Plano de trabalho
Em Macapá, Diretoria de Geociências encerra apresentações regionais do Plano de Trabalho 2026 do IBGE
27/01/2026 11h36 | Atualizado em 27/01/2026 15h27
Com o anúncio dos preparativos do 12º Censo Agropecuário, Florestal e Aquícola e do Censo de População de Rua, além da modernização de três importantes trabalhos elaborados pela Diretoria de Geociências, o IBGE encerrou nesta segunda-feira (26/01) a série de cinco apresentações do Plano de Trabalho 2026. A solenidade aconteceu no auditório da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amapá (Fecomércio-AP), em Macapá. Além da Diretora de Geociências do IBGE, Maria do Carmo Bueno, estiveram presentes o presidente do IBGE, Marcio Pochmann, o superintendente do IBGE no Amapá, Augusto Cesar Borges, e o presidente da Fecomércio-AP, Ladislao Pedroso Monte, entre outros convidados e servidores do IBGE.
"Estamos concluindo uma semana de divulgações, em cada uma das cidades que representaram as cinco grandes regiões brasileiras. O IBGE precisa se preparar, para que possamos ter uma instituição à altura dos desafios que enfrentamos, assim como foi sonhado por Teixeira de Freitas”, disse o presidente.
Rodovias e Hidrovias, dois Censos, IA e royalties
Ao apresentar os destaques do Plano de Trabalho 2026 na área de Geociências, Maria do Carmo lembrou que a rotina da sua diretoria envolve várias tarefas, mais do que seria possível cobrir na apresentação. “Em 2026, o IBGE vai finalizar os preparativos para o Censo Agro, além de realizar testes para o Censo de População em Situação de Rua”, informou a diretora, sublinhando que os profissionais de Geociências da casa têm participação significativa nestes preparativos.
“A rotina básica das geociências do IBGE envolve atualizações cartográficas e estudos geodésicos. Além disso, temos a atualização da base territorial, incluindo os setores censitários e as imagens de satélite, que servem de insumo para os censos realizados pelo instituto”, disse a diretora, ressaltando que esses insumos, inclusive as imagens, alimentam os dispositivos móveis de coleta utilizados pelos recenseadores.
Maria do Carmo também informou que estão programadas melhorias “na questão de cobertura e uso das terras”, que tornariam esse levantamento mais dinâmico, mais rápido e mais eficaz. “Para isso, a gente pretende, inclusive, utilizar inteligência artificial”, ressaltou.
Outro destaque se refere ao cálculo dos royalties do petróleo, “uma questão que agora também interessa ao Amapá”, lembrou a diretora, em referência à nova fronteira petrolífera do país, situada na margem equatorial que, no futuro, deverá render divisas para aquele estado.
“O IBGE trabalha junto com a ANP, no cálculo da distribuição dos royalties do petróleo. Para isso, ainda utilizamos uma metodologia defasada, dos anos 1980. Sem alterar a legislação, pretendemos tornar esse cálculo mais moderno, utilizando softwares de geoprocessamento e tornando os resultados mais transparentes”, destacou a diretora. “Queremos apresentar os resultados através de mapas, para que não restem dúvidas sobre como os cálculos são feitos, uma vez que eles envolvem muito dinheiro e, por isso, estão sendo sempre questionados”, sublinhou.
Maria do Carmo também observou que “a maioria das pessoas acha que o IBGE só faz censo, ou que realizamos apenas pesquisas nas áreas econômicas. Mas a Diretoria de Geociências também pesquisa”. “Este ano, iremos a campo investigar as ligações rodoviárias e hidroviárias”, disse. Segundo a diretora, este trabalho detalha as ligações por rodovias, cursos d’água ou mar, em todos os municípios do país, incluindo distâncias, tempo de duração dos percursos, origem e destino, preços de passagens, etc. “Esses resultados servem de insumos para outras áreas das Geociências, como o estudo sobre as Regiões de Influência das Cidades, o famoso Regic, além da atualização das divisões regionais utilizadas pelo IBGE. Até a metade do ano, faremos testes e treinamentos, além de desenvolver do nosso software. A partir do meio de 2026, iremos a campo”, informou.
A diretora encerrou sua apresentação pedindo a colaboração dos servidores e dos usuários das informações do IBGE nas tarefas de 2026, “para que todos usufruam dos resultados de nossas pesquisas, sempre tão importantes”.
Pochmann lembra os esforços do IBGE na área de TI
O presidente do IBGE reforçou a importância dos projetos a serem desenvolvidos pela Diretoria de Geociências em 2026 e ressaltou que o IBGE e o país enfrentam os desafios ocasionados “pela nova revolução informacional”.
Pochmann destacou, ainda, os desafios ocasionados pelas transformações demográficas delineadas nas Projeções de População do IBGE: “Haverá municípios perdendo população, com a queda da taxa de fecundidade”. Para o presidente do IBGE, as consequências da transição demográfica abrangem desde a redução no número de matrículas no ensino fundamental até os desafios na área da Saúde Pública, devido ao envelhecimento da população brasileira.
Após a apresentação de Pochmann, o presidente da Fecomércio-AP, Ladislau Pessoa reiterou o agradecimento pela escolha do estado para sediar o evento de encerramento das apresentações do Plano de Trabalho do IBGE e reforçou as intenções de sua entidade em apoiar o trabalho do instituto naquele estado. Quebrando um hiato de 40 anos, trata-se da primeira visita de um presidente do IBGE à Superintendência do Amapá desde o início dos anos 1980, quando Jesse Montello, então presidente do IBGE, esteve no local. Também é a primeira vez que Macapá sedia uma apresentação de Plano de Trabalho do IBGE.
Perdas em 2025
Na abertura da solenidade, foi feita uma homenagem a Haroldo Canto Ferreira, superintendente do IBGE no Amapá, que faleceu em 15 de setembro do ano passado. O discurso do titular da Seção de Disseminação de Informações (SDI) amapense destacou a importância do trabalho de Haroldo para a consolidação institucional do IBGE na região. Parte desse reconhecimento foi o lançamento do Plano de Governança Corporativa, idealizado em sua gestão, que será implementado ao longo de 2026.
Pochmann reforçou a importância de Haroldo para o instituto e lembrou outras duas perdas significativas no quadro de servidores, também ocorridas em setembro: Manoel José de Souza Neto e Valmir de Souza e Silva, durante o incêndio na Reserva Ecológica do IBGE, em Brasília.
No final da solenidade, o superintendente do IBGE no Amapá, Augusto Cesar Borges, agradeceu aos presentes e lembrou da perda “de uma pessoa que dedicou sua vida ao IBGE”, referindo-se a Haroldo Canto Ferreira. Também destacou os desafios enfrentados por aquela unidade estadual do IBGE, inclusive da coleta de informações junto às empresas. “Apesar da grande perda que tivemos em 2025, conto muito com as parcerias e com a equipe do IBGE para termos sucesso em 2026”, concluiu.
Nove décadas de Memória
O coordenador do Centro de Documentação e Disseminação de Informações (CDDI), José Daniel Castro, falou sobre os melhoramentos feitos no portal do IBGE na internet, destacando as novas áreas para os relatórios de trabalho, para as agendas e para a memória do instituto.
Pochmann, por sua vez, destacou o grupo de trabalho que trata da memória da casa e lembrou que Teixeira de Freitas foi “o presidente mais longevo desta casa, um revolucionário, que pegou em armas”, destacando, ainda, os diversos cargos públicos ocupados pelo primeiro presidente do IBGE. “Graças a ele, temos as áreas de Geociências e de Estatísticas numa mesma instituição, o que é extremamente vantajoso para o Brasil, principalmente com as atuais tecnologias”.
O presidente ainda detalhou a evolução das pesquisas do IBGE ao longo do século XX, incluindo a adoção de pesquisas amostrais, os índices de preços e o PIB. O presidente também lembrou a ditadura e a censura imposta ao trabalho do IBGE: “A memória é para lembrar que já vivemos situações que não desejamos que aconteçam novamente”, concluiu.
A apresentação da Diretoria de Geociências em Macapá foi o quinto e último evento da série de cinco encontros regionais que detalharam aspectos do Plano de Trabalho 2026 do IBGE. Na terça-feira (20), o Plano de Trabalho 2026 foi apresentado em São Francisco do Conde (BA); na quarta-feira (21); em Brasília (DF); na quinta-feira (22), em Curitiba (PR); e na sexta, em Belo Horizonte (MG). Os eventos contaram com a audiência de cerca de 500 pessoas, de forma presencial, e centenas pela internet, acompanhando as transmissões ao vivo.
Assista à apresentação do Plano de Trabalho 2026 em Macapá na íntegra: