PAS 2016: setor de serviços gera receita de R$ 1,5 trilhão

24/08/2018 10h00 | Atualizado em 24/08/2018 10h08

Em 2016, o setor de serviços tinha 1,311 milhão de empresas, que geraram R$ 1,5 trilhão de receita operacional liquida e R$ 871,7 bilhões de valor adicionado bruto.

O setor empregava 12,3 milhões de pessoas, que receberam R$ 327,0 bilhões de salários, retiradas e outras remunerações.

O segmento Transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio concentrou a maior parcela da receita operacional líquida (28,3%). Já na análise por atividades, os serviços técnico-profissionais lideraram na geração de receita (11,1%).

A média de ocupação do setor de serviços foi de 9 pessoas por empresa. Transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio concentrou as empresas de maior porte (média de 13 pessoas ocupadas por empresa). Os segmentos atividades imobiliárias e serviços de manutenção e reparação registraram a menor média (quatro pessoas ocupadas por empresa).

O salário médio mensal ficou em R$ 2.048. As empresas do setor de informação e comunicação tiveram a média salarial mais alta (R$ 4.119) e os serviços prestados principalmente às famílias, a mais baixa (R$ 1.288). Os serviços profissionais, administrativos e complementares concentraram a maior parcela do pessoal ocupado (39,9%) e de massa salarial (35,8%).

Essas são algumas das informações da Pesquisa Anual de Serviços (PAS) 2016, que analisa a estrutura produtiva do setor de Serviços não financeiros no país.
A publicação e o material de apoio da pesquisa estão à direita desta página.

Em 2016, Transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio concentrou a maior parcela da receita (28,3%)

Em 2016, Transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio teve a maior concentração da receita operacional líquida do setor de serviços (28,3%), contra 29,3% em 2015 e 28,7% em 2007. Serviços profissionais, administrativos e complementares ocupou a segunda posição respondendo por 27,8%, contra 26,8% em 2015 e 23,0% em 2007. O segmento Serviços de informação e comunicação, que respondia pela maior parcela da receita operacional líquida em 2007 (31,3%), ocupou a terceira posição em 2016 (22,5%), mantendo a mesma colocação de 2015 (22,9%). Esses três segmentos responderam juntos por 78,6% da receita operacional líquida das empresas do setor de serviços em 2016, contra 83,0% em 2007 e 78,9% em 2015.

Em termos de valor adicionado, os serviços profissionais, administrativos e complementares permaneceram como o principal segmento em 2016 (34,4%), com participação ampliada em relação a 2015 (34,0%) e a 2007 (30,3%). O segmento Transportes, serviços auxiliares aos transportes ocupou a segunda posição (24,4%), contra 24,2% em 2007 e 24,7% em 2015. Os serviços de informação e comunicação, que em 2007 ocupava a primeira colocação (27,2%), passou para a terceira posição em 2015 (19,2%) mantendo essa posição em 2016 (19,3%).

Serviços profissionais, administrativos e complementares concentraram 39,9% do pessoal ocupado e 35,8% da massa salarial, em 2016

Os serviços profissionais, administrativos e complementares continuaram concentrando a maior parcela do pessoal ocupado. Em 2016, 39,9% das pessoas ocupadas eram desse segmento, abaixo dos 40,2% registrado em 2007 e dos 40,0% em 2015. Os serviços prestados às famílias ocuparam a segunda colocação (22,6%) mesma participação de 2015, 22,6%, contra 21,0% em 2007. Em terceiro lugar, transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio representaram 20,4% do pessoal ocupado, contra 21,3% em 2007 e 20,5 em 2015.

Já em relação à massa salarial, os serviços profissionais, administrativos e complementares permaneceram com a maior participação (35,8% em 2016 contra 34,0% em 2007 e 36,0% em 2015), na sequência vieram transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio (25,2% em 2016 contra 26,5% em 2007 e 25,2% em 2015) e serviços de informação e comunicação (16,5% em 2016, contra 16,6%, em 2015, e 17,9% em 2007).

Salário médio do setor de serviços em 2016 foi de R$ 2.048

A média de pessoas ocupadas por empresa passou de dez em 2015 para 9 em 2016. Em 2007, o índice era de 11. A atividade de transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio foi a que concentrou as empresas de maior porte em 2016, com 13 ocupados por empresa. Já as atividades imobiliárias e os serviços de manutenção e reparação registraram a menor média, ambas com quatro pessoas ocupadas por empresa.

Em 2016, o salário médio mensal era R$ 2.048. As empresas de informação e comunicação tiveram a média salarial mais alta (R$ 4.119) e os serviços prestados principalmente às famílias a mais baixa (R$ 1 288). Em relação a 2007, todas as atividades registraram aumento do salário médio, porém atividades imobiliárias foi o único segmento cujo salário médio ficou abaixo do registrado em 2007 (R$ 1.780 em 2007 contra R$ 1.641 em 2016

A razão de concentração de ordem doze (R12) passou de 18,9% (2007) para 12,3% (2016), indicando que o setor de serviços se tornou menos concentrado, com as doze maiores empresas da PAS perdendo participação no total da receita operacional líquida do setor.

Quando o R12 é maior que 75% indica que a estrutura do mercado é muito concentrada; entre 50% e 75% o mercado é considerado concentrado; entre 25% e 50% o mercado é avaliado pouco concentrado; e abaixo de 25% caracteriza um mercado desconcentrado

No período analisado, apenas o segmento de serviços de informação e comunicação não apresentou estrutura de mercado desconcentrada. Em 2007, as 12 maiores empresas dos serviços de informação representavam 54,0% da receita do segmento, caracterizando um setor concentrado. Em 2016, a razão de concentração diminuiu para 44,7%, caracterizando o setor como pouco concentrado.

Média de pessoal ocupado por empresa, salário médio mensale razão de concentração de ordem 8, segundo os segmentos de serviços não financeiros - Brasil - 2007/2016
Segmentos de serviços não financeiros Média de pessoal
ocupado por
empresa
Salário médio mensal
(em R$ de 2016) (1)
Razão de Concentração de Ordem 12 (%) (2)
2007 2016 2007 2016 2007 2016
Total 11 9 1 742 2 048 18,9 12,3
Serviços prestados principalmente às famílias (3) 7 7 1 022 1 288 11,7 9,0
Serviços de informação e comunicação 10 10 3 884 4 119 54,0 44,7
Serviços profissionais, administrativos e complementares 14 12 1 473 1 833 9,6 8,3
Transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio 17 13 2 175 2 509 21,7 19,0
Atividades imobiliárias 6 4 1 780 1 641 11,8 12,6
Serviços de manutenção e reparação 4 4 1 192 1 458 14,4 11,0
Outras atividades de serviços (4) 16 11 2 073 2 629 13,2 19,7
Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Serviços e Comércio, Pesquisa Anual de Serviços 2007/2016.
(1) Valores calculados pela divisão dos salários,retiradas e outras remunerações pelototal de pessoal ocupado nas empresas. O resultado dessa divisão foi divido por 13, relativo as 12 parcelas mensais dos salários mais o décimo terceiro. O valor de 2007 foi atualizado pelo índice acumulado da variação média anual do INPC entre 2007 e 2016.(2) Valor calculado pela participação das doze maiores empresas na receita operacional líquida.(3) O conceito adotado na PAS é menos abrangente que o definido nas Contas Nacionais. (4) Este grupamento reúne as atividades não enquadradas nos demais segmentos analisados, tais como: serviçosauxiliares da agricultura, pecuária e produção florestal; serviços auxiliares financeiros, dos seguros e da previdência complementar;serviços de esgoto, coleta, resíduos e recuperação de materiais.

Serviços técnicos profissionais foi a atividade que mais gerou receita em 2016

Na análise por atividades, os serviços técnicos profissionais, que englobam as consultorias, escritórios de advocacia, contabilidade, publicidade, empresas de engenharia, arquitetura etc. ocuparam o primeiro lugar na geração da receita operacional líquida do total da PAS (11,2% em 2016, contra 10,5% em 2015 e 9,9% em 2007).

Na sequência ficaram atividades de telecomunicações (10,9% em 2016 contra 11,3% em 2015 e 18,9% em 2007) e os empresas de transporte rodoviário de carga (9,8% em 2016 contra 10,5% em 2015 e 9,7% em 2007). Entre as demais atividades, em relação a 2007, destaca-se serviços de alimentação, com o maior ganho de participação (2,2 pp), passando da sexta colocação, em 2007, para a quarta, em 2016 (7,7%).

Ranking da receita operacional líquida do total da PAS, segundo as atividades dos segmentos de serviços - Brasil - 2007/2016
Atividades   Ranking da receita operacional líquida
2007 2016
Participação   (%) Posição Participação   (%) Posição
Serviços técnico-profissionais 9,9% 11,2%
Telecomunicações 18,9% 10,9%
Transporte rodoviário de cargas 9,7% 9,8%
Serviços de alimentação 5,5% 7,7%
Tecnologia da informação 6,5% 7,4%
Armazenamento e atividades auxiliares aos transportes 5,4% 6,2%
Transporte rodoviário de passageiros 5,6% 4,5%
Outros serviços prestados principalmente às empresas 2,5% 12º 3,4%
Serviços auxiliares financeiros, dos seguros e da previdência complementar 3,1% 3,4%
Aluguéis não imobiliários e gestão de ativos intangíveis não financeiros 2,0% 17º 2,9% 10º
Serviços audiovisuais 3,1% 2,8% 11º
Serviços de escritório e apoio administrativo 1,7% 18º 2,8% 12º
Serviços para edifícios e atividades paisagísticas 2,1% 14º 2,7% 13º
Serviços de investigação, vigilância, segurança e transporte de valores 2,3% 13º 2,7% 14º
Transporte aéreo 2,8% 10º 2,6% 15º
Compra, venda e aluguel de imóveis próprios 1,2% 23º 1,7% 16º
Esgoto, coleta, tratamento e disposição de resíduos e recuperação de materiais 1,3% 20º 1,7% 17º
Seleção, agenciamento e locação de mão de obra 2,0% 15º 1,6% 18º
Serviços de alojamento 1,6% 19º 1,6% 19º
Correio e outras atividades de entrega 2,0% 16º 1,6% 20º
Transporte aquaviário 1,3% 21º 1,3% 22º
Transporte ferroviário e metroferroviário 1,3% 22º 1,2% 21º
Edição e edição integrada à impressão 2,7% 11º 1,2% 23º
Transporte dutoviário 0,7% 25º 1,1% 24º
Atividades de ensino continuado 0,5% 30º 1,0% 25º
Manutenção e reparação de veículos automotores 0,8% 24º 0,9% 26º
Serviços pessoais 0,6% 28º 0,8% 27º
Intermediação na compra, venda e aluguel de imóveis 0,7% 26º 0,8% 28º
Atividades culturais, recreativas e esportivas  0,6% 27º 0,7% 29º
Agências de viagens, operadores turísticos e outros serviços de turismo 0,5% 29º 0,6% 30º
Manutenção e reparação de equipamentos de informática e comunicação 0,5% 31º 0,5% 31º
Serviços auxiliares da agricultura, pecuária e produção florestal 0,4% 32º 0,4% 32º
Manutenção e reparação de objetos pessoais e domésticos 0,3% 33º 0,2% 33º
Agências de notícias e outros serviços de informação 0,1% 34º 0,1% 34º
Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Serviços e Comércio, Pesquisa Anual de Serviços: 2007/2016   

Aluguéis não imobiliários e gestão de ativos intangíveis não financeiros e serviços de escritório e apoio administrativo foram os que mais subiram no ranking de receita operacional líquida. A primeira atividade ganhou sete posições, passando da 17ª em 2007 para a décima, em 2016, respondendo por 2,9% da receita dos serviços. Já os serviços de escritório e apoio administrativo ganharam seis posições, alcançando a 12ª posição, em 2016 (2,8%).

Em contrapartida, as atividades que mais perderam posições frente a 2007 foram: edição e edição integrada à impressão e transporte aéreo. Edição e edição integrada à impressão perdeu 12 posições no período, passando para a vigésima terceira posição, respondendo por 1,2% da receita operacional líquida, em 2016.

As empresas de transporte aéreo, por sua vez, passaram do décimo lugar para o décimo quinto representado 2,6% da receita, no final do período.

Em 2016, Sudeste permaneceu como região líder do setor de Serviços

O Sudeste apresentou a maior concentração de empresas, de receita bruta de prestação de serviços, de salários, retiradas e outras remunerações e de pessoal ocupado.

Em 2016, 57,2% das empresas do setor de serviços se localizavam no Sudeste, contra 57,9% em 2015 e 60,3% em 2007.Nas demais regiões, as incidências foram de 21,9% no Sul (mesmo resultado em 2015 e contra 21,7% em 2007), 11,7% no Nordeste (contra 11,2% em 2015 e 10,0% em 2007), 7,6% no Centro-Oeste (contra 7,5% em 2015 e 6,5% em 2007) e 1,6% no Norte (contra 1,5% em 2015 e em 2007).

O Sudeste foi também a região com mais concentração da receita bruta, porém perdeu participação, passando de 67,1%, em 2007, para 64,8%, em 2016. O Centro-Oeste, por sua vez, foi a que mais ganhou participação, passando de 6,6% em 2007 para 7,8%, em 2016.

Já Sul e Nordeste apresentaram, frente a 2007 ganhos de 0,7 pp e 0,6 pp, respectivamente. Em 2016, 14,5% da receita bruta de serviços se concentrava no Sul e 10,2% no Nordeste. O Norte, por outro lado, perdeu participação passando de 2,9% em 2007 para 2,7% em 2016.

Em relação a 2015, apenas Sudeste (64,8% em 2016 contra 64,3% em 2015) e Centro-Oeste (7,8% em 2016 contra 7,8% em 2015) ganharam participação na receita bruta. Já o Sul (14,6% em 2015 contra 14,5% em 2016), Nordeste (10,5% em 2015 contra 10,2% em 2016) e Norte (2,8% em 2015 contra 2,7% em 2016) tiveram perda.

A massa salarial paga ao pessoal ocupado das empresas de serviços diminuiu a concentração do Sudeste, passando de 67,5%, em 2007, para 64,0%, em 2016. O Nordeste, cuja participação na massa salarial, em 2007, marcava 9,9%, foi a que mais ganhou representação passando para 11,4% em 2016.

Nas regiões Sul e Centro-Oeste observou-se aumento de proporção idêntico no período (1,0 pp), sendo que a primeira registrou 14,9% da massa salarial dos serviços em 2016, e a segunda 7,3%. Já o Norte manteve sua participação em 2,4% nos dois períodos analisados.

Já frente a 2015, Centro Oeste, Nordeste e Sul tiveram ganhos na participação da massa salarial. O Sul ganhou dois pontos percentuais respondendo por 14,9% da massa salarial, em 2016, enquanto no Centro-Oeste (7,3% em 2016 contra 7,2% em 2015) e no Nordeste (11,4% em 2016 contra 11,3% em 2015) o ganho foi de um ponto percentual. No Sudeste (64,0% em 2016 contra 64,3% em 2015) e no Norte (2,4% em 2016 contra 2,5% em 2015) houve recuos.

O Nordeste registrou o maior aumento de participação do pessoal ocupado no setor de serviços, saindo de 13,2%, em 2007, para 15,3%, em 2016. O Centro-Oeste e o Sul também ganharam representatividade no período. Já o Sudeste perdeu participação, diminuindo de 61,2% em 2007 para 57,6%, em 2016. No Norte, a perda de participação foi menos expressiva (0,1 pp), representando 2,8% do pessoal ocupado nas empresas de serviços, em 2016.

Em relação a 2015, houve ganho de participação do pessoal ocupado no Sudeste (57,6% em 2016 contra 57,5% em 2015), no Nordeste (15,3% em 2016 contra 15,1% em 2015) e no Centro-Oeste (7,9% em 2016 contra 7,8% em 2015). Já o Sul (16,4% em 2016 contra 16,7% em 2015) e o Norte (2,8% em 2016 contra 2,9% em 2015) sofreram perda.