08/11/2018 | Última Atualização: 09/11/2018 10:02:11

IBGE prevê safra de grãos 0,2% menor em 2019

No primeiro prognóstico para a safra 2019, a produção de cereais, leguminosas e oleaginosas foi estimada em 226,7 milhões de toneladas, 0,2% abaixo da safra de 2018. Esta redução deve-se às quedas previstas para as regiões Norte (-0,3%), Nordeste (-8,8%), Sudeste (-1,9%) Centro-Oeste (-1,4%). No Sul, até o momento espera-se crescimento de 4,1%.

Estimativa de OUTUBRO para 2018 227,2 milhões de toneladas
Variação outubro 2018 / setembro 2018 0,4%
Variação safra 2018 / safra 2017 -5,6%
Primeira estimativa para Safra 2019 226,7 milhões de toneladas
Variação safra 2019 / safra 2018 -0,2%

Já a décima estimativa para a safra de 2018 totalizou 227,2 milhões de toneladas, 5,6% inferior à obtida em 2017 (240,6 milhões de toneladas). A área a ser colhida (60,8 milhões de hectares) é 0,6% inferior à obtida em 2017. O arroz, o milho e a soja são os três principais produtos deste grupo, e, somados, representam 93,0% da estimativa da produção e respondem por 87,3% da área a ser colhida.

Em relação a 2017, houve acréscimo de 2,8% na área da soja e reduções de 8,7% na área do milho e de 7,5% na área de arroz. Quanto à produção, ocorreram decréscimos de 17,9% para o milho, de 5,6% para o arroz e acréscimo de 2,4% para a soja.

Regionalmente, a décima estimativa para a safra de 2018 aponta produção de cereais, leguminosas e oleaginosas com a seguinte distribuição, em toneladas: Centro-Oeste (101,3 milhões); Sul (75,1 milhões); Sudeste (22,8 milhões); Nordeste (19,2 milhões) e Norte (8,7 milhões). Em relação à safra passada, foi constatado aumento apenas na região Nordeste (7,6%) nas demais houve quedas: Sul (-10,5%), Sudeste (-4,5%), Centro-Oeste (-4,4%), Norte (-2,3%). Nessa avaliação para 2018, o Mato Grosso liderou como maior produtor nacional, com uma participação de 26,8%, seguido pelo Paraná (15,5%) e Rio Grande do Sul (14,8%).

Para 2019, primeiro prognóstico estima safra 0,2% menor que a de 2018

Neste primeiro prognóstico, a produção de cereais, leguminosas e oleaginosas para 2019 foi estimada em 226,7 milhões de toneladas, 0,2% inferior à safra de 2018. Esta redução deve-se às menores produções previstas para as regiões: Norte (-0,3%), Nordeste (-8,8%), Sudeste (-1,9%) Centro-Oeste (-1,4%). O Sul (4,1%) é a única onde espera-se crescimento.

Considerando-se os cinco produtos de maior importância para a próxima safra, três devem apresentar variações negativas na produção: algodão herbáceo em caroço (-2,8%), arroz em casca (-4,2%) e soja em grão (-1,0%). Com variação positiva, apenas o feijão em grão (0,3%) e o milho em grão (2,6%). Em termos absolutos, estimam-se menores produções para a soja (1,2 milhão de toneladas), para o trigo (727,1 mil toneladas) e para o arroz (489,1 mil toneladas). Para o milho, estima-se um crescimento de 2,2 milhões de toneladas na produção.

Os números levantados foram somados às projeções obtidas a partir das informações de anos anteriores, para as Unidades da Federação que ainda não dispõem das estimativas iniciais. Como este prognóstico foi realizado por levantamentos e projeções calculadas, as informações de campo representam 80,8% da produção nacional prevista, enquanto as projeções respondem por 19,2% do total estimado.

ALGODÃO HERBÁCEO (em caroço) – O primeiro prognóstico da safra de algodão para 2019 estimou uma produção de 4,8 milhões de toneladas, declínio de 2,8% em comparação com a safra de 2018. A área plantada, de 1,2 milhão de hectares, deve crescer 6,7%. Estima-se que a safra 2019 obtenha rendimento médio de 3 910 kg/ha, declínio de 8,9% em relação à safra do ano anterior. Em 2018, o clima comportou-se de forma favorável à produção do algodão, com chuvas mais abundantes e regulares nas principais regiões produtoras do Mato Grosso e da Bahia, beneficiando as lavouras que alcançaram um recorde de produtividade de 4.293 kg/ha. Para 2019, as incertezas quanto ao clima reduzem a estimativa do rendimento médio. O Mato Grosso estimou uma produção de 3,3 milhões de toneladas, acréscimo de 5,0% em relação à safra 2018, devendo somente esse estado responder por 69,8% da produção nacional. Embora estime-se um aumento de área plantada de 10,8%, alcançando 840,8 mil hectares, o rendimento médio foi revisto para baixo (-5,2%), devendo alcançar 3.975 kg/ha.

ARROZ (em casca) – A primeira estimativa para a safra nacional 2019 é de uma produção de 11,3 milhões de toneladas e rendimento médio de 6 114 kg/ha, menores, respectivamente, em 1,8% e 2,4%, quando comparados aos dados da safra 2018. A área a ser plantada na safra 2019 encontra-se 1,8% menor. O Rio Grande do Sul, maior produtor de arroz do país, deve participar com 70,9% do total a ser colhido em 2019. A produção gaúcha foi estimada em 8,0 milhões de toneladas, redução de 5,0% em relação a 2018. A área plantada estimada de arroz também apresentou uma redução de 4,4%. O Estado de Santa Catarina, segundo produtor nacional, estimou uma produção de 1,1 milhão de toneladas, e um rendimento médio de 7.286 kg/ha, redução de 4,3% em relação à safra de 2018.

FEIJÃO (em grão) – A primeira estimativa da produção de feijão para a safra 2018 é de 3,0 milhões de toneladas, aumento de 0,3% em relação à safra colhida em 2018. A 1ª safra deve produzir 1,5 milhão de toneladas; a 2ª safra uma produção de 1,0 milhão de toneladas e a 3ª safra, 439,7 mil toneladas. A área a ser colhida na safra de verão (1ª safra) deve se manter próxima a de 2018, ou seja, 1,8 milhão de hectares, enquanto que o rendimento médio deve apresentar um declínio de 7,2%. A produção esperada de feijão na safra de verão é de 1,4 milhão de toneladas, 7,2% menor que a obtida nesta mesma época em 2018.

MILHO (em grão) – O primeiro prognóstico de milho em grão para 2019 estima uma produção de 83,8 milhões de toneladas, crescimento de 2,6% em relação à safra 2018, o que representa um aumento de 2,2 milhões de toneladas. Os prognósticos de campo somam 74,8% na primeira safra e 73,3% na segunda safra, enquanto que as projeções somam 25,2% na primeira e 26,7% na segunda safra. Mantém-se a tendência de um maior volume de produção do milho em 2ª safra, devendo esta safra participar com 69,7% da produção nacional para 2019, contra 30,3% de participação da 1ª safra de milho. Para a 1ª safra de milho, a previsão é de 25,4 milhões de toneladas, 1,9% menor em relação ao mesmo período de 2018.

Aguarda-se aumentos de 0,4% na área a ser plantada e de 1,1% na área a ser colhida, enquanto que o rendimento médio deve declinar 3,0%. Para o milho 2ª safra, a estimativa da produção é de 58,4 milhões de toneladas, crescimento de 2,9% em relação a 2018. Na safra 2018, alguns estados importantes na produção do cereal enfrentaram problemas climáticos em decorrência da menor “janela de plantio”, limitada pelo atraso no plantio da safra de verão.

SOJA (em grão) – A primeira estimativa de produção para 2019 soma 116,6 milhões de toneladas, declínio de 1,0% em relação a 2018. A área a ser plantada com a leguminosa é de 35,3 milhões de hectares, aumento de 1,1%. O rendimento médio estimado é de 3.303 kg/ha, retração de 2,3%, em decorrência das incertezas quanto ao clima durante o ciclo da cultura, ressaltando que, na safra verão 2018 houve abundância e regularidade de chuvas nos principais estados produtores, alçando-se um recorde histórico de produção para o País. Em função dos preços mais compensadores da soja, em relação ao milho, os produtores devem ampliar as áreas de cultivo da leguminosa, que em 2019 deve representar 51,4% da safra total de grãos do País. Dentre os maiores produtores, o Mato Grosso, que em 2019 deve responder por 26,6% do total a ser produzido pelo País, estima colher 31,0 milhões de toneladas, declínio de 2,0% em relação a 2018, apesar de aumento de 0,7% na área a ser plantada. O Paraná, segundo maior produtor e responsável por 17,0% do total nacional, estima produzir 19,8 milhões de toneladas, com aumento de 2,8%.

Destaques na estimativa de outubro de 2018 em relação a setembro

No Levantamento Sistemático da Produção Agrícola de outubro, destacaram-se as variações nas seguintes estimativas de produção, comparativamente ao mês de setembro: algodão herbáceo (2,6%), café arábica (1,4%), café canephora (4,0%), milho 2ª safra (2,0%), soja (0,4%), feijão 1ª safra (-2,9%), feijão 2ª safra (-12,0%), feijão 3ª safra (-6,3%), milho 1ª safra (-1,5%) e trigo (-0,7%).

ALGODÃO HERBÁCEO (em grão) – Com o aumento de 2,6% no rendimento médio, a produção alcançou 4,9 milhões de toneladas, crescimento de 2,3% em relação ao mês anterior. Na Bahia, a produção cresceu 9,2%, em decorrência da maior produtividade das lavouras. Em relação ao ano anterior, a produção de algodão cresceu 28,4%, com a área plantada e o rendimento médio aumentando 23,6% e 3,8%, respectivamente. Preços mais compensadores, em virtude do aumento da demanda internacional, maior emprego de tecnologia pelos produtores e clima favorável na Bahia e no Mato Grosso foram os responsáveis pela excelente safra de algodão colhida pelo País. Juntos, esses dois estados respondem por 89,9% da produção nacional.

CAFÉ (em grão) – A produção brasileira de café este ano foi mais um recorde da série histórica do IBGE. Ao todo, o País deve produzir 3,5 milhões de toneladas, ou 58,6 milhões de sacas de 60kg, aumento de 2,0% em relação ao mês anterior. Para o café arábica, a produção estimada foi de 2,6 milhões de toneladas, ou 43,7 milhões de sacas de 60 kg, aumento de 1,4% em relação ao mês anterior. Em outubro, a Bahia reavaliou suas estimativas de produção, estimando aumento de 51,2% no total a ser colhido. A produção deve alcançar 108,8 mil toneladas, ou 1,8 milhão de sacas de 60 kg, consolidando-se como quarto maior produtor do País. Em relação a 2017, a produção do café arábica subiu 25,1%. A excelente safra decorreu da bienalidade positiva, ao clima mais chuvoso nas principais regiões produtoras e aos maiores investimentos em tratos culturais realizados pelos produtores. Para o café canephora, a produção estimada, de 892,8 mil toneladas, ou 14,9 milhões de sacas de 60 kg, encontra-se 4,0% maior que a do mês anterior. Espírito Santo e a Bahia, que respondem por 80,7% da produção nacional esperam alta de 2,2% e 20,0%, respectivamente, em relação a setembro.

FEIJÃO (em grão) – A safra colhida é de 3,0 milhões de toneladas, 6,6% menor que a do mês anterior. A cultura é bastante sensível às variações climáticas, e a deficiência hídrica foi observada em várias Regiões do País. As maiores reduções em relação ao mês anterior foram observadas na Região Nordeste (18,9%), com destaques para Pernambuco (49,3%), Alagoas (42,0%) e Bahia (30,5%). Na Região Sudeste, o declínio da produção foi de 8,4% em relação ao mês anterior, com importantes quedas da produção em Minas Gerais (12,9%) e Rio de Janeiro (11,6%). A 1ª safra de feijão foi estimada em 1,5 milhão de toneladas, queda de 2,9% em relação à estimativa de setembro. As reduções da produção ocorreram, principalmente, em Pernambuco (40,7% ou 19 299 toneladas) e em Minas Gerais (12,7% ou 27 494 toneladas). No Nordeste, foram os problemas climáticos que derrubaram as estimativas de produção, enquanto que em Minas Gerais, a redução da área plantada refletiu menor interesse dos produtores, em função dos preços do produto que se encontravam baixos. A 2ª safra de feijão foi estimada em 1,0 milhão de toneladas, decréscimo de 12,0% em relação ao mês anterior. Ao todo, na passagem de setembro para outubro, houve declínio de 136,5 mil toneladas na estimativa da produção do feijão dessa época. Houve redução da produção de feijão de segunda safra na Região Nordeste (52,0%), com destaques para o Ceará (19,8%), Pernambuco (56,3%), Alagoas (42,0%) e Bahia (74,6%), Regiões Sudeste (9,9%), com destaques para Minas Gerais (11,6%) e Rio de Janeiro (21,3%). Preços pouco compensadores e problemas climáticos, notadamente, ocorrências de chuvas abaixo do esperado, foram os principais responsáveis pelo declínio da produção do feijão segunda safra, que deve participar com 33,6% do total a ser colhido no País. A estimativa da produção da 3ª safra foi de 439,7 mil toneladas, 6,3% menor que no mês anterior. Em Minas Gerais, a estimativa de produção apresentou retração de 14,3%, com a área plantada e a área a ser colhida declinando 20,2% e o rendimento médio crescendo 7,4%. Preços pouco compensadores têm desestimulado os produtores a plantarem feijão nesta época.

MILHO (em grão) – Em relação a setembro, a estimativa da produção aumentou em 669,2 mil toneladas. Contudo, em relação ao ano anterior, a estimativa da produção encontra-se 17,9% menor. Em 2017, a produção de milho do Brasil foi recorde da série histórica do IBGE, quando foram produzidas 99,5 milhões de toneladas. A 1ª safra de milho encontra-se colhida. A produção alcançou 25,9 milhões de toneladas. No presente mês, houve retração de 1,5%, notadamente, em função do declínio da produção de Minas Gerais (8,7% ou 432.847 toneladas). Em relação ao ano anterior, a produção de milho 1ª safra foi menor em 16,6%. Preços pouco compensadores, durante a época de plantio, influenciaram os produtores a ampliar as áreas de plantio de soja em detrimento do milho de verão.

Na maioria das Unidades da Federação verificou-se atraso no plantio do milho 2ª safra, uma vez que a colheita das safras de verão atrasou. Com isso, as lavouras de 2ª safra ficaram mais expostas aos períodos de estiagem, comuns no fim da estação das chuvas, sobretudo na porção Centro-Sul do País. A produção foi estimada em 55,8 milhões de toneladas, cultivadas em 11,5 milhões de hectares. A variação mensal aponta aumento de 2,0% na estimativa da produção, em relação ao mês anterior, havendo aumentos de 1,1% na área colhida e de 0,9% no rendimento médio. Os ajustes positivos foram influenciados, sobretudo, por Minas Gerais (10,9%), Mato Grosso do Sul (18,2%) e Goiás (4,2%), enquanto que no Nordeste verificou-se declínio da produção (39,3%), em decorrência da falta de chuvas em alguns estados. Em relação ao ano anterior, a produção de milho 2ª safra encontra-se 18,5% menor.

SOJA (em grão) – A produção brasileira de soja, na safra 2018, foi mais um recorde da série histórica do IBGE. No total, o País colheu 117,7 milhões de toneladas, aumento de 2,4% em relação ao ano anterior. Apesar do atraso das chuvas, por ocasião da época de plantio da safra verão, após sua chegada, apenas na Região Sul houve redução da produção (4,5%), em decorrência de volumes pluviométricos menores. No presente mês, houve destaque para a produção da Bahia que apresentou crescimento de 8,3% em relação ao mês anterior. Nas Regiões Centro-Oeste e Sudeste e no “MATOPIBA” (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), a ocorrência de chuvas abundantes e bem distribuídas proporcionaram o desenvolvimento favorável das lavouras, possibilitando aos estados a colheita de uma safra substancial.

TRIGO (em grão) – No Paraná, primeiro produtor brasileiro, estima-se uma produção de 3,0 milhões de toneladas, o que representa 50,9% do total nacional. A produção e o rendimento médio apresentam quedas de 1,1% e 1,2%, respectivamente, em relação ao mês anterior. As lavouras atravessam os estágios finais, havendo colheita de 48% da área prevista de 1,1 milhão de hectares. No Rio Grande do Sul, segundo maior produtor brasileiro, estima-se uma produção de 2,1 milhões de toneladas, representando 36,2% da produção nacional. Preços pouco atrativos, baixa liquidez e problemas climáticos têm frequentemente afetado a produção do trigo no País. Apesar de alguns problemas climáticos, a estimativa da produção de 2018 é de 5,8 milhões de toneladas, 37,0% maior quando comparada à safra de 2017, ano que o clima desfavorável prejudicou drasticamente a produção gaúcha e paranaense.