Quase metade das empresas criadas em 1997 fecharam até 2005

Em 2005, 42% das empresas brasileiras tinham menos de 5 anos de idade, enquanto apenas 3% apresentavam 30 anos ou mais.

29/11/2007 08h01 | Última Atualização: 29/11/2007 08h01

Em 2005, 42% das empresas brasileiras tinham menos de 5 anos de idade, enquanto apenas 3% apresentavam 30 anos ou mais. Já em relação ao pessoal ocupado, a participação destas empresas com 30 anos ou mais de idade representava 20% do total dos trabalhadores. As maiores taxas de entrada (criação) e saída (extinção) de empresas no mercado 1 foram observadas nas empresas com 0 a 4 pessoas ocupadas (18,6% e 13,1%, respectivamente). Já as menores taxas, ocorreram na faixa de empresas com 100 e mais pessoas ocupadas (1,6% e 1,2%, respectivamente).

Com relação à sobrevivência das unidades criadas em 1997, foi possível observar que no primeiro ano de vida, cerca de 20% das empresas não sobreviveram. Após dois anos de criação, 27,2% das empresas já estavam com as portas fechadas e, depois de 8 anos, apenas 51,6% ainda continuam ativas. A análise regional mostrou que cerca de 51% das unidades criadas, em 1997, nas regiões Nordeste e Sudeste ainda existiam em 2005. Na região Norte o percentual de sobrevivência foi de 46,5%, na Centro-Oeste foi de 47,8% e o Sul foi o que apresentou maior taxa, 53,8%.

Essas e outras informações fazem parte do estudo sobre a demografia de empresas no Brasil, realizado a partir das informações do Cadastro Central de Empresas – CEMPRE 2005 2, e são detalhadas em seguida. Todos os resultados da estudo estão disponíveis no www.ibge.gov.br

O estudo mostrou que 62,5% das empresas brasileiras estão estabelecidas no mercado há menos de 10 anos, sendo que 42,1%, das empresas foram criadas há menos de cinco anos. Apenas 2,9% das empresas foram criadas há 30 anos ou mais. As empresas com maior tempo de permanência no mercado têm maior média de pessoal ocupado total. Por exemplo, as empresas com 30 anos ou mais de idade representam apenas 2,9% do total de empresas, mas ocupam 20,0% do total de pessoas. Ainda em 2005, as empresas com até cinco anos de idade representavam 42,1% do total de empresas e 26,0% do total do pessoal ocupado.

 

 

 O saldo de pessoal ocupado pela criação e extinção de empresas foi de 625 mil

Em 2005, surgiram 792 mil empresas e foram extintas 544 mil, resultando em um saldo positivo de 248 mil novas empresas, que correspondeu a uma taxa de entrada de 16,3% e a uma taxa de saída do mercado de 11,2%. As empresas extintas deixaram de ocupar 961 mil pessoas e as novas ocuparam 1,6 milhão pessoas, gerando um saldo positivo de 625 mil pessoas ocupadas 3, das quais 361 mil eram assalariados 4.

A participação das empresas pertencentes à faixa de 0 a 4 pessoas no pessoal ocupado total chegou a 63,6%, mas cai para 19,7% quando se trata do número de pessoas assalariadas. Entretanto, nesta faixa estão incluídas as empresas que iniciam suas atividades sem estabelecer relações de trabalho assalariado, sendo sua atividade exercida pelo proprietário e, eventualmente, por seus sócios, portanto o pessoal ocupado assalariado tem uma participação maior nas faixas de tamanho subseqüentes. Nos movimentos de entrada e saída do mercado, segundo o porte das empresas, predominam as unidades de menor porte, uma vez que 94,4% das empresas criadas e 97,2% das empresas extintas ocupavam até 4 pessoas. A faixa das empresas de 5 a 19 pessoas ocupadas apresentou expressiva parcela de assalariados, 39,0%.

 

 

Comércio; reparação de veículos automotores, objetos pessoais e domésticos criaram mais empresas

Entre as empresas criadas em 2005, o destaque foi para o setor de Comércio; reparação de veículos automotores, objetos pessoais e domésticos, responsável pelo surgimento de 420,2 mil empresas e extinção de 304,5 mil, que corresponde a 53,1% e 56,0% do total, respectivamente. Em seguida apresentam-se as Atividades imobiliárias, aluguéis e serviços prestados às empresas com 13,9% das entradas e 11,6% das saídas e as Indústrias de Transformação com participações próximas de 9,0% em ambos os fluxos. Alojamento e alimentação representavam cerca de 8,0% das entradas e saídas de empresas do mercado.

Com relação ao pessoal ocupado total e assalariado das empresas criadas em 2005, os setores que mais se destacaram nas duas variáveis foram: Comércio; reparação de veículos automotores, objetos pessoais e domésticos, com 701,7 mil pessoas ocupadas total e 212,3 mil assalariados; Atividades Imobiliárias, aluguéis e serviços prestados às empresas com 229.5mil e 71,2 mil, respectivamente; Indústrias de Transformação com 212.6 mil e 122,8 mil, respectivamente, e por último, Alojamento e Alimentação com 119.6 mil e 51,2 mil, respectivamente. Esses mesmos setores, também na mesma ordem, foram os que apresentaram maior pessoal ocupado total e assalariado extinto pela saída de empresas do mercado.

A análise do saldo líquido permite observar que as maiores contribuições para o crescimento do número de pessoas ocupadas, tanto em termos totais como de assalariados, vieram do Comércio; reparação de veículos automotores, objetos pessoais e domésticos (268,4 mil e 152,7 mil, respectivamente) e das Indústrias de Transformação (98,7 mil e 75,6 mil, respectivamente). Embora as Indústrias de Transformação não apresentem números expressivos em relação à criação de empresas, o setor se destaca no total de pessoas ocupadas e assalariadas.

Região Norte apresenta as maiores taxas de empresas criadas e extintas

As menores taxas de entrada e de saída de unidades locais, abaixo da média nacional, foram observadas nas Regiões Sul e Sudeste. As Regiões Nordeste e Centro-Oeste apresentaram valores muito similares, enquanto a Região Norte apresenta as taxas mais elevadas, tanto de entrada como de saída (23,9% e 16,9%, respectivamente).

A diferença entre as taxas de entrada e saída foi maior na Região Norte, 6,9 p.p., seguida pelo Nordeste, com 5,9 p.p. e Centro-Oeste, com 5,6 p.p. As menores diferenças foram encontradas no Sul, 4,6 p.p. e Sudeste, 4,7 p.p.. Assim, segundo o estudo, em termos de número de unidades locais, as Regiões Norte e Nordeste, estariam ampliando sua participação, em detrimento das Regiões Sul e Sudeste.

 

                                         

 

Das unidades locais 5 criadas em 1997, apenas 51,6% continuavam ativas em 2005

Observa-se que a taxa de sobrevivência 6 das unidades locais criadas em 1997 é decrescente com o tempo, para qualquer faixa de tamanho. As menores taxas de sobrevivência foram observadas para as unidades locais com até 4 pessoas ocupadas. Durante os três primeiros anos, as unidades das demais faixas de porte não apresentaram diferenças nas taxas de sobrevivência, embora os valores daquelas que ocupam entre 5 e 99 pessoas sejam superiores aos das unidades com 100 ou mais pessoas ocupadas, após os 4 anos de fundação. Em 1997, das 738 mil novas unidades, aquelas que ocupavam até 4 pessoas eram responsáveis por 90,8% do total das pessoas ocupadas; as que ocupavam entre 5 e 19 pessoas, 7,6%; as que pertenciam à faixa de 20 e 99 pessoas, 1,4%; e as com mais de 100 pessoas respondiam por apenas 0,2% do total.

Em relação às unidades criadas em 1997, no primeiro ano de existência, cerca de 20% delas não sobreviveram. Após dois anos de criação, quase 30% das unidades já deixaram de existir, decorridos oito anos, apenas 51,6% ainda continuavam ativas.

 

                                      

 

Em 1997, cerca de 5,3% das unidades locais que nasceram na faixa de 0 a 4 pessoas ocupadas, no ano seguinte, já haviam alcançado a faixa seguinte (de 5 a 19 pessoas ocupadas). Em contrapartida, 21,8% que iniciaram a sua atividade com porte entre 5 a 19 pessoas ocupadas, reduziram seu tamanho e passaram a fazer parte da faixa de 0 a 4. Ainda após um ano de existência, 75,0% das unidades locais permaneceram em suas faixas de origem, entretanto, para as unidades na faixa de 0 a 4 pessoas ocupadas esse percentual foi de 94,2%.

Após oito anos (de 1997 a 2005) no mercado, 88,1% das unidades locais criadas na faixa de 0 a 4 pessoas ocupadas continuavam nessa faixa, contudo, 10,5% dessas unidades subiram para a faixa de 5 a 19 pessoas ocupadas. Dentre aquelas que se estabeleceram no mercado na faixa de 5 a 19 pessoas ocupadas, 47,1% permaneceram nessa faixa após oito anos e 42,4% reduziram de tamanho, passando para a faixa de 0 a 4 pessoas ocupadas. Na faixa de 20 a 99 pessoas ocupadas, 50,7% das unidades criadas, em 1997, continuavam ativas, em 2005, sem mudança na respectiva faixa de trabalhadores. Já na faixa de 100 e mais, 58,8% ainda existiam após oito anos de terem sido criadas.

O estudo mostra, também, que em 2005, 53,8% das unidades locais nascidas na Região Sul, em 1997, ainda estavam ativas. A menor taxa de sobrevivência foi observada na Região Norte, onde apenas 46,5% das unidades criadas continuavam ativas ao final de oito anos. Na Região Nordeste, 51,6% das unidades locais sobreviveram até 2005, percentual equivalente ao da Região Sudeste, 51,8%.

Em 2005, O Cadastro Central de Empresas somou 5,7 milhões de empresas em todo o país

Em 2005, o Cadastro Central de Empresas foi integrado por 5,7 milhões de empresas e outras organizações ativas, correspondendo a 6,1 milhões de unidades locais, que ocuparam 39,6 milhões de pessoas, e pagaram aos assalariados R$ 444,3 bilhões em salários e outras remunerações. Do total de pessoas ocupadas, 81,4% eram assalariadas e 18,6% sócios ou proprietários. Do total de empresas e outras organizações ativas em 2005, cerca de 5 milhões (89,9%) eram classificadas como entidades empresariais.

É marcante a elevada participação das empresas de menor porte, definido em termos do número de pessoas ocupadas, no mercado empresarial brasileiro, as empresas com até 4 pessoas ocupadas são responsáveis por 83,0% do total. Quando agregadas às empresas da faixa imediatamente superior, de 5 a 19 pessoas, as pequenas empresas passam a representar 96,9% do total.

A distribuição do número de pessoas ocupadas por porte de empresa, segundo faixas de pessoal ocupado total é menos assimétrica que a anterior, mostrando que as empresas com até 4 pessoas ocupadas representam apenas 22,6%, enquanto que as empresas com 100 pessoas e mais (0,5% do total de empresas) ocupam 38,9% do pessoal ocupado total.

A distribuição por porte das empresas brasileiras é compatível com a estrutura setorial. Comércio; reparação de veículos automotores, objetos pessoais e domésticos atuam 53,6% das empresas brasileiras, ocupando 31,7% do total de pessoas. Nas posições seguintes estão as Atividades imobiliárias, aluguéis e serviços prestados às empresas e as Indústrias de transformação, sendo que a participação da primeira no número de empresas e no número de pessoas ocupadas é equivalente (cerca de 13%), enquanto que para as Indústrias de transformação a participação no total das pessoas ocupadas (25,1%) é mais que o dobro da parcela relativa ao número de empresas (10,3%). Vale destacar que a atividade de Comércio; reparação de veículos automotores, objetos pessoais e domésticos tem um número médio de pessoal ocupado por empresa inferior à média nacional, assim como as atividades de Alojamento e alimentação e Outros serviços coletivos, sociais e pessoais.

 

 

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1taxa de entrada no mercado: relação entre o número de criações de empresas/unidades locais em um ano , dividido pela população de empresas/unidades locais do ano anterior. taxa de saída do mercado: relação entre o número de extinções de empresas/unidades locais em um ano, dividido pela população de empresas/unidades locais do ano anterior.

2 O CEMPRE engloba registros de pessoas jurídicas inscritas no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica – CNPJ, independentemente da atividade exercida ou da natureza jurídica. Este estudo considerou 5 milhões, das 5,7 milhões de empresas ativas que integravam o CEMPRE em 2005. Foram excluídas as entidades sem fins lucrativos e Administração Pública.

3Pessoal ocupado - Pessoas efetivamente ocupadas em 31.12 do ano de referência do Cadastro Central de Empresas - CEMPRE, incluindo pessoal assalariado com vínculo empregatício, bem como proprietários e sócios com atividade na unidade.

 4Pessoal assalariado - Pessoas efetivamente ocupadas em 31.12 do ano de referência do Cadastro Central de Empresas - CEMPRE, incluindo apenas pessoal assalariado com vínculo empregatício.

 5Uma empresa pode ter mais de uma unidade local. Neste estudo, foram consideradas 5,187 milhões de unidades locais e 5,094 empresas.

6taxa de sobrevivência relação entre o número de empresas/unidades locais que entraram num ano t e que permaneceram ativas em um ano t + n, dividido pela população de empresas/unidades locais criadas no ano t.