Em julho, IPP recua 1,24%

29/08/2019 09h00 | Atualizado em 29/08/2019 09h00

Em julho de 2019, o Índice de Preços ao Produtor (IPP) teve queda (-1,24%) em relação a junho. O acumulado no ano foi de 1,50% e o dos 12 meses, de 1,33%. Cinco das 24 atividades industriais investigadas tiveram alta de preços.

Período Taxa
Julho de 2019 -1,24%
Junho de 2019 -1,13%
Julho de 2018 1,13%
Acumulado no ano 1,50%
Acumulado 12 meses 1,33%

Em julho/2019, em relação ao mês anterior, cinco das 24 atividades apresentaram variações positivas de preços, contra oito do mês anterior.

As quatro maiores variações observadas em julho/2019 se deram nas seguintes atividades industriais: metalurgia (-3,74%), refino de petróleo e produtos de álcool (-2,67%), outros produtos químicos (-2,20%) e alimentos (-1,81%).

Já as influências mais intensas sobre o IPP de julho (-1,24%), na mesma comparação, foram alimentos (-0,40 p.p.), refino de petróleo e produtos de álcool (-0,27 p.p.), metalurgia (-0,23 p.p.) e outros produtos químicos (-0,18 p.p.).

Índices de Preços ao Produtor, segundo Indústrias Extrativas e de Transformação (Indústria Geral) e Seções - Últimos três meses
Indústria Geral e Seções Variações (%)
Variação no mês Acumulado Ano Acumulado em 12 meses
MAI/19 JUN/19 JUL/19 MAI/19 JUN/19 JUL/19 MAI/19 JUN/19 JUL/19
Indústria Geral 1,39 -1,13 -1,24 3,95 2,78 1,50 7,32 3,76 1,33
B - Indústrias Extrativas 6,50 -0,10 -1,27 22,75 22,63 21,07 36,10 28,62 24,04
C - Indústrias de Transformação 1,14 -1,18 -1,24 3,13 1,91 0,65 6,14 2,70 0,36
Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Indústria

Em julho/2019, o acumulado no ano (julho/2019 contra dezembro/2018) atingiu 1,50%, contra 2,78% em junho/2019. As atividades com as maiores variações percentuais foram: indústrias extrativas (21,07%), refino de petróleo e produtos de álcool (8,26%), farmacêutica (7,93%) e papel e celulose (-6,84%).

Já os setores de maior influência foram: indústrias extrativas (0,88 p.p.), refino de petróleo e produtos de álcool (0,77 p.p.), outros produtos químicos (-0,41 p.p.) e farmacêutica (0,24 p.p.).

Em relação ao mesmo mês de 2018, os preços subiram 1,33% em julho, depois da alta de 3,76% em junho/2019, nessa mesma comparação. As quatro maiores variações de preços ocorreram em indústrias extrativas (24,04%), farmacêutica (10,74%), fabricação de máquinas e equipamentos (8,18%) e papel e celulose (-7,14%).

Entre as Grandes Categorias Econômicas, a variação de -1,24% frente a junho repercutiu da seguinte maneira: 0,15% em bens de capital; -1,79% em bens intermediários; e -0,72% em bens de consumo, sendo 0,06% para bens de consumo duráveis e -0,89% em bens de consumo semiduráveis e não duráveis.

Índices de Preços ao Produtor, segundo Indústrias Extrativas e de Transformação (Indústria Geral) e Grandes Categorias Econômicas - Últimos três meses
Indústria Geral e Seções Variações (%)
Variação no mês Acumulado Ano Acumulado em 12 meses
MAI/19 JUN/19 JUL/19 MAI/19 JUN/19 JUL/19 MAI/19 JUN/19 JUL/19
Indústria Geral 1,39 -1,13 -1,24 3,95 2,78 1,50 7,32 3,76 1,33
Bens de Capital (BK) 0,77 -0,56 0,15 3,35 2,77 2,92 9,47 7,77 6,28
Bens Intermediários (BI) 1,80 -1,16 -1,79 3,78 2,58 0,74 7,46 3,26 -0,12
Bens de consumo(BC) 0,93 -1,19 -0,72 4,31 3,07 2,32 6,43 3,55 2,51
Bens de consumo duráveis (BCD) 0,15 0,04 0,06 2,76 2,80 2,87 6,78 6,44 6,02
Bens de consumo semiduráveis e não duráveis (BCND) 1,10 -1,45 -0,89 4,65 3,12 2,21 6,14 2,63 1,47
Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Indústria

As influências das Grandes Categorias Econômicas foram: 0,01 p.p. de bens de capital, -0,98 p.p. de bens intermediários e -0,28 p.p. de bens de consumo. No caso de bens de consumo, -0,28 p.p. se deveu às variações de preços observadas nos bens de consumo semiduráveis e não duráveis e 0,00 p.p. nos bens de consumo duráveis.

As variações acumuladas no ano entre as Grandes Categorias foram: 2,92% a variação de bens de capital (com influência de 0,22 p.p.), 0,74% de bens intermediários (0,40 p.p.) e 2,32% de bens de consumo (0,88 p.p.). No último caso, este resultado foi influenciado em 0,19 p.p. pelos produtos de bens de consumo duráveis e 0,69 p.p., pelos bens de consumo semiduráveis e não duráveis.

Em relação a julho de 2018, os preços da indústria subiram 1,33%, com as seguintes variações: bens de capital, 6,28%; bens intermediários, -0,12%; e bens de consumo, 2,51%.

A seguir são analisados com mais detalhes seis setores que, no mês de julho de 2019, encontravam-se entre os principais destaques.

Indústrias extrativas: em julho, houve queda dos preços (-1,27%), em relação ao mês anterior. A variação acumulada no ano ficou em 21,07%. Na comparação com julho de 2018, os preços variaram 24,04%.

Na influência, destacou-se o indicador acumulado no ano do setor sobre o indicador da indústria geral (0,88 p.p. em 1,50%).

Em relação aos produtos pesquisados no setor, destacaram-se as variações dos preços dos minérios de ferro e de “óleos brutos de petróleo”.

Alimentos: em julho de 2019, a variação média de preços do setor, na comparação contra o mês imediatamente anterior, foi de -1,81%. Esta foi a quarta menor taxa da série, sendo que -2,58% (fevereiro de 2013), -2,23% (janeiro de 2017) e -2,08% (julho de 2017) foram as taxas mais negativas.

Janeiro e fevereiro são meses de baixa no setor, devido à colheita da soja e ao abate de reses. Nos meses de julho de 2017 e de 2019, houve apreciação do Real, respectivamente, de 2,7% e de 2,1%.

No ano, o setor acumulou queda de -0,51%, voltando ao patamar negativo do qual saíra em março de 2019 (-0,96%). Já em relação ao mesmo mês de 2018, a taxa de -0,93% é a primeira negativa desde abril de 2018 (-0,67%).

O destaque dado ao setor se deveu ao fato de, além de ser o setor que mais contribui no cálculo do índice (23,17%), ter sido a quarta maior variação (em módulo) entre todas as atividades que compõem o total das indústrias extrativa e de transformação e a primeira influência na comparação julho 2019/junho 2019 (-0,40 p.p., em -1,24%).

Na comparação com junho, os quatro produtos de maior destaque em termos de influência responderam por -1,17 p.p. da variação de -1,81%. Dois deles (“açúcar cristal” e “resíduos da extração de soja”) apareceram como destaque também em termos de variação. Completam os produtos destacados em termos de influência, “carnes e miudezas de aves congeladas” e “açúcar VHP (very high polarization)”. Em linha com a apreciação do Real, os preços dos quatro produtos (de perfil exportador) caíram.

Refino de petróleo e produtos de álcool: em média, os preços do setor, na passagem de junho para julho, retraíram em 2,67%, segunda variação negativa, com o que a variação acumulada de maio a julho foi de -9,72%. Com a variação de julho, o acumulado no ano, que já foi de 19,91% em maio, chegou a 8,26%. Por fim, na comparação com julho de 2018, houve queda de -0,58%, o primeiro resultado negativo desde de julho de 2017, -0,78%.

Além de ter dado a segunda maior contribuição ao índice (10,45%), o setor destacou-se como a segunda maior variação em relação ao mês anterior e no acumulado do ano, além da segunda maior influência sobre a variação mensal (-0,27 p.p., em -1.24%) e o acumulado (0,77 p.p., em 1,50%).

As maiores influências no resultado de julho contra junho (-2,66 p.p. em -2,67%) vieram dos derivados de petróleo, cujos preços recuaram, em linha com o óleo bruto.

Outros produtos químicos: em relação a junho, os preços do setor caíram (-2,20%), o que não ocorria desde fevereiro deste ano (-1,89%). Apesar das variações positivas entre março e junho, o acumulado no ano permaneceu negativo (-4,68%). Já o acumulado em 12 meses ficou negativo (-5,77%) pela primeira vez desde julho de 2017 (-0,16%).

O setor deu a quarta maior contribuição (8,60%) ao índice do mês, pelas seguintes razões: foi a terceira maior variação de preços, em módulo; a quarta influência, na comparação com junho (-0,18 p.p., em -1,24%); e a terceira no acumulado (-0,41 p.p., em 1,50%, a única negativa entre os quatro setores destacados).

Farmacêutica: queda de -1,30% em relação a junho, revertendo a série de aumentos iniciada em fevereiro deste ano. Foi a queda mais intensa desde abril/2018 (-1,48%). Entre os setores da indústria geral, esse segmento teve a terceira maior variação de preços no acumulado do ano (7,93%) e a segunda maior no acumulado dos últimos 12 meses (10,74%).

Apesar da queda (-1,30%), alguns aumentos de 2019 foram os maiores da série histórica do setor farmacêutico. O acumulado do ano (7,93%) foi o maior para um mês de julho desde o início da série. Já o dos últimos 12 meses (10,74%) foi o segundo maior da série, ficando atrás apenas do índice de junho (11,26%). O setor está entre os de maior influência no acumulado do ano, sendo o quarto de maior importância em julho.

Os quatro produtos com maior influência no mês contribuíram com -1,17 p.p. na variação de -1,30%, e os demais oito produtos, com -0,13 p.p. Dois deles também estiveram dentre os de maior influência na comparação com junho, na categoria de Bens de Consumo Não Duráveis. São eles: “medicamentos à base de hormônios para uso humano, exceto contraceptivos” e “heterocíclicos exclusivos de nitrogênio ou inibidores da bomba de prótons (por ex. omeprazol)”.

Metalurgia: queda de -3,74% contra junho, a primeira desde fevereiro deste ano e a maior em toda a série histórica. Esse resultado se deve, principalmente, aos produtos cujos preços dependem do mercado internacional e do câmbio, num mês em que o Real teve apreciação de 2,1% frente ao Dólar. São eles: “ferro-gusa”, “lingotes, blocos, tarugos ou placas de aços ao carbono”, “chapas e tiras, de alumínio, de espessura superior a 0,2mm” e “óxido de alumínio (alumina calcinada)”, todos com influência negativa sobre o índice do mês. Em conjunto, esses quatro produtos representaram -3,35 p.p., e os demais 20 produtos, -0,39 p.p.

O setor acumulou queda de -2,21% no ano, valor distante do acumulado em julho de 2018 (13,49%). O acumulado em 12 meses também recuou (-2,19%), interrompendo uma sequência de 32 variações positivas iniciada em novembro de 2016.

Dos quatro produtos com maior influência no acumulado no ano, dois deles também impactaram negativamente o índice: “lingotes, blocos, tarugos ou placas de aços ao carbono” e “óxido de alumínio (alumina calcinada)”. Já os produtos “chapas e tiras, de alumínio, de espessura superior a 0,2mm” e “ouro para usos não monetários” tiveram impacto positivo no indicador acumulado no ano.