IPCA-15 foi de 0,35% em maio

24/05/2019 09h00 | Atualizado em 24/05/2019 09h00

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) foi de 0,35% em maio, resultado bem inferior ao de abril (0,72%) e a maior variação para um mês de maio desde 2016 (0,86%). No ano, o IPCA-15 acumula alta de 2,27%.

O acumulado em 12 meses foi de 4,93%, acima dos 4,71% registrados nos 12 meses imediatamente anteriores. Em maio de 2018, a taxa foi de 0,14%.

Período Taxa
Maio de 2019 0,35%
Abril de 2019 0,72%
Maio de 2018 0,14%
Acumulado no ano 2,27%
Acumulado nos 12 meses 4,93%

Os grupos Artigos de residência (-0,36%) e Comunicação (-0,04%) tiveram deflação de abril para maio. Já Alimentação e bebidas (0,00%) e Educação (0,00%) mostraram estabilidade. Os demais grupos oscilaram entre 0,16% (Despesas pessoais) e 1,01% (Saúde e cuidados pessoais). Este último grupo, juntamente com os Transportes (0,65%), teve o maior impacto sobre o índice do mês: 0,12 ponto percentual (p.p.).

Grupo Variação (%) Impacto (p.p.)
Abril Maio Abril Maio
Índice Geral 0,72 0,35 0,72 0,35
Alimentação e Bebidas 0,92 0,00 0,23 0,00
Habitação 0,36 0,55 0,05 0,08
Artigos de Residência 0,41 -0,36 0,02 -0,01
Vestuário 0,57 0,38 0,03 0,02
Transportes 1,31 0,65 0,24 0,12
Saúde e Cuidados Pessoais 1,13 1,01 0,14 0,12
Despesas Pessoais 0,12 0,16 0,01 0,02
Educação 0,06 0,00 0,00 0,00
Comunicação -0,05 -0,04 0,00 0,00
Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Índices de Preços, Sistema Nacional de Índices de Preços ao Consumidor.

O grupo Saúde e cuidados pessoais (1,01%) mostrou uma leve desaceleração em relação a abril (1,13%). A alta foi influenciada principalmente pelos remédios (2,03%), refletindo parte do reajuste anual, em vigor desde 31 de março, com teto de 4,33%. Destacam-se também o plano de saúde (0,80%) e os artigos de higiene pessoal que, após ficarem 2,61% mais caros em abril, subiram 0,62% em maio.

O grupo dos Transportes subiu 0,65% em maio, mas desacelerou em relação a abril (1,31%). Essa desaceleração foi puxada pela queda de 21,78% nas passagens aéreas que representaram o impacto negativo (-0,09 p.p.) mais intenso no índice do mês.

As altas nos Transportes vieram da pressão exercida pelos combustíveis (3,30%), particularmente a gasolina (3,29%), maior impacto individual (0,14 p.p,) no índice, com variações entre 1,09% na região metropolitana de Salvador e 9,85% em Goiânia. O etanol (4,00%) também pressionou (0,04 p.p.) o índice, principalmente em Goiânia (16,45%).

Ainda em Transportes (0,65%), destaca-se a variação dos ônibus urbanos (0,54%), em função dos reajustes de 8,11% (desde 2 de abril) em Salvador (4,74%), e de 7,50% (desde 19 de abril) em Goiânia (6,25%). O ônibus intermunicipal (0,33%) contemplou reajustes entre 3,30% e 7,50% em Salvador (2,05%) em vigor desde 6 de maio e o metrô (1,02%) o reajuste de 6,98% na tarifa no Rio de Janeiro (4,07%) a partir de 2 de abril.

Em Habitação (0,55%), o item energia elétrica subiu 0,72% em maio, acima do registrado em abril (0,58%) considerando a bandeira tarifária amarela, em vigor desde 1º de maio, com a cobrança adicional de R$ 0,01 por kwh consumido. As regiões pesquisadas apresentaram variações que vão desde a queda de 2,10% em Goiânia até a alta de 6,34% na região metropolitana de Fortaleza, considerando o reajuste de 7,39% em vigor desde 22 de abril.

Outras áreas com reajuste foram: Recife (4,03%), 5,56% desde 29 de abril; Salvador (4,63%), 6,21% a partir de 22 de abril e Rio de Janeiro (-0,30%) onde foram concedidos reajustes médios de 11,53% e 9,72% nas concessionárias, vigentes desde 15 de março. No dia 1º de abril, esses reajustes foram reduzidos para 8,80% e 7,30%, respectivamente.

Ainda em Habitação, o resultado do gás encanado (-0,37%) reflete a redução média de 1,40% nas tarifas no Rio de Janeiro (-0,71%) desde 1º de maio. A variação de 0,43% na taxa de água e esgoto se deve aos reajustes de 4,72% em São Paulo (0,73%), em vigor desde 11 de maio; de 2,99% em Brasília (1,69%), desde 1° de abril e de 15,86% em Fortaleza (4,07%), a partir de 24 de março.

Cabe destacar que a Petrobras reajustou em 3,43%, nas refinarias, o preço do gás de botijão (0,89%) a partir de 5 de maio.

Responsável por cerca de 25% das despesas das famílias, o grupo Alimentação e Bebidas (0,00%) ficou estável em maio, após a alta de 0,92% em abril. A alimentação fora subiu 0,48% e a alimentação no domicílio recuou 0,26%, após apresentar alta de 1,43% em abril. Os destaques ficam com o feijão-carioca (-11,55%), as frutas (-3,08%) e as carnes (-0,52%). No lado das altas sobressaem o tomate (13,08%) e a batata-inglesa (4,12%).

Regionalmente, os preços em 8 das 11 áreas pesquisadas desaceleraram de abril para maio. O menor índice foi da região metropolitana do Rio de Janeiro (-0,06%) – única com deflação - em função das quedas nas passagens aéreas (-25,43%), na refeição fora (-1,57%) e nas frutas (-6,38%). Já o maior resultado foi em Goiânia (1,10%), onde, além da alta nos preços da gasolina (9,85%) e do etanol (16,45%), houve também reajuste de 7,50% na tarifa de ônibus urbano (6,25%), vigente desde 19 de abril.

Região Peso Regional (%) Variação Mensal (%) Variação acumulada (%)
Abril Maio Ano 12 meses
Goiânia 4,44 -0,01 1,10 1,88 5,09
Belém 4,65 0,48 0,56 2,84 4,63
Fortaleza 3,49 0,99 0,51 3,05 4,96
Recife 5,05 0,90 0,49 2,65 4,50
Belo Horizonte 11,23 0,24 0,46 2,24 5,00
São Paulo 31,68 0,72 0,35 2,26 5,31
Porto Alegre 8,40 1,27 0,33 2,53 5,48
Curitiba 7,79 0,80 0,32 1,54 4,28
Salvador 7,35 1,06 0,31 2,59 4,51
Brasília 3,46 0,85 0,11 1,48 4,16
Rio de Janeiro 12,46 0,75 -0,06 2,29 4,79
Brasil 100,00 0,72 0,35 2,27 4,93
Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Índices de Preços, Sistema Nacional de Índices de Preços ao Consumidor.

Para o cálculo do IPCA-15, os preços foram coletados entre 13 de abril e 15 de maio de 2019 (referência) e comparados aos vigentes entre 16 de março e 12 de abril de 2019 (base). O indicador refere-se às famílias com rendimento de 1 a 40 salários mínimos e abrange as regiões metropolitanas do Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife, São Paulo, Belém, Fortaleza, Salvador e Curitiba, além de Brasília e Goiânia. A metodologia é a mesma do IPCA, a diferença está no período de coleta e na abrangência geográfica.