considerando ainda a distribuição das despesas de consumo, no caso das da alimentação, a proporção nos gastos totais da situação rural (23,8%) superou a da urbana (16,9%), bem como as despesas com transporte (20% rural e 17,9% urbano). Educação (4,7%) foi o grupo que apresentou uma participação para as famílias de residência urbana (4,9%) o dobro da observada para aquelas de situação de residência rural (2,3%).

A participação da despesa com alimentação fora do domicílio na área urbana foi de 33,9% no total das despesas com alimentação. Na área rural, chegou a 24,0%, um aumento de 11 pontos percentuais em relação à POF 2002-2003. O valor médio da despesa com alimentação fora do domicílio na área urbana foi 87,1% maior que o da área rural. Já para a alimentação no domicílio, o valor médio da despesa das famílias em áreas urbanas foi 15% maior do que em áreas rurais.

Famílias brasileiras gastam em média R$ 4,6 mil por mês

A despesa total média mensal familiar no Brasil era de R$ 4.649,03 em 2017-2018, sendo 7,2% mais alta nas áreas urbanas (R$ 4.985,39) e 45,3% menor nas áreas rurais (R$ 2.543,15). Os maiores valores ocorreram nas regiões Centro-Oeste (R$ 5.762,12) e Sudeste (R$ 5.415,49). Norte (R$ 3.178.63) e Nordeste (R$ 3.166,07) ficaram abaixo da média.

As despesas correntes representavam 92,7% do total. Registraram-se também participações de 4,1% referentes ao aumento do ativo (aquisição de imóvel, reforma e outros investimentos) e 3,2% para a diminuição do passivo (pagamentos de empréstimos e prestações de financiamento de imóvel).

No que se refere às despesas totais, as despesas de consumo ficaram com 81,0% do total, fazendo parte desse grupo as despesas com alimentação, habitação, transporte etc., e 11,7% foram gastos com outras despesas correntes, como contribuições trabalhistas e serviços bancários, entre outras. As despesas correntes ficaram abaixo da média nacional nas regiões Centro-Oeste (90,8%) e Sul (90,4%).

As despesas de consumo eram 4,2 pontos percentuais maiores na área rural (84,9%) em relação à urbana (80,7%). Porém, as famílias que moram em áreas rurais gastavam 5,3 pontos percentuais a menos com outras despesas correntes (6,8% frente a 12,1% nas áreas urbanas). Tais diferenças são explicadas por gastos com impostos, contribuições trabalhistas e serviços bancários, principalmente, que têm maior incidência nas áreas urbanas.

No Brasil, as despesas monetárias (realizadas mediante pagamento em dinheiro, cheque ou cartão de débito ou crédito) representavam 81,9% do total, enquanto as despesas não monetárias (provenientes de produção própria, retiradas do negócio, troca, doação e outras formas de obtenção que não envolveram pagamentos monetários) representavam 18,1%. As despesas não monetárias tinham uma participação maior nas áreas rurais (22,5% contra 17,7% nas áreas urbanas). A região Centro-Oeste mostrou o menor percentual (15,9%), enquanto o maior foi registrado no Norte (19,0%).

Participação das despesas com aumento do ativo caíram 1,7 p.p em 10 anos

Comparando-se o Estudo Nacional de Despesa Familiar (ENDEF) 1974-1975 com as três edições da POF, nota-se um salto na participação das despesas correntes entre o primeiro e a última, passando 79,9% para cerca de 93% em 2017-2018. Entretanto, entre as edições da POF, houve estabilidade a partir de 2002-2003.

A participação das despesas registradas no aumento do ativo, como aquisição e reforma de imóveis, por exemplo, alcançou na POF 2017-2018 o valor de 4,1% em relação ao total das despesas. Este grupo teve forte queda ao longo dos quase 30 anos que se passaram entre o ENDEF e a POF 2002-2003. Para o período entre as POFs, o percentual vem apresentando menor variação.

Já a diminuição do passivo apresentou menores variações na tendência histórica. Após uma manutenção na participação em 2002-2003 e 2008-2009, o percentual apresentou-se um pouco maior para a POF 2017-2018, chegando a 3,2%. Este percentual aproxima-se do observado no período do ENDEF, quando representava 3,6% da despesa total.

Alimentação, habitação e transporte respondem por 72,2% dos gastos de consumo das famílias

A participação das despesas de consumo no total das despesas foi de 81,0% para o Brasil, com média mensal de R$ 3.764,51. O valor médio das despesas de consumo realizadas pelas famílias residentes em situação rural (R$ 2.158,83) correspondeu a 57,3% da média nacional e a 53,7% do gasto médio das famílias em situação urbana (R$ 4.020,98).

As despesas com alimentação, habitação e transporte corresponderam a 72,2% da despesa de consumo média mensal das famílias, o que representava 58,4% da despesa total.

Distribuição da despesa de consumo monetária e não monetária média mensal familiar,
por tipos de despesa de consumo, segundo a situação do domicílio e as Grandes Regiões - período 2017-2018
Situação do
domicílio e
Grandes
Regiões
Distribuição das despesas de consumo monetária e não monetária média mensal (%)
Total Tipo de despesas
Alimentação Habitação Vestuário Transporte Higiene
e

cuidados
pessoais
Assistência
à saúde
Educação Recreação e cultura Fumo Serviços
pessoais
Despesas
diversas
Brasil 100,0 17,5 36,6 4,3 18,1 3,6 8,0 4,7 2,6 0,5 1,3 3,0
Urbana 100,0 16,9 37,1 4,2 17,9 3,6 8,0 4,9 2,6 0,5 1,3 3,0
Rural 100,0 23,8 30,9 4,7 20,0 4,5 8,0 2,3 1,8 0,5 0,9 2,5
             
Norte 100,0 21,0 36,4 5,3 16,6 5,7 5,4 3,2 2,5 0,3 1,1 2,4
Nordeste 100,0 22,0 32,4 5,1 16,2 5,0 8,0 4,7 2,5 0,4 1,3 2,4
Sudeste 100,0 15,8 39,0 3,7 17,5 3,0 8,5 5,1 2,5 0,5 1,3 3,0
Sul 100,0 17,1 35,7 4,5 20,6 3,3 7,3 3,7 2,6 0,6 1,2 3,3
Centro-Oeste 100,0 16,6 33,4 4,5 21,0 3,6 8,0 4,7 2,7 0,4 1,3 3,8
Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Trabalho e Rendimento, Pesquisa de Orçamentos Familiares 2017-2018.

Na alimentação, a proporção nos gastos de consumo da população em situação rural (23,8%) superou a da urbana (16,9%), bem como as despesas com transporte (20% rural e 17,9% urbano). Na habitação, essa relação se inverte, com a participação da urbana (37,1%) tendo suplantado a da rural (30,9%).

As despesas com habitação responderam pela maior participação nas despesas monetária e não monetária de consumo das famílias, tanto em nível nacional (36,6%) como regional. As regiões Sudeste (39,0%) e Norte (36,4%) apresentaram as maiores participações. Quanto ao transporte, as maiores participações ocorreram nas regiões Centro-Oeste (21,0%) e Sul (20,6%), ambas superiores à encontrada para o Brasil (18,1%). A menor participação deste grupo nas despesas de consumo ocorreu na região Nordeste (16,2%).

A terceira maior participação nos gastos nacionais com consumo ficou com o grupo alimentação (17,5%), resultado muito próximo a transporte (diferença de 0,6% p.p.). Esse quadro se repete na situação urbana, em que a participação de transporte (17,9%) supera a dos alimentos em 1,0 ponto percentual. Na rural, a proporção de gastos com alimentação (23,8%) é superior à de transporte (20,0%). As regiões Nordeste (22,0%) e Norte (21,0%) registraram participações mais altas que a média nacional. A região Sudeste apresentou o menor percentual para este grupo (15,8%).

Educação (4,7%) foi o grupo que apresentou a diferença mais relevante entre as participações da situação de residência urbana (4,9%) e da rural (2,3%).

Alimentação representa 22,0% dos gastos das famílias com rendimentos de até 2 salários mínimos

As famílias com rendimento de até dois salários mínimos (R$ 1.908,00) comprometiam uma parte maior de seu orçamento em despesas com alimentação e habitação do que aquelas com rendimentos superiores a 25 salários mínimos (R$ 23.850,00). A relação se inverte no que se refere às despesas com transporte e educação.

A assistência à saúde mostra percentuais próximos no orçamento doméstico, mas enquanto as famílias com menores rendimentos comprometiam 4,2% do orçamento com remédios, aquelas com maiores rendimentos gastavam 1,4%. Por outro lado, os gastos com planos de saúde eram de 0,4% entre a classe mais baixa de rendimento e de 2,9% na classe mais alta.

Distribuição da despesa monetária e não monetária média mensal familiar,
por classes extremas de rendimento total e variação patrimonial mensal familiar,
segundo os tipos de despesas selecionadas - Brasil - período 2017-2018
Tipos de
despesas
selecionadas
Distribuição da despesa monetária e não monetária média mensal familiar (%)
Total Classes extremas de rendimento total e
variação patrimonial mensal familiar (1)
Até R$ 1 908 (2) Mais de R$ 23 850
Despesa total 100,0 100,0 100,0
Despesas correntes 92,7 96,6 87,0
Despesas de consumo 81,0 92,6 66,3
Alimentação 14,2 22,0 7,6
Habitação 29,6 39,2 22,6
Aluguel 15,1 20,6 10,7
Serviços e taxas 7,4 11,2 3,5
Mobiliários e artigos do lar 1,4 2,1 1,1
Eletrodomésticos 1,3 2,3 0,6
Transporte 14,6 9,4 15,3
Urbano 1,3 2,1 0,4
Aquisição de veículos 5,6 2,3 7,5
Assistência à saúde 6,5 5,9 5,6
Remédios 2,9 4,2 1,4
Plano/seguro-saúde 2,1 0,4 2,9
Educação 3,8 1,9 5,1
Outras despesas de consumo 12,2 14,2 10,2
Outras despesas correntes 11,7 4,0 20,7
Aumento do ativo 4,1 1,4 9,6
Diminuição do passivo 3,2 2,0 3,5
Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Trabalho e Rendimento, Pesquisa de Orçamentos Familiares 2017-2018.
Nota: As classes referem-se a rendimento total e variação patrimonial, mas são chamadas classes de rendimentos por simplificação.
(1) Inclui o rendimento monetário, o rendimento não monetário estimado a partir da utilização e do consumo de produtos que são adquiridos através de despesas não monetárias e a variação patrimonial obtida através de vendas de bens imóveis e retiradas de aplicações financeiras. Inclui, também, o aluguel estimado pelas unidades de consumo com condição de ocupação diferente de alugado, deduzidas as despesas com manutenção, impostos, taxas e seguros.
(2) Inclusive sem rendimento.

Gastos com saúde aumentam em todas as pesquisas desde 1974

O grupo alimentação mostrou queda de 2,3 p.p. entre as duas últimas edições da POF, passando de 19,8% para 17,5%. Habitação, educação e assistência à saúde tiveram aumentos em relação a 2008-2009, sendo que esta última mostra crescimento em todas as edições da pesquisa.

Participação na despesa de consumo monetária e não monetária média mensal familiar,
no ENDEF e na POF, segundo os tipos de despesas selecionadas - Brasil - 1974/2018
Tipos de despesas selecionadas Participação na despesa de consumo monetária e não monetária média mensal familiar (%)
ENDEF
1974 -1975 (1)
POF
2002-2003 2008-2009 2017-2018
Alimentação 33,9 20,8 19,8 17,5
Habitação 30,4 35,5 35,9 36,6
Transporte 11,2 18,4 19,6 18,1
Assistência á saúde 4,2 6,5 7,2 8,0
Educação 2,3 4,1 3,0 4,7
Outros 18,0 14,7 14,4 15,2
Fontes: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Trabalho e Rendimento, Estudo Nacional da Despesa Familiar 1974-1975 e Pesquisa de Orçamentos Familiares 2002-2003/2017-2018.
(1) Exclusive a área rural das Regiões Norte e Centro-Oeste.

Despesa com alimentação fora do domicílio aumenta 11 p.p. na área rural

Entre a POF 2002-2003 e POF 2017-2018, houve aumento de 8,7 p.p. no peso da despesa com alimentação fora do domicílio no país. O crescimento do percentual na área rural, que foi de 13,1% em 2002-2003, aumentou 11 p.p., chegando a 24,0% em 2017-2018.

Os maiores percentuais com alimentação fora do domicílio em 2017-2018 ocorreram nas regiões Centro-Oeste (38,0%) e Sudeste (34,2%), que ficaram acima da média nacional (32,8%). O menor percentual ocorreu na região Norte (21,4%). Os maiores aumentos, entre as POFs 2002-2003 e 2017-2018, ocorreram nas regiões Centro-Oeste (13,5 p.p.) e Nordeste (12,8 p.p.).

A região Centro-Oeste registrou o maior valor da despesa média mensal familiar com alimentação fora do domicílio (R$ 277,68). Esse valor é 133,8% maior do que na região Norte (R$ 118,79), o menor do país.

Entre a POF 2008-2009 e a POF 2017-2018, a única região com queda no percentual da despesa média mensal com alimentação fora do domicílio foi a Sudeste: de 37,2% para 34,2%. O percentual da região Norte ficou inalterado no mesmo período (21,4%).

Despesa com alimentação no domicílio varia entre 49,7% e 79,4%

Na comparação entre as classes extremas de rendimento mensal familiar, as famílias com rendimentos mais baixos (até R$ 1.908,00) apresentaram uma proporção de 20,6% de despesa com alimentação fora do domicílio, contra 79,4% de despesa com alimentação no domicílio. Já para as famílias com rendimentos mais altos (acima de R$ 23.850,00), essa proporção, na alimentação fora do domicílio, foi de 50,3%, contra 49,7% de despesa com alimentação no domicílio.

Despesa monetária e não monetária média mensal familiar com alimentação, por classes extremas de rendimento total e
variação patrimonial mensal familiar, segundo o tipo de despesa, com indicação do número e tamanho médio das famílias  Brasil - período 2017-2018
Tipo de despesa, número e
tamanho médio das famílias
Despesa monetária e não monetária média mensal familiar com alimentação
Total Classes extremas de rendimento total
e variação patrimonial mensal familiar
Até R$ 1 908 (1) Mais de R$ 23 850
Valor (R$)
Despesa com alimentação 658,23 328,74 2061,34
Alimentação no domicílio 442,27 261,05 1025,48
Alimentação fora do domicílio 215,96 67,69 1035,86
       
Distribuição (%)
Despesa com alimentação 100,0 100,0 100,0
Alimentação no domicílio 67,2 79,4 49,7
Alimentação fora do domicílio 32,8 20,6 50,3
    
Número de famílias 69 017 704 16 470 313 1 842 567
Tamanho médio das famílias (pessoas) 3,00 2,72 3,07
Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Trabalho e Rendimento, Pesquisa de Orçamentos Familiares 2017-2018
(1) Inclusive sem rendimento.

O valor da despesa total com alimentação das famílias com rendimentos mais altos representou mais que o triplo do valor da média do total de famílias do país e mais de seis vezes o valor da classe com rendimentos mais baixos.

Já o valor da despesa com alimentação no domicílio na classe com rendimentos mais altos foi mais que o dobro da média nacional e quase quatro vezes maior que o valor na classe com rendimentos mais baixos. A diferença foi mais acentuada entre os valores correspondentes à alimentação fora do domicílio, que, na classe com rendimentos mais altos, foi de 4,8 vezes o valor da média nacional e 15,3 vezes o valor da classe com rendimentos mais baixos.

Carnes, vísceras e pescados são 20% das despesas de alimentação no domicílio

Nas despesas com alimentos para consumo no domicílio, a participação do grupo de Cerais, leguminosas e oleaginosas vem caindo ao longo do tempo: de 10,4%, em 2002-2003 para 8,0% em 2008-2009 e 5% em 2017-2018. Óleos e gorduras também seguem em queda: respectivamente 3,4%, 2,3% e 1,7%.

Carnes, vísceras e pescados continuam sendo o grupo de maior participação nas despesas (20,2%), com discreta perda em relação a 2008-2009 (21,9%).

A participação do grupo Bebidas e infusões vem aumentando: de 8,5% em 2002-2003 para 9,7% em 2008-2009 e 10,6% em 2017-2018. No mesmo intervalo, o grupo Alimentos preparados evoluiu de 2,3% para 2,9% e chegou a 3,4%.

No grupo Óleos e gorduras, houve queda de 1,7 p.p. na participação entre a POF 2002-2003 (3,4%) e a atual (1,7%). Legumes e verduras, frutas e panificados mantiveram estabilidade.

Famílias das áreas rurais ganham pouco mais da metade do recebido em áreas urbanas

O valor médio recebido pelas famílias, relativo ao rendimento mensal e à variação patrimonial (saques de poupança e vendas de imóveis, por exemplo), alcançou R$ 5.426,70 em 2018. Nas áreas urbanas, foi de R$ 5.806,24 enquanto em áreas rurais foi de R$ 3.050,49. Ou seja, as famílias em situação rural recebiam pouco mais da metade (52,3%) do valor recebido em áreas urbanas.

A maior participação no valor médio recebido pelas famílias (rendimento e variação patrimonial) veio do rendimento de trabalho (R$ 3.118,66), que representou 57,5% do total. Nas áreas urbanas, o rendimento de trabalho correspondia a 58,4% do valor recebido e, nas áreas rurais, a 46,8%.

A segunda maior participação veio das transferências (19,5%). Entre as transferências, as aposentadorias e pensões do INSS representaram 55,0% e os programas sociais federais, 5,4%. Nas áreas urbanas, as transferências ficaram com 19,0% do total recebido, enquanto nas áreas rurais chegavam a 25,3%.

Os rendimentos de aluguel (de bens móveis e imóveis) e as outras rendas apresentaram as menores contribuições na composição do valor médio recebido pelas famílias (1,6% e 0,7%, respectivamente), tanto nas áreas urbanas (1,7% e 0,7%, respectivamente) quanto nas rurais (0,9% e 0,9%, respectivamente).

Além disso, 14,5% do que as famílias recebiam foi não monetário, ou seja, valores referentes às aquisições pelas quais as famílias não precisaram pagar. Nas áreas rurais, o peso desse componente foi ainda maior (18,3%), enquanto nas áreas urbanas foi similar à média nacional (14,2%). Já a variação patrimonial representou 6,2%, com maior peso nas áreas rurais (7,9%).

Em todas as regiões, rendimentos de trabalho representam mais da metade dos valores recebidos

Em todas as regiões, o componente com a maior participação no total dos rendimentos das famílias foi o rendimento do trabalho, indo de 52,6% no Nordeste a 61,5% no Centro-Oeste. Já as transferências tiveram a maior participação no Nordeste (24,6%) e a menor, no Centro-Oeste (14,3%). No caso do rendimento não monetário, as regiões Nordeste e Norte tiveram participações acima da média nacional (15,7% e 15,6%, respectivamente), enquanto o Centro-Oeste teve a menor participação (12,8%).

O maior valor médio recebido pelas famílias foi no Centro-Oeste (R$ 6.772,86), correspondente a 124,8% da média nacional e, no Sudeste (R$ 6.391,29), equivalente a 117,8%. No Nordeste (R$ 3.557,98) e Norte (R$ 3.647,70), os valores corresponderam a 65,6% e 67,2% da média nacional, respectivamente.

O Sudeste foi a região com maior contribuição para valor médio total recebido pelas famílias, com R$ 2.789,94, mais da metade da média nacional (51,4%). A menor contribuição era dada pela região Norte, com R$ 265,09, ou 4,9%. O Centro-Oeste, embora apresentasse o maior valor entre as regiões, participava com apenas R$ 525,44 (9,7%).

Apenas 2,7% das famílias se apropriam de 20% da média global do país

A análise por classes de rendimento mostrou que 23,9% das famílias recebiam até R$ 1.908,00 (2 salários mínimos) e contribuíam com apenas 5,5% do valor médio recebido no Brasil. Ou seja, da média mensal global de R$ 5.426,70, apenas R$ 297,18 vêm deste grupo.

Considerando as famílias que viviam com até R$ 5.724,00 (6 salários mínimos), a contribuição foi de 36,1%. Assim, da média global de R$ 5.426,70, R$1.958,71 vêm deste grupo, ou seja, ¾ das famílias se apropriam de cerca de 1/3 da renda média.

Na última classe estão apenas 2,7% das famílias brasileiras, que recebiam mais de R$ 23.850,00 (25 salários mínimos). Este grupo contribuiu com R$ 1.080,26 para média global de R$5.426,70. Dessa forma, este grupo se apropria de quase 20% de todos os valores recebidos pelas famílias.

Rendimentos não monetários e transferências representam quase 60% dos valores recebidos pelas famílias de menor renda

Quando se analisa a origem dos valores recebidos por classes de rendimento, nas famílias que recebiam até 2 salários mínimos, 41% vinham do rendimento de trabalho; 28,8%, das transferências; 0,3%, dos aluguéis; 0,6%, de outras rendas; 28,2% era não monetário e 1,1% se referia à variação patrimonial.

Na outra ponta, nas famílias que recebiam mais de 25 salários mínimos, 60% vinham do rendimento de trabalho; 12,8% das transferências; 3,7% dos aluguéis; 0,2% de outras rendas; 7,9% era não monetário e 15,3% se referia à variação patrimonial.