IPCA-15 varia 0,09% em setembro e IPCA-E chega a 0,26%

24/09/2019 09h00 | Atualizado em 24/09/2019 09h00

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) variou 0,09% em setembro, ficando próximo à taxa de 0,08% registrada em agosto. O IPCA-E, que é o IPCA-15 acumulado trimestralmente, ficou em 0,26%, abaixo da taxa de 0,86% registrada em igual período de 2018. No ano, o IPCA-15 acumula alta de 2,60% e, em 12 meses, de 3,22%, o mesmo resultado registrado nos 12 meses imediatamente anteriores. Em setembro de 2018 a taxa também foi de 0,09%.

Período Taxa
Setembro de 2019 0,09%
Agosto de 2019 0,08%
Setembro de 2018 0,09%
Acumulado no ano 2,60%
Acumulado nos 12 meses 3,22%

O grupo Alimentação e Bebidas (-0,34%), que já havia apresentado queda em agosto (-0,17%), contribuiu com o maior impacto negativo no índice do mês, -0,08 ponto percentual (p.p.). No lado das altas, o destaque ficou com Habitação, que apresentou a maior variação (0,76%) e o maior impacto (0,12 p.p.) no IPCA-15 de setembro. Os demais grupos ficaram entre a queda de 0,40% de Artigos de Residência e a alta de 0,58% em Vestuário, cujo impacto no índice do mês foi de 0,03 p.p.

IPCA-15 e IPCA-E - Grupos - Variação e Impacto

Grupo

Variação Mensal (%) Impacto Variação Acumulada (%)
(p.p.)
Julho Agosto Setembro Setembro Trimestre 12 meses
 
Índice Geral 0,09 0,08 0,09 0,09 0,26 3,22
 
Alimentação e Bebidas 0,03 -0,17 -0,34 -0,08 -0,48 3,99
Habitação 0,43 1,42 0,76 0,12 2,63 4,15
Artigos de Residência -0,06 0,82 -0,40 -0,02 0,36 2,80
Vestuário -0,19 -0,07 0,58 0,03 0,32 0,93
Transportes -0,44 -0,78 0,09 0,02 -1,13 1,75
Saúde e Cuidados Pessoais 0,34 -0,32 0,09 0,01 0,11 4,23
Despesas Pessoais 0,48 0,27 0,10 0,01 0,85 3,27
Educação 0,12 0,07 0,04 0,00 0,23 4,82
Comunicação 0,14 0,44 -0,06 0,00 0,52 0,27
Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Índices de Preços, Sistema Nacional de Índices de Preços ao Consumidor.

O resultado do grupo Habitação (0,76%) foi influenciado, principalmente, pelo item energia elétrica (2,31%). Embora abaixo da taxa registrada em agosto (4,91%), o item representou o maior impacto individual no índice de setembro (0,09 p.p.) e apresentou alta pelo 8º mês consecutivo. Cabe destacar que, em setembro, está em vigor a bandeira tarifária vermelha patamar 1, em que há cobrança adicional de R$ 4,00 para cada 100 quilowatts-hora consumidos. Todas as regiões pesquisadas apresentaram variações positivas neste item, que vão desde os 0,47% registrados em Salvador até os 3,82% observados em Fortaleza. Em Belém (3,45%), houve reajuste nas tarifas, de 1,94%, a partir de 7 de agosto.

Ainda em Habitação, o resultado do item gás encanado (0,29%) reflete o reajuste de 0,99% nas tarifas no Rio de Janeiro (0,59%), a partir de 1º de agosto. Já o resultado da taxa de água e esgoto (0,96%) é consequência da apropriação do reajuste de 6,70%, vigente desde 12 de agosto, em Recife (6,25%) e do reajuste de 8,73%, a partir de 1º de agosto, em Belo Horizonte (5,01%).

O grupo Vestuário apresentou variação positiva de 0,58% em setembro, após ligeira queda de 0,07% no mês anterior. Houve aceleração, em comparação com agosto, nas variações de preços de joias e bijuterias (de 0,46% para 1,68%), calçados (de -0,15% para 0,70%), roupa masculina (de 0,21% para 0,60%), e roupa feminina (de -0,46% para 0,30%).

No grupo Alimentação e bebidas (-0,34%), a deflação observada pelo segundo mês consecutivo é explicada, especialmente, pela queda observada na alimentação no domicílio (-0,81%). O maior impacto individual negativo no índice do mês veio do tomate (-24,83%), com -0,07 p.p. Adicionalmente, a cenoura (-16,11%), as hortaliças e verduras (-6,66%), as frutas (-0,93%) e as carnes (-0,38%) também registraram queda em setembro.

A alimentação fora do domicílio, por sua vez, acelerou de agosto (0,33%) para setembro (0,50%), com destaque para as altas no lanche e na refeição de 0,86% e 0,31%, respectivamente.

O grupo Artigos de residência, após alta de 0,82% em agosto, apresentou-se com a maior variação negativa entre os grupos no mês de setembro (-0,40%). Em particular, destaca-se a queda nos preços do item eletrodomésticos (-1,22%), que haviam subido 2,21% no mês anterior.

Após a queda de 0,78% registrada em agosto, o grupo dos Transportes apresentou alta de 0,09% no índice do mês. Esse resultado foi influenciado, principalmente, pela alta dos combustíveis (0,35%). Os preços do etanol (2,15%), do gás veicular (0,96%) e do óleo diesel (0,58%) subiram em setembro, enquanto a gasolina (-0,06%) apresentou queda menos intensa na comparação com o mês anterior (-1,88%).

Ainda em Transportes, o resultado do item ônibus intermunicipal (0,37%) foi influenciado pelo reajuste médio de 4,48% nas passagens intermunicipais de longo curso em Porto Alegre (3,77%), vigente desde 1º de agosto. Por sua vez, as passagens aéreas, que já haviam registrado queda em agosto (-15,57%), caíram 1,53% em setembro.

Quanto aos índices regionais, cinco das onze regiões pesquisadas apresentaram deflação de agosto para setembro. O menor resultado foi registrado na região metropolitana do Rio de Janeiro (-0,10%), em função da queda observada nos preços do tomate (-37,80%). Já o maior índice ficou com Goiânia (0,54%), influenciado pelas altas da gasolina (3,50%) e da energia elétrica (3,02%).

IPCA-15 - Regiões
Região Peso
Regional (%)
Variação Mensal (%) Variação Acumulada (%)
Julho Agosto Setembro Trimestre 12 meses
Goiânia 4,44 -0,19 -0,29 0,54 0,06 2,75
Fortaleza 3,49 0,21 -0,19 0,24 0,26 4,37
Curitiba 7,79 0,18 0,01 0,21 0,40 2,73
São Paulo 31,68 -0,06 0,31 0,19 0,44 3,44
Recife 5,05 0,10 0,00 0,10 0,20 3,24
Belém 4,65 0,25 -0,27 0,04 0,02 3,80
Porto Alegre 8,40 0,06 0,29 -0,02 0,33 3,66
Brasília 3,46 0,22 -0,17 -0,02 0,03 2,43
Belo Horizonte 11,23 0,20 0,14 -0,04 0,30 2,99
Salvador 7,35 0,13 -0,13 -0,04 -0,04 3,15
Rio de Janeiro 12,46 0,26 -0,13 -0,10 0,03 2,90
 
Brasil 100,00 0,09 0,08 0,09 0,26 3,22
Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Índices de Preços, Sistema Nacional de Índices de Preços ao Consumidor.

Para o cálculo do IPCA-15, os preços foram coletados no período de 14 de agosto a 12 de setembro de 2019 (referência) e comparados com aqueles vigentes de 13 de julho a 13 de agosto de 2019 (base). O indicador refere-se às famílias com rendimento de 1 a 40 salários mínimos e abrange as regiões metropolitanas do Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife, São Paulo, Belém, Fortaleza, Salvador e Curitiba, além de Brasília e Goiânia. A metodologia utilizada é a mesma do IPCA, a diferença está no período de coleta dos preços e na abrangência geográfica.