Em fevereiro, vendas no varejo ficam estáveis (0,0%)

09/04/2019 09h00 | Atualizado em 08/05/2019 09h45

Em fevereiro de 2019, o volume de vendas do comércio varejista nacional ficou estável (0,0%) frente a janeiro, na série com ajuste sazonal, após avanço de 0,4% em janeiro. A média móvel trimestral, após subir 0,5% em janeiro, recuou 0,6% em fevereiro.

Período Varejo Varejo Ampliado
Volume de vendas Receita nominal Volume de vendas Receita nominal
Fevereiro / Janeiro* 0,0 0,3 -0,8 -0,5
Média móvel trimestral* -0,6 -0,7 -0,5 -0,4
Fevereiro 2019 / Fevereiro 2018 3,9 7,5 7,7 10,4
Acumulado 2019 2,8 6,0 5,4 8,0
Acumulado 12 meses 2,3 5,4 4,9 7,3
*Série COM ajuste sazonal

Na série sem ajuste sazonal, no confronto com fevereiro de 2018, o comércio varejista cresceu 3,9%, sétima taxa positiva seguida. O acumulado no ano, contra igual período de 2018, subiu 2,8%. Já o acumulado nos últimos doze meses, registrou alta de 2,3% em fevereiro 2019, permanecendo praticamente estável pelo terceiro mês.

No comércio varejista ampliado, que inclui as atividades de Veículos, motos, partes e peças e de Material de construção, o volume de vendas recuou 0,8% frente a janeiro de 2019, eliminando grande parte do aumento de 1,0% registrado no mês anterior. Já a média móvel trimestral de fevereiro (-0,5%) recuou, depois de subir 0,2% em janeiro.

Em relação a fevereiro de 2018, o comércio varejista ampliado avançou 7,7%, vigésima segunda taxa positiva consecutiva, enquanto acumulou crescimento de 5,4% no primeiro bimestre de 2019. Já o acumulado nos últimos doze meses passou de 4,7% em janeiro para 4,9% em fevereiro, apontando ligeiro aumento no ritmo de vendas. A publicação completa está à direita nesta página.

Entre as oito atividades pesquisadas, quatro sobem e quatro caem em fevereiro

A estabilidade (0,0%) no volume de vendas do comércio varejista entre janeiro e fevereiro de 2019, na série com ajuste sazonal, foi resultado do equilíbrio entre pressões positivas e negativas, com quatro atividades em cada lado.  Entre os setores em alta, o destaque foi para Tecidos, vestuário e calçados (4,4%), seguido por Outros artigos de uso pessoal e doméstico (1,0%), Livros, jornais, revistas e papelaria (0,2%) e Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (0,1%).

Já as pressões negativas vieram de Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-0,7%) e Combustíveis e lubrificantes (-0,9%), Móveis e eletrodomésticos (-0,3%) e Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-3,0%).

No comércio varejista ampliado, em fevereiro, o volume de vendas recuou 0,8%, frente a janeiro de 2019, na série com ajuste sazonal. Nessa mesma comparação, houve quedas nos setores de Veículos, motos, partes e peças (-0,9%) e Material de construção (-0,3%), após as altas de, respectivamente, 5,8% e 0,2% no mês anterior.

Em fevereiro de 2019, frente a igual mês de 2018, na série sem ajuste sazonal, o comércio varejista cresceu 3,9%, com taxas positivas em sete das oito atividades pesquisadas. Vale citar a influência positiva vinda do deslocamento do Carnaval, pois fevereiro de 2019 (20 dias) teve dois dias úteis a mais do que fevereiro de 2018 (18 dias).

Entre as atividades com crescimento, destacaram-se, por ordem de contribuição a taxa global, Outros artigos de uso pessoal e doméstico (10,7%), seguido por Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (10,1%), Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (1,5%), Tecidos, vestuário e calçados (10,7%), Combustíveis e lubrificantes (3,0%), Móveis e eletrodomésticos (2,7%) e Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (2,9%).

Já a pressão negativa veio do setor de vendas de Livros, jornais, revistas e papelaria, com queda de 24,3%, seu décimo nono recuo consecutivo.

Com avanço de 7,7% contra fevereiro de 2018, o comércio varejista ampliado registrou a vigésima segunda taxa positiva. Esse resultado se deve, principalmente, a Veículos, motos, partes e peças (19,4%), que voltou a mostrar avanço de dois dígitos, seguido por Material de construção (9,3%) e Outros artigos de uso pessoal e doméstico (10,7%).

BRASIL - INDICADORES DO VOLUME DE VENDAS DO COMÉRCIO VAREJISTA E COMÉRCIO VAREJISTA AMPLIADO, SEGUNDO GRUPOS DE ATIVIDADES:
 Fevereiro 2019
ATIVIDADES MÊS/MÊS ANTERIOR (1) MÊS/IGUAL MÊS DO ANO ANTERIOR ACUMULADO
Taxa de Variação (%) Taxa de Variação (%) Taxa de Variação (%)
DEZ JAN FEV DEZ JAN FEV NO ANO 12 MESES
COMÉRCIO VAREJISTA (2) -2,1 0,4 0,0 0,6 1,9 3,9 2,8 2,3
1 - Combustíveis e lubrificantes 1,5 0,5 -0,9 0,1 1,4 3,0 2,2 -3,8
2 - Hiper, supermercados, prods.  alimentícios, bebidas e fumo -0,4 0,7 -0,7 1,5 2,3 1,5 1,9 3,6
       2.1 - Super e hipermercados 0,0 0,7 -0,6 1,9 2,8 1,9 2,3 4,0
3 - Tecidos, vest. e calçados -3,6 0,1 4,4 -1,5 -1,4 10,7 4,1 -0,8
4 - Móveis e eletrodomésticos -4,9 0,3 -0,3 -5,3 -2,8 2,7 -0,3 -2,0
       4.1 - Móveis - - - -6,1 -0,9 6,3 2,4 -3,1
       4.2 - Eletrodomésticos - - - -4,7 -3,3 1,3 -1,2 -1,2
5 - Artigos farmaceuticos, med., ortop. e de perfumaria 0,4 -0,6 0,1 7,2 7,3 10,1 8,6 6,4
6 - Livros, jornais, rev. e papelaria 1,9 -1,0 0,2 -24,8 -28,7 -24,3 -26,8 -19,6
7 - Equip. e mat. para escritório, informatica e comunicação -6,6 8,3 -3,0 -3,3 1,6 2,9 2,2 -0,4
8 - Outros arts. de uso pessoal e doméstico -14,1 7,2 1,0 2,1 6,1 10,7 8,2 7,5
COMÉRCIO VAREJISTA AMPLIADO (3) -1,8 1,0 -0,8 1,7 3,4 7,7 5,4 4,9
9 - Veículos e motos, partes e peças -3,6 5,8 -0,9 7,2 8,8 19,4 13,7 14,3
10- Material de construção -0,4 0,2 -0,3 -0,6 2,2 9,3 5,5 3,4
Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Serviços e Comércio.
(1) Séries com ajuste sazonal.
(2) O indicador do comércio varejista é composto pelos resultados das atividades numeradas de 1 a 8.  
(3) O indicador do comércio varejista ampliado é composto pelos resultados das atividades numeradas de 1 a 10
 

O volume de vendas de Outros artigos de uso pessoal e doméstico, que engloba lojas de departamentos, óticas, joalherias, artigos esportivos, brinquedos, etc., subiu 10,7% em relação a fevereiro de 2018 e acelerou em relação a janeiro (6,1%), influenciado,  parcialmente, pelo efeito calendário e exerceu, assim, a maior contribuição ao resultado do varejo. Com isso, o setor acumulou ganho de 8,2% no ano. Já o acumulado nos últimos doze meses, que perdeu fôlego desde abril de 2018, subiu 7,5%, com ligeira alta em relação ao resultado de janeiro (7,3%).

Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria, com alta de 10,1% nas vendas frente a fevereiro de 2018, exerceu a segunda maior contribuição na taxa global do varejo, registrando a vigésima segunda variação positiva consecutiva, na comparação com igual mês do ano anterior. Ainda que pese o caráter de uso básico e contínuo do setor, a redução de preços do grupamento produtos farmacêuticos, é fator relevante que contribui para o desempenho do setor.  No ano, esse segmento acumulou a maior taxa (8,6%) entre as atividades do comércio. Já o acumulado nos últimos doze meses passou de 6,0% até janeiro para 6,4% até fevereiro, permanecendo em trajetória ascendente.

O setor de Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, com alta de 1,5% frente a fevereiro de 2018, registrou a vigésima terceira taxa positiva consecutiva. O segmento exerceu o terceiro maior impacto positivo na formação da taxa global do varejo. O desempenho da atividade vem sendo sustentado pela estabilidade da massa de rendimento real habitualmente recebida. No primeiro bimestre de 2019, esse segmento acumulou aumento de 1,9% frente a igual bimestre de 2018, porém a análise pelo acumulado nos últimos doze meses, ao registrar aumento de 3,6%, permaneceu mostrando redução na intensidade de crescimento, o que ocorre desde agosto de 2018 (4,8%).

BRASIL INDICADORES DO VOLUME DE VENDAS NO COMÉRCIO VAREJISTA E COMÉRCIO VAREJISTA AMPLIADO COMPOSIÇÃO DA TAXA MENSAL DO COMÉRCIO VAREJISTA, POR ATIVIDADES 
Fevereiro 2019 
Atividades COMÉRCIO VAREJISTA  COMÉRCIO VAREJISTA AMPLIADO 
Taxa de variação (%) Composição absoluta da taxa (p.p.) Taxa de variação (%) Composição absoluta da taxa (p.p.)  
Taxa Global 3,9 3,9 7,7 7,7 
1 - Combustíveis e lubrificantes 3,0 0,3 3,0 0,2 
2 - Hiper, supermercados, prods.  alimentícios, bebidas e fumo 1,5 0,8 1,5 0,5 
3 - Tecidos, vest. e calçados 10,7 0,7 10,7 0,5 
4 - Móveis e eletrodomésticos 2,7 0,3 2,7 0,2 
5 - Artigos farmaceuticos, med., ortop. e de perfumaria 10,1 0,9 10,1 0,6 
6 - Livros, jornais, rev. e papelaria -24,3 -0,2 -24,3 -0,2 
7 - Equip. e mat. para escritório informatica e comunicação 2,9 0,0 2,9 0,0 
8 - Outros arts. de uso pessoal e doméstico 10,7 1,1 10,7 0,8 
9 - Veículos e motos, partes e peças     19,4 4,1 
10- Material de construção     9,3 0,8 
Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Serviços e Comércio. 
Nota: A composição da taxa mensal corresponde à participação dos resultados setoriais na formação da taxa global.

O setor de Tecidos, vestuário e calçados, com aumento de 10,7% em relação a fevereiro de 2018, interrompe dois meses seguidos de taxas negativas e registra a taxa mais elevada desde setembro de 2017 (12,5%), devido, em parte, ao efeito calendário. Vale citar também, a contribuição vinda da redução de preços do grupamento de vestuário. O acumulado no ano ficou em 4,1%, interrompendo sequência de doze meses de taxas negativas. Com isso, o acumulado nos últimos doze meses passou de -1,7% em janeiro para -0,8% em fevereiro, reduzindo o ritmo de queda, mas permanecendo no campo negativo.

Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação mostrou alta de 2,9% em relação a fevereiro de 2018 e de 2,2% no acumulado no ano. Porém, o acumulado nos últimos doze meses (-0,4%) intensifica ritmo de queda em relação a janeiro (-0,2%).

Combustíveis e lubrificantes obteve aumento de 3,0% no volume de vendas em relação a fevereiro de 2018, terceira taxa positiva seguida. A redução dos preços de combustíveis abaixo da inflação vem influenciando positivamente o setor. Com isso, o acumulado no ano ficou em 2,2%. Ainda assim, o acumulado nos últimos doze meses permaneceu negativo (-3,8%), embora mostre recuperação desde novembro de 2018 (-5,5%).

As vendas de Móveis e eletrodomésticos subiram 2,7% em relação a fevereiro de 2018, após as quedas (-5,3% dezembro e -2,8% janeiro) dos meses anteriores. No ano, o segmento acumula ligeira perda (-0,3%) em relação a igual período de 2018. O acumulado nos últimos doze meses, ao passar de -1,9% até janeiro para -2,0% em fevereiro, ficou praticamente estável e mantém a perda de ritmo observada desde abril (9,6%).

A atividade de Livros, jornais, revistas e papelaria recuou 24,3% frente a fevereiro de 2018.  Esse comportamento se deve, principalmente, à redução no número de lojas físicas. O acumulado no ano recuou 26,8%. Já o acumulado nos últimos doze meses foi de -17,7% até janeiro para -19,6% até fevereiro e permanece negativo desde março de 2014 (-0,2%), acentuando a trajetória descendente iniciada em abril de 2018 (-5,2%).

O setor de Veículos, motos, partes e peças cresceu 19,4% em relação a fevereiro de 2018, vigésima segunda taxa positiva seguida. Com isso, o setor acumulou alta de 13,7% no ano. O acumulado nos últimos doze meses (14,3%) mostrou estabilidade em relação a janeiro, mantendo, assim, trajetória de recuperação iniciada em julho de 2016 (-17,8%).

Com aumento de 9,3% em relação a fevereiro de 2018, o segmento de Material de Construção voltou a registrar crescimento pelo segundo mês, após resultado negativo em dezembro (-0,6%). No acumulado do ano a taxa foi de 5,5 %.  Com isso, o indicador acumulado nos últimos doze meses, ao passar de 3,1% em janeiro para 3,4% em fevereiro, mostrou ganho de ritmo e interrompe trajetória descendente iniciada em maio de 2018. 

Vendas do comércio caem em 15 das 27 Unidades da Federação

De janeiro para fevereiro de 2019, na série com ajuste sazonal, as vendas do comércio varejista mostraram estabilidade (0,0%) com predomínio de resultados negativos em 15 das 27 Unidades da Federação. Os destaques foram Paraná (-1,5%), Distrito Federal (-1,1%) e Piaui (-1,1%). As pressões negativas vieram de 12 das 27 Unidades da Federação, com destaque para: Tocantins (8,9%), Espírito Santo (5,0%) e Sergipe (2,6%).

Na mesma comparação, o comércio varejista ampliado recuou 0,8%. Houve quedas em 14 das 27 Unidades da Federação, com destaque para: Acre (-2,2%), Distrito Federal (-1,7%) e Minas Gerais (-1,3%). Já as pressões positivas vieram de 13 das 27 Unidades da Federação, com destaque para: Tocantins (4,8%), Amapá (4,2%) e Bahia (1,2%).

Frente a fevereiro de 2018, a variação do volume de vendas do comércio varejista foi de 3,9%, com predomínio de resultados positivos, que atingiram 22 das 27 Unidades da Federação, com destaque para: Espírito Santo (12,6%), Acre (9,0%) e Pará (8,2%). Já as pressões negativas vieram de cinco Unidades da Federação, com destaque para Piauí (-6,8%), Roraima (-3,0%) e Paraná (-1,8%). Quanto à participação na composição da taxa do varejo, destacam-se São Paulo (4,9%), Rio de Janeiro (4,2%) e Santa Catarina (6,8%).

Em relação a fevereiro de 2018, o aumento de 7,7% nas vendas comércio varejista ampliado foi acompanhado por 26 das 27 Unidades da Federação, com destaque para Mato Grosso (12,1%), Goiás (11,3%) e Pará (10,8%). A única queda foi em Roraima (-0,8%). As principais influências na taxa do varejo ampliado vieram de São Paulo (8,6%), Rio Grande do Sul (9,6%) e Santa Catarina (9,9%).