Índice de Preços ao Produtor cresce 1,27% em abril

29/05/2019 09h00 | Atualizado em 29/05/2019 11h13

Os preços da indústria geral variaram 1,27% em abril, resultado inferior ao observado em março (1,59%). Nessa mesma comparação, 22 das 24 atividades apresentaram variações positivas de preços, contra 19 do mês anterior. Em abril de 2018, o resultado havia sido 1,58%. O acumulado no ano chegou a 2,57% e nos 12 meses, a 8,61%. O material de apoio da divulgação do Índice de Preços ao Produtor está à direita dessa página.

Período TAXA
Abril 2019 1,27%
Março 2019 1,59%
Abril 2018 1,58%
Acumulado no ano 2,57%
Acumulado 12 meses 8,61%

As quatro maiores variações observadas em abril/2019 deram-se entre os produtos compreendidos nas seguintes atividades industriais: refino de petróleo e produtos de álcool (3,18%), indústrias extrativas (3,02%), metalurgia (2,29%) e móveis (2,12%).

Índices de Preços ao Produtor, segundo Indústrias Extrativas e de Transformação (Indústria Geral) e Seções - Últimos três meses
Indústria Geral e Seções Variações (%)
M/M-1 Acumulado Ano M/M-12
FEV/19 MAR/19 ABR/19 FEV/19 MAR/19 ABR/19 FEV/19 MAR/19 ABR/19
Indústria Geral 0,45 1,59 1,27 -0,30 1,28 2,57 8,38 8,94 8,61
B - Indústrias Extrativas 7,97 12,13 3,02 -0,23 11,87 15,25 22,02 31,09 28,83
C - Indústrias de Transformação 0,15 1,13 1,19 -0,31 0,82 2,02 7,82 8,02 7,75
Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Indústria

Em termos de influência, na comparação entre abril/2019 e março/2019 (1,27%), sobressaíram refino de petróleo e produtos de álcool (0,33 p.p.), alimentos (0,31 p.p.), indústrias extrativas (0,14 p.p.) e metalurgia (0,14 p.p.).

O indicador acumulado no ano (abril/2019 contra dezembro de 2018) atingiu 2,57%, contra 1,28% em março/2019. Entre as atividades que, em abril/2019, tiveram as maiores variações percentuais na perspectiva deste indicador sobressaíram-se: refino de petróleo e produtos de álcool (16,09%), indústrias extrativas (15,25%), outros produtos químicos (-4,52%) e confecção de artigos do vestuário e acessórios (4,06%). Neste indicador, os setores de maior influência foram: refino de petróleo e produtos de álcool (1,50 p.p.), indústrias extrativas (0,64 p.p.), outros produtos químicos (-0,39 p.p.) e veículos automotores (0,16 p.p.).

No indicador acumulado em 12 meses (abril/2019 contra abril/2018), a variação de preços atingiu 8,61%, contra 8,94% em março/2019. As quatro maiores variações de preços ocorreram em indústrias extrativas (28,83%), refino de petróleo e produtos de álcool (18,00%), outros equipamentos de transporte (13,13%) e fumo (9,92%).

Entre as grandes categorias econômicas, em abril, a variação de preços de 1,27% repercutiu da seguinte maneira: 0,79% em bens de capital; 1,06% em bens intermediários; e 1,67% em bens de consumo, sendo que 1,02% foi a variação observada em bens de consumo duráveis e 1,81% em bens de consumo semiduráveis e não duráveis.

Do resultado da indústria geral, 1,27%, a influência das Grandes Categorias Econômicas foi a seguinte: 0,06 p.p. de bens de capital, 0,58 p.p. de bens intermediários e 0,64 p.p. de bens de consumo. No caso de bens de consumo, 0,57 p.p. se deveu às variações de preços observadas nos bens de consumo semiduráveis e não duráveis e 0,07 p.p. nos bens de consumo duráveis.

Na perspectiva do acumulado no ano (mês atual contra dezembro do ano anterior), as variações de preços da indústria acumularam, até abril, variação de 2,57%, sendo 2,56% a variação de bens de capital (com influência de 0,19 p.p.), 2,05% de bens intermediários (1,12 p.p.) e 3,33% de bens de consumo (1,26 p.p.). No último caso, este resultado foi influenciado em 0,17 p.p. pelos produtos de bens de consumo duráveis e 1,09 p.p., pelos bens de consumo semiduráveis e não duráveis.

Na taxa anual (M/M-12), a variação de preços da indústria alcançou, em abril, 8,61%, com as seguintes variações: bens de capital, 10,25%; bens intermediários, 9,28%; e bens de consumo, 6,82%.

Índices de Preços ao Produtor, segundo Indústrias Extrativas e de Transformação (Indústria Geral) e Grandes Categorias Econômicas - Últimos três meses
Indústria Geral e Seções Variações (%)
M/M-1 Acumulado Ano M/M-12
FEV/19 MAR/19 ABR/19 FEV/19 MAR/19 ABR/19 FEV/19 MAR/19 ABR/19
Indústria Geral 0,45 1,59 1,27 -0,30 1,28 2,57 8,38 8,94 8,61
Bens de Capital (BK) 0,29 0,93 0,79 0,81 1,75 2,56 11,21 11,44 10,25
Bens Intermediários (BI) 0,68 1,59 1,06 -0,60 0,98 2,05 10,59 10,62 9,28
Bens de consumo(BC) 0,16 1,72 1,67 -0,09 1,63 3,33 3,94 5,36 6,82
Bens de consumo duráveis (BCD) 0,18 -0,03 1,02 1,60 1,57 2,61 6,37 6,17 7,12
Bens de consumo semiduráveis e não duráveis (BCND) 0,15 2,10 1,81 -0,46 1,64 3,48 3,35 5,10 6,65
Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Indústria

Tiveram destaque nos resultados, os seguintes setores:

Indústrias extrativas: em abril, os preços das indústrias extrativas variaram 3,02%. O indicador acumulado do ano ficou em 15,25%. Para o indicador de 12 meses houve variação de 28,83% em relação ao mesmo mês do ano anterior. A influência dos preços da atividade sobre a variação mensal da indústria geral foi de 0,14 p.p. em 1,27%. Em relação ao acumulado do ano, a influência sobre o indicador da indústria geral foi de 0,64 p.p. em 2,57%. Os produtos que mais influenciaram a variação do mês foram "óleos brutos de petróleo" e " minérios de ferro e seus concentrados, em bruto ou beneficiados, exceto pelotizados ou sinterizados".

Alimentos: a variação média dos preços do setor, na comparação abril contra março, foi de 1,40%, a maior do ano. Com isso, pela primeira vez, em 2019, o acumulado apresentou um resultado positivo, 0,43%. Por fim, na comparação com igual mês de 2018, o resultado de 6,47% foi maior que o de março (6,25%), porém menor do que os de janeiro (8,34%) e fevereiro (6,87%). O destaque dado ao setor deveu-se ao fato de ter sido a segunda maior influência no resultado abril contra março, 0,31 p.p. em 1,27%, atrás apenas do Refino de petróleo e produtos de álcool (0,33 p.p).

Os destaques, em termos de produtos, são predominantemente de produtos do grupo Abate e fabricação de produtos de carne. Dos quatro produtos destacados em termos de variação e dos quatro em termos de influência, apenas um, “carnes de bovinos congeladas”, aparece nos dois casos. Além disso, apenas um produto, “açúcar VHP (very high polarization)”, que é destaque em termos de influência, não é carne. No caso de carne, as variações observadas estão em linha com a maior demanda externa, em particular da China. A depreciação do Real, de 1,3%, também impacta positivamente os produtos da pauta de exportação, como é o caso da maioria dos destacados.

Refino de petróleo e produtos de álcool: na comparação abril contra março, os preços do setor variaram 3,18%, resultado que segue aos 6,77% (março contra fevereiro). No acumulado, a variação é de 16,09% e é de 18,00% a comparação de preços observados em abril de 2019 contra abril de 2018. Vale observar que, na série que teve início em janeiro de 2010, nunca houve um acumulado em abril com resultado da magnitude do atual; o segundo maior foi o de abril de 2011, 6,13%.

Todos os produtos destacados pertencem ao refino, sendo que “óleo diesel”, o produto de maior peso no cálculo do setor, aparece como um dos mais influentes, mas não como uma das maiores variações (“óleos combustíveis, exceto diesel” aparece na variação, mas não na influência). Os quatro produtos mais influentes, que podem ser vistos no quadro a seguir, responderam por 2,98 p.p., em 3,18%.

Vale registrar que o destaque dado à atividade se deveu ao fato de que ela aparece em primeiro lugar, em termos de variação e de influência, nos indicadores M/M-1 (na influência, 0,33 p.p., em 1,27%) e acumulado (na influência, 1,50 p.p., em 2,57%). E, em termos de variação, é o segundo no M/M-12 (a influência desse indicador só poderá ser calculada a partir de dezembro de 2019).

Outros produtos químicos: a indústria química, no mês de abril, apresentou uma variação média de preços, em relação a março, de 0,49%, segunda variação positiva seguida, após uma sucessão de quatro meses de queda de preços (entre novembro de 2018 e fevereiro de 2019). Mesmo com esta recuperação de preços, o setor acumulou uma variação de -4,52% no ano e uma variação positiva nos últimos 12 meses de 6,28%, valor este inferior ao resultado médio da indústria de transformação, que foi de 7,75%.

Os resultados observados no mês estão muito ligados aos preços internacionais, que sofreram influência da valorização do dólar frente ao real, de 1,3% no mês e 4,6% nos últimos dois meses, além dos preços dos derivados de petróleo, especialmente da nafta.

Em relação aos quatro produtos de maior variação de preços, todos apresentaram resultados positivos, mas nenhum deles faz parte dos quatro que mais influenciaram o resultado agregado, pois são produtos que não se destacam como de grande peso na atividade. Os produtos são: “inseticidas para usos doméstico e/ou industrial”, “lisina e seus ésteres; ácido glutâmico; sais destes”, “resina poliéster insaturada” e “xilenos (O-xileno, m-xileno ou p-xileno)”.

Em termos de produtos que mais influenciaram o resultado, entre os quatro mais influentes, dois tiveram variações negativas (“adubos ou fertilizantes à base de NPK” e “fungicidas para uso na agricultura”) e dois, variações positivas (“herbicidas para uso na agricultura” e “propeno (propileno) não saturado”). Esses quatro produtos foram responsáveis por -0,22 p.p., ou seja, uma direção diferente dos demais 35 produtos que compõem a atividade, que tiveram em conjunto um resultado de 0,71 p.p. da variação final de 0,49% do setor.

Já em relação aos produtos que mais influenciaram o acumulado no ano, todos os produtos tiveram resultados negativos: “adubos ou fertilizantes à base de NPK”, “Adubos ou fertilizantes minerais ou químicos”, “benzeno” e “polipropileno (PP)”.

Metalurgia: ao comparar os preços médios de abril contra março, houve uma variação positiva de 2,29%, maior variação positiva desde setembro de 2018 e a segunda variação positiva nos últimos sete meses. O resultado do mês foi obtido graças principalmente aos produtos derivados do aço — três produtos entre os quatro com maiores influências positivas fazem parte do grupo siderurgia —, são eles: “bobinas ou chapas de aços galvanizadas, zincadas”, “bobinas ou chapas de aços inoxidáveis, inclusive tiras” e “lingotes, blocos, tarugos ou placas de aços ao carbono”. O único produto não ligado ao aço, que aparece entre os quatro destaques em influência, é “óxido de alumínio (alumina calcinada)”. Em conjunto, esses quatro produtos representaram 1,88 p.p., e os demais 20 produtos, 0,41 p.p.

Considerando os resultados acumulados no ano, os preços variaram, ao longo de 2019, 0,56%, valor inferior ao acumulado de abril de 2018 (6,23%). No acumulado em 12 meses a variação de preços foi de 7,46% (30ª variação positiva consecutiva neste tipo de indicador).

Dos quatro produtos que são destaques em termos de influência no resultado do acumulado no ano, apenas dois também estão entre os de maior influência no mês contra mês anterior, são eles: “bobinas ou chapas de aços galvanizadas, zincadas” e “óxido de alumínio (alumina calcinada)”. Os demais são os “fio-máquina de aços ao carbono” e o “ferro-gusa”, este último com influência negativa.

O comportamento do setor é influenciado pela combinação dos resultados dos grupos siderúrgicos (ligado aos produtos de aço) e do grupo de materiais não ferrosos (cobre, alumínio e ouro), que têm comportamentos de preços diferentes. O primeiro grupo, ligado ao setor siderúrgico, é afetado pela necessidade de escoamento do aço chinês após restrições a comercialização em outros mercados, pela flutuação dos valores do minério de ferro e pela valorização do dólar frente ao real (14,4% em 12 meses). Em relação ao segundo grupo – materiais não ferrosos – os preços costumam apresentar seus resultados ligados às cotações das bolsas internacionais, mais especificamente a “London Metal Exchange”.

Veículos automotores: em abril, a variação observada no setor foi de 0,41%, quando comparada com o mês imediatamente anterior, seguindo a tendência de alta observada também nos quatro meses anteriores. Com este resultado, a variação acumulada no ano e a variação acumulada nos últimos 12 meses alcançaram, respectivamente, 1,95% e 6,17%.

Vale ressaltar que nos últimos 33 meses, entre agosto de 2016 e abril de 2019, o setor apresentou resultado positivo 31 vezes. Apenas em agosto de 2017 (-0,08%) e novembro de 2018 (-0,05%) houve queda de preços. Neste período, a variação acumulada foi de 16,59%.

A atividade de veículos automotores se destacou, dentre todos os setores pesquisados, por apresentar a quarta influência acumulada no ano (0,16 p.p. em 2,57%) e por ser um dos setores de maior peso no cálculo do indicador geral, com uma contribuição de 8,46%.

Entre os quatro produtos de maior influência no M/M-1, dois deles impactaram positivamente o índice: “automóveis para passageiros, a gasolina ou bicombustível, de qualquer cilindrada”, que possui o maior peso da atividade, e “caminhão-trator, para reboques e semirreboques”. Já ”cabos e chicotes elétricos para veículos automotores” e “sistemas de marcha e transmissão para veículos automotores” tiveram impacto negativo. A influência desses quatro produtos que mais impactaram a variação do mês em relação ao mês imediatamente anterior foi de 0,29 p.p., ou seja, os demais 19 produtos da atividade contribuíram com 0,12 p.p.

Já sobre o indicador acumulado no ano, todos os quatro produtos de maior influência no índice o impactaram positivamente: “automóveis para passageiros, a gasolina ou bicombustível, de qualquer cilindrada”, “caminhão-trator, para reboques e semirreboques”, “componentes elétricos de ignição” e “veículos para o transporte de mercadorias a gasolina e/ou álcool, de capacidade não superior a 5 t”.