11/09/2018 | Última Atualização: 11/09/2018 11:17:01

Em agosto, IBGE prevê safra 6,2% menor que a de 2017

A oitava estimativa de 2018 para a safra nacional de cereais, leguminosas e oleaginosas totalizou 225,8 milhões de toneladas, 6,2% inferior à obtida em 2017 (240,6 milhões de toneladas), com redução de 14,8 milhões de toneladas. A área a ser colhida foi estimada em 61,0 milhões de hectares, com queda de 159,8 mil hectares.

Estimativa de agosto para 2018 225,8 milhões de toneladas
Variação safra 2018 / safra 2017 -6,2% (-14,8 milhões de toneladas)
Variação agosto 2018 / julho 2018 -0,4% (-1,0 milhão de toneladas) 

O arroz, o milho e a soja representaram 92,8% da estimativa da produção e responderam por 87,0% da área a ser colhida. Em relação ao ano anterior, houve acréscimo de 2,6% na área da soja e reduções de 8,0% na área do milho e de 5,8% na área de arroz. Quanto à produção, ocorreram decréscimos de 18,6% para o milho, de 5,3% para o arroz e acréscimo de 1,6% para a soja.

Em relação a julho, a produção caiu 0,4% (-1,0 milhão de toneladas). Grande parte desta queda deve-se ao milho segunda safra, que teve a estimativa reduzida em 1,8 milhão de toneladas (-3,2%).

Entre as unidades da federação, o Mato Grosso lidera como maior produtor nacional de grãos, com uma participação de 26,6%, seguido pelo Paraná (15,8%) e Rio Grande do Sul (14,8%), que, somados, representaram 57,2% do total nacional. O material de apoio do LSPA está à direita dessa página

Entre as Grandes Regiões, o volume da produção de cereais, leguminosas e oleaginosas apresentou a seguinte distribuição: Centro-Oeste, 99,2 milhões de toneladas; Sul, 75,4 milhões de toneladas; Sudeste, 22,8 milhões de toneladas; Nordeste, 19,6 milhões de toneladas e Norte, 8,9 milhões de toneladas. Comparativamente à safra passada, foi constatado incremento de 9,9% na Região Nordeste e decréscimos de 6,3% na Região Centro-Oeste, de 10,2% na Região Sul, de 4,8% na Região Sudeste e de 1,6% na Região Norte.

Estimativa de agosto em relação a julho de 2018

Em agosto, destacaram-se as variações nas seguintes estimativas de produção, em relação a julho: trigo (8,2%), uva (4,2%), arroz (2,2%), soja (0,3%), feijão 3ª safra (-0,1%), feijão 1ª safra (-0,3%), milho 1ª safra (-0,4%), feijão 2ª safra (-1,5%), tomate (-1,6%), milho 2ª safra (-3,2%) e sorgo (-9,9%). Nas variações absoluta, os destaques positivos couberam ao trigo (445.435 t), à soja (362.273 t), ao arroz (250.040 t) e a uva (58.009 t). Os destaques negativos ficaram com o feijão 3ª safra (369 t), o feijão 1ª safra (5.273 t), o feijão 2ª safra (18.093 t), o tomate (69.935 t), o milho 1ª safra (106.232 t), o sorgo (231.464 t) e o milho 2ª safra (1.792.832 t).

ARROZ (em casca) – A produção de arroz foi de 11,8 milhões de toneladas, aumento de 2,2% em relação ao mês anterior. Apesar da redução de 0,4% na área colhida, o rendimento médio aumentou 2,6%. No Rio Grande do Sul, principal produtor brasileiro e responsável por 71,2% do total nacional, o rendimento médio cresceu 3,0% em relação ao mês anterior, com aumentos de 0,3% na área plantada, 0,2% na área colhida e 3,3% na produção.

FEIJÃO (em grão) – Com as reavaliações de agosto, deve ser colhida uma safra de 3,3 milhões de toneladas, 1,3% menor que a de 2017. Apesar do decréscimo, a quantidade é suficiente para atender o abastecimento interno. As adversidades climáticas têm reduzido o rendimento médio, que, em 2018, está 2,7% menor que no ano anterior. As maiores reduções em relação ao mês anterior foram observadas no Mato Grosso do Sul (26,3%), na Paraíba (17,5%), no Piauí
(-11,9%), no Acre (9,9%), no Maranhão (9,8%) e em Pernambuco (8,1%).

A 1ª safra de feijão foi estimada em 1,6 milhão de toneladas, queda de 0,3% em relação à estimativa de julho. A colheita está praticamente concluída e houve reduções da produção em todas as regiões. Os decréscimos mais expressivos ocorreram na Paraíba (18,0%), no Piauí (12,2%), no Pará (5,3%), no Distrito Federal (5,0%), no Espírito Santo (4,4%) e no Rio Grande do Sul (2,2%), devido aos problemas climáticos nas principais regiões produtoras desses estados.

A 2ª safra foi estimada em 1,1 milhão de toneladas, decréscimo de 1,5% em relação ao mês anterior. Houve redução de 1,6% na área a ser colhida e aumento de 0,1% no rendimento médio. Na passagem de julho para agosto, houve declínio de 18,1 mil toneladas na estimativa da produção do feijão dessa época.

MILHO (em grão) – Em relação a julho, a estimativa da produção encontra-se 2,3% menor, o que representa um recuo de 1,8 milhão de toneladas, grande parte ocorrido no milho 2ª safra, que é responsável por 68,0% da produção nacional. Após a safra recorde de 2017, a estimativa para a produção de milho, em 2018, apresentou redução de 18,6%, com um total de 81,0 milhões de toneladas. Essa redução se deve aos declínios de 8,0% na área a ser colhida e de 11,6% no rendimento médio.

A 1ª safra de milho já foi colhida. A produção alcançou 26,0 milhões de toneladas. Em agosto, houve queda de 0,4% nessa estimativa, notadamente, em função da retração das produções do Maranhão (5,9% ou 63.825 toneladas) e do Piauí (3,9% ou 59.041 toneladas). Em relação ao ano anterior, a produção de milho 1ª safra foi menor em 16,5%. A área plantada e a área a ser colhida declinaram 9,6% e 9,2%, respectivamente, enquanto o rendimento médio foi 8,0% menor. Preços pouco compensadores, durante a época de plantio, influenciaram os produtores a ampliar as áreas de plantio de soja em detrimento do milho de verão.

Em boa parte das unidades da federação, houve atraso no plantio do milho 2ª safra, devido ao atraso na colheita das safras de verão e da ocorrência de chuvas, que dificultou o trânsito de máquinas. A produção está estimada em 55,1 milhões de toneladas, cultivadas em 11,4 milhões de hectares. A variação mensal aponta retração de 3,2% na estimativa da produção, em relação ao mês anterior, com o rendimento médio caindo 2,3%. Em relação ao ano anterior, a produção de milho 2ª safra encontra-se 19,6% menor.

SOJA (em grão) – A produção brasileira de soja, na safra 2018, é mais um recorde da série histórica do IBGE. No total, o país colheu 116,8 milhões de toneladas, aumento de 1,6% em relação ao ano anterior. Apesar do atraso das chuvas, houve redução da produção (4,4%) apenas na Região Sul.

SORGO (em grão) – A estimativa da produção de sorgo foi de 2,1 milhões de toneladas, redução de 9,9% em relação ao mês anterior. A área plantada e a área a ser colhida apresentaram retração de 0,1%, e o rendimento médio teve uma redução de 9,8%. No mês, a principal redução de produção foi informada pelo Maranhão (80,0%).

Em relação ao ano anterior, a estimativa da produção de sorgo caiu 2,0%, com a área plantada e a área a ser colhida crescendo 8,6% e 9,2%, respectivamente. O rendimento médio apresentou retração de 10,2%. Em Goiás, maior produtor nacional do sorgo, com a participação de 46,5% no total nacional, a área plantada apresentou crescimento de 30,4%. A produção informada foi de 978,9 mil toneladas, aumento de 25,9% em relação ao ano anterior.

TOMATE – A produção brasileira de tomate deve ficar em 4,4 milhões de toneladas, redução de 1,6% em relação ao mês anterior. A área plantada e a área a ser colhida apresentaram retração de 1,9%, enquanto o rendimento médio, aumento de 0,3%.

Em relação a 2017, a produção de tomate apresentou redução de 0,2%, reflexo da retração de 1,4% na área plantada e de 1,3% na área a ser colhida. Já o rendimento médio apresentou crescimento de 1,1%.

TRIGO (em grão) – A estimativa para a produção brasileira de trigo na atual safra é de 5,9 milhões de toneladas, aumento de 8,2% em relação ao mês anterior. Embora a área plantada e a área a ser colhida tenham declinado 0,7%, o rendimento médio aumentou 9,0%. No Rio Grande do Sul, segundo maior produtor brasileiro de trigo, a estimativa de produção foi de 2,0 milhões de toneladas, 28,6% superior à divulgada em julho. Apesar da retração de 2,2% na área plantada e na área a ser colhida, em relação ao mês anterior, o rendimento médio no estado encontra-se 31,5% maior.

UVA – A estimativa da produção brasileira de uva alcançou 1,4 milhão de toneladas, crescimento de 4,2% em relação ao mês anterior. O rendimento médio, de 19.981 kg/ha, aumentou 5,5%. O crescimento da produção deve-se à boa performance das videiras nordestinas, especificamente da produção pernambucana, que, no presente mês, apresentou um crescimento de 31,5% em relação a julho. O Estado estimou uma produção de 309,4 mil toneladas, aumento de 3,0% na área plantada e rendimento médio de 46.631 kg/ha, crescimento de 33,8%.

Em relação ao ano anterior, a produção de uvas apresenta declínio de 14,0%, sendo estimadas reduções de 5,8% na área a ser colhida e de 8,7% no rendimento médio. As perdas, estão relacionadas ao clima, e houve redução de produção em todas as regiões, com destaque para Rio Grande do Sul (-14,0%), Santa Catarina (-6,9%), Paraná (-6,2%), São Paulo (-3,6%), Pernambuco (-20,7%) e Bahia (-9,7%). Esses estados, conjuntamente, devem produzir 98,4% do total do País.

Produção e Variação anual por Produto
Produto Produção 2017 (t) Produção 2018 (t) Variação (%)
Algodão Herbáceo 3.838.785 4.785.086 24,7
Amendoim (1ª safra) 531.280 541.654 2,0
Amendoim (2ª safra) 9.898 11.595 17,1
Arroz 12.452.662 11.788.109 -5,3
Aveia 609.130 889.868 46,1
Batata-inglesa (1ª safra) 1.968.761 1.785.853 -9,3
Batata-inglesa (2ª safra) 1.233.004 1.221.212 -1,0
Batata-inglesa (3ª safra) 1.078.032 790.370 -26,7
Cacau 214.348 232.754 8,6
Café Arábica 2.095.275 2.588.717 23,6
Café Canephora 681.346 858.537 26,0
Cana-de-Açúcar 687.809.933 686.752.550 -0,2
Cebola 1.719.412 1.585.833 -7,8
Cevada 286.405 392.633 37,1
Feijão (1ª safra) 1.561.956 1.588.641 1,7
Feijão (2ª safra) 1.185.542 1.149.461 -3,0
Feijão (3ª safra) 543.814 511.946 -5,9
Laranja 18.666.928 17.055.855 -8,6
Mamona 11.834 24.556 107,5
Mandioca 20.606.037 19.882.535 -3,5
Milho (1ª safra) 31.064.540 25.951.221 -16,5
Milho (2ª safra) 68.481.488 55.067.524 -19,6
Soja 114.982.993 116.768.024 1,6
Sorgo 2.147.706 2.104.936 -2,0
Trigo 4.241.602 5.879.675 38,6
Triticale 41.940 47.084 12,3

O Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) é uma pesquisa mensal de previsão e acompanhamento das safras dos principais produtos agrícolas, cujas informações são obtidas por intermédio das Comissões Municipais (COMEA) e/ou Regionais (COREA); consolidadas em nível estadual pelos Grupos de Coordenação de Estatísticas Agropecuárias (GCEA) e posteriormente, avaliadas, em nível nacional, pela Comissão Especial de  Planejamento Controle e Avaliação das Estatísticas Agropecuárias (CEPAGRO) constituída por representantes do IBGE e do Ministério da Agricultura, Pecuária e do Abastecimento (MAPA).

Em atenção a demandas dos usuários de informação de safra, os levantamentos para cereais (arroz, milho, aveia, centeio, cevada, sorgo, trigo e triticale), leguminosas (amendoim e feijão) e oleaginosas (caroço de algodão, mamona, soja e girassol) foram realizados em estreita colaboração com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), órgão do Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), continuando um processo de harmonização das estimativas oficiais de safra, iniciado em março de 2007, para as principais lavouras brasileiras.