Produção industrial varia -0,3% em julho

03/09/2019 09h00 | Atualizado em 03/09/2019 14h13

Em julho de 2019, a produção industrial nacional caiu 0,3% frente a junho (série com ajuste sazonal), terceiro resultado negativo consecutivo. A perda acumulada nesse período foi de 1,2%. No confronto com julho de 2018 (série sem ajuste sazonal), a indústria recuou 2,5%, após queda de 5,9% em junho. O acumulado no ano foi de -1,7%. O acumulado nos últimos 12 meses (-1,3%) mostrou perda de ritmo frente ao resultado de junho (-0,8%) e permaneceu com a trajetória predominantemente descendente iniciada em julho de 2018 (3,2%). Os dados são da Pesquisa Industrial Mensal - Produção Física (PIM-PF) Brasil. Veja a publicação completa e mais informações no material de apoio.

Período Produção industrial
Julho / Junho 2019 -0,3%
Julho 2019 / Julho 2018 -2,5%
Acumulado em 2019 -1,7%
Acumulado em 12 meses -1,3%
Média móvel trimestral -0,4%

 

Indicadores da Produção Industrial por Grandes Categorias Econômicas
Brasil - Julho de 2019
Grandes Categorias Econômicas Variação (%)
Julho 2019/ Junho 2019* Julho 2019/ Julho 2018 Acumulado Janeiro-Julho Acumulado nos Últimos 12 Meses
Bens de Capital -0,3 6,6 1,5 2,8
Bens Intermediários -0,5 -5,4 -3,0 -2,4
Bens de Consumo 0,8 1,5 0,7 0,0
  Duráveis 0,5 1,0 1,7 0,9
  Semiduráveis e não
  Duráveis
1,4 1,7 0,4 -0,3
Indústria Geral -0,3 -2,5 -1,7 -1,3
Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Indústria 
*Série com ajuste sazonal

11 dos 26 ramos pesquisados registraram queda em julho

No recuo de 0,3% da atividade industrial na passagem de junho para julho de 2019, 11 dos 26 ramos pesquisados mostraram quedas na produção. Entre as atividades, as principais influências negativas foram em: outros produtos químicos (-2,6%), bebidas (-4,0%) e produtos alimentícios (-1,0%). Os dois primeiros têm quedas após taxas positivas em junho (0,9% e 1,5%, respectivamente); já o setor de produtos alimentícios apontou o terceiro mês seguido de queda, acumulando perda de 3,3% nesse período.

Outras contribuições negativas relevantes foram: equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-3,3%, eliminando o avanço de 0,8% do mês anterior) e de máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-2,6%, acumulando perda de 4,6% em dois meses consecutivos de recuo). Por outro lado, entre os 15 ramos que ampliaram a produção, o desempenho de maior importância foi registrado por indústrias extrativas, que cresceu 6,0%, terceira taxa positiva consecutiva, acumulando, assim, expansão de 18,5% nesse período. Esses resultados positivos interromperam quatro meses seguidos de queda na produção, período em que acumulou redução de 24,5%.

Outros impactos positivos relevantes ocorreram nos  setores de máquinas e equipamentos (6,0%), de produtos farmoquímicos e farmacêuticos (6,5%), de veículos automotores, reboques e carrocerias (1,5%), de manutenção, reparação e instalação de máquinas e equipamentos (8,4%), de celulose, papel e produtos de papel (2,6%) e de perfumaria, sabões, produtos de limpeza e de higiene pessoal (6,2%). Vale citar que essas atividades apontaram resultado negativo no mês anterior: -6,9%, -3,6%, -1,0%, -5,2%, -6,8% e -3,0%, respectivamente.

Entre as grandes categorias econômicas, bens intermediários (-0,5%) e bens de capital (-0,3%) assinalaram as taxas negativas em julho de 2019, com ambas marcando o segundo mês consecutivo de queda e acumulando nesse período redução de 1,0% e 0,6%, respectivamente. Por outro lado, os setores produtores de bens de consumo semi e não-duráveis (1,4%) e de bens de consumo duráveis (0,5%) apontaram os resultados positivos nesse mês, ambos eliminando parte do recuo acumulado nos meses de maio e junho últimos: -2,4% e -2,6%.

Média móvel trimestral varia -0,4%

Ainda na série com ajuste sazonal, a média móvel trimestral mostrou variação de -0,4% no trimestre encerrado em julho de 2019 e manteve a trajetória predominantemente descendente iniciada em agosto de 2018. Entre as grandes categorias econômicas, bens de consumo duráveis (-0,7%) teve o recuo mais elevado e interrompeu o comportamento positivo presente desde fevereiro de 2019, quando acumulou expansão de 4,8%. Os setores produtores de bens de consumo semi e não-duráveis (-0,4%) e de bens de capital (-0,1%) também assinalaram quedas, com o primeiro voltando a recuar após ficar estável nos meses de maio e junho; e o segundo interrompendo quatro meses consecutivos de avanço, período em que acumulou crescimento de 6,9%. Por outro lado, o segmento de bens intermediários (0,1%) apontou o único crescimento nesse mês e interrompeu a trajetória descendente iniciada em janeiro de 2019.

Produção industrial recua 2,5% em relação a julho de 2018

Na comparação com julho de 2018, a indústria caiu 2,5%, com resultados negativos em uma das quatro grandes categorias econômicas, 15 dos 26 ramos, 48 dos 79 grupos e 54,3% dos 805 produtos pesquisados. Julho de 2019 (23 dias) teve um dia útil a mais do que julho de 2018 (22).

Entre as atividades, indústrias extrativas (-8,8%) exerceu a maior influência negativa, seguida pelos ramos de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-5,9%), de produtos alimentícios (-2,3%), de celulose, papel e produtos de papel (-9,3%), de bebidas (-8,0%), de outros produtos químicos (-4,2%), de outros equipamentos de transporte (-12,5%), de produtos de madeira (-10,3%), de produtos de borracha e de material plástico (-2,7%) e de manutenção, reparação e instalação de máquinas e equipamentos (-6,0%).  

Por outro lado, entre as onze atividades que apontaram ampliação na produção, as principais influências foram: veículos automotores, reboques e carrocerias (2,5%), produtos farmoquímicos e farmacêuticos (8,7%), equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (9,0%), produtos de metal (5,2%), couro, artigos para viagem e calçados (7,3%) e máquinas e equipamentos (2,0%).

Bens intermediários (-5,4%) assinalou a única queda entre as grandes categorias econômicas. Por outro lado, bens de capital (6,6%) apontou o maior crescimento nesse mês, enquanto bens de consumo semi e não-duráveis (1,7%) e de bens de consumo duráveis (1,0%) mostraram avanços mais moderados.

O setor de bens intermediários (-5,4%) apontou a segunda taxa negativa seguida, mas com queda menos acentuada do que a registrada no mês anterior (-6,3%). Esse resultado foi explicado, principalmente, pelas quedas em: produtos associados às atividades de indústrias extrativas (-8,8%), de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-9,8%), de produtos alimentícios (-6,2%), de celulose, papel e produtos de papel (-9,9%), de outros produtos químicos(-4,1%), de máquinas e equipamentos (-5,1%), de produtos de borracha e de material plástico (-1,9%), de produtos têxteis (-3,3%) e de metalurgia (-0,3%), enquanto as pressões positivas foram registradas por produtos de metal (4,8%), veículos automotores, reboques e carrocerias (2,1%) e produtos de minerais não-metálicos (0,6%). Vale citar também os resultados positivos assinalados pelos grupamentos de insumos típicos para construção civil (2,4%) e de embalagens (1,4%), ambos revertendo a queda no mês anterior (-3,8% e -3,3%, respectivamente).

O segmento de bens de capital mostrou expansão de 6,6% em julho de 2019, após recuar 4,3% em junho último, quando interrompeu dois meses seguidos de taxas positivas nessa comparação: abril (0,1%) e maio (21,2%). O resultado foi influenciado, em grande medida, pelo avanço observado no grupamento de bens de capital para equipamentos de transporte (6,9%). As demais taxas positivas foram registradas por bens de capital para fins industriais (5,9%), para energia elétrica (3,0%) e para construção (0,1%). Por outro lado, os impactos negativos foram assinalados pelos grupamentos de bens de capital agrícolas (-10,8%) e de uso misto (-3,8%).

O segmento de bens de consumo semi e não-duráveis cresceu 1,7%, após recuar 5,0% em junho último, em grande parte explicado pela expansão no grupamento de semiduráveis (4,2%). Vale citar os resultados positivos assinalados pelos grupamentos de não-duráveis (2,0%), de carburantes (1,9%) e de alimentos e bebidas elaborados para consumo doméstico (0,4%).

O segmento de bens de consumo duráveis avançou 1,0% frente a julho de 2018, após recuar 6,1% em junho último, quando interrompeu dois meses consecutivos de crescimento na produção: abril (0,9%) e maio (28,1%). Nesse mês, o setor foi particularmente impulsionado pelo grupamento de eletrodomésticos da “linha marrom” (26,4%), com destaque para a maior fabricação de televisores. Vale citar também as taxas positivas vindas dos grupamentos de eletrodomésticos da “linha branca” (9,9%) e de móveis (2,4%). Por outro lado, os principais impactos negativos foram verificados em automóveis (-4,7%), motocicletas (-4,4%) e outros eletrodomésticos (-0,2%).

Indústria recua 1,7% no acumulado do ano

O setor industrial teve quedas em uma das quatro grandes categorias econômicas, 14 dos 26 ramos, 43 dos 79 grupos e 53,3% dos 805 produtos pesquisados. Entre as atividades, indústrias extrativas (-12,1%) exerceu a maior influência negativa, pressionada, em grande medida, pelo minério de ferro. Vale destacar as quedas nos ramos de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-1,4%), de manutenção, reparação e instalação de máquinas e equipamentos (-9,8%), de outros equipamentos de transporte (-11,4%), de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-4,7%), de celulose, papel e produtos de papel (-2,5%), de produtos de borracha e de material plástico (-1,9%) e de produtos de madeira (-5,5%).

Por outro lado, a principal influência entre as doze atividades que apontaram ampliação na produção foi veículos automotores, reboques e carrocerias (3,5%). Outras contribuições positivas relevantes sobre o total nacional vieram de produtos de metal (5,7%), de bebidas (3,9%), de produtos de minerais não-metálicos (2,5%) e de máquinas e equipamentos (1,4%).

Entre as grandes categorias econômicas, o perfil dos resultados para os sete primeiros meses de 2019 mostrou menor dinamismo para bens intermediários (-3,0%). Por outro lado, bens de consumo duráveis (1,7%), bens de capital (1,5%) e bens de consumo semi e não-duráveis (0,4%) assinalaram as taxas positivas no índice acumulado no ano.