Nossos serviços estão apresentando instabilidade no momento. Algumas informações podem não estar disponíveis.

RECOR

IBGE e Instituto Federal de Brasília realizam estudo de monitoramento remoto no Cerrado

Editoria: IBGE | Esther Gama sob supervisão dos editores

26/03/2025 15h33 | Atualizado em 28/03/2025 10h01

A Reserva Ecológica do IBGE é uma área protegida, que preserva as características originais do Cerrado - Foto: Thanan Rodrigues

Pesquisadores do Instituto Federal de Brasília (IFB), em parceria com equipe da Reserva Ecológica do IBGE (RECOR), localizada no Distrito Federal (DF), realizaram no mês de março mais uma etapa do estudo sobre uso do monitoramento remoto como ferramenta de pesquisa em áreas de Reserva do Cerrado. Iniciado em maio de 2024, o estudo tem como objetivos o aprimoramento do uso de diferentes técnicas de mapeamento por sensoriamento remoto focadas nas peculiaridades do Cerrado e o fornecimento de dados para gestores da RECOR.

O trabalho consistiu em utilizar imagens de satélites de alta resolução para gerar o mapeamento das principais classes de informações do tipo de vegetação do Cerrado, como floresta, savana, campos característicos, solo exposto e o samambaião, espécie frequentemente encontrada dominando áreas do Cerrado que sofreram degradações, sendo um obstáculo à regeneração natural de espécies típicas da região. O acompanhamento remoto gera informações que podem servir para detectar a ocorrência de regeneração de vegetações que sofreram algum impacto ou indicar a ocorrência de outras alterações no local.

De acordo com a professora responsável pela pesquisa, Thanan Rodrigues, docente em Geotecnologias do curso de Licenciatura em Geografia do Instituto Federal de Brasília, o principal objetivo do estudo é fornecer dados para que gestores da Reserva possam utilizar e realizar monitoramentos ao longo do ano, de modo que consigam tomar decisões baseados em dados confiáveis e rápidos. “Também testamos a aplicação de métodos de monitoramento remoto aliados a um ramo da Inteligência Artificial. A Reserva é uma área protegida que preserva as características originais do Cerrado, a partir desse ambiente, conseguimos trabalhar como se fosse um laboratório da grande área que é o Cerrado e conseguiremos expandir o estudo para uma área natural maior”.

“O trabalho é importante para a gente saber qual é o balanço entre, por exemplo, uma área de campo e uma área de floresta. É importante para saber se está tendo alguma modificação desejável ou não. E, em alguns casos, é possível identificar alguma perturbação. Nesse estudo, especificamente, identificamos o samambaião, um tipo de espécie oportunista, que quando tem uma brecha num ambiente que se degrada, ela coloniza essa área. Esse tipo de ferramenta permite, também, detectar uma invasão, atos ilícitos ocorrendo na área, modificações naturais e modificações causadas por perturbações”, pontuou o analista da Gerência de Meio Ambiente e Geografia (GMAG) do IBGE, Frederico Takahashi.

O início das atividades de campo, com visitas para apresentação dos tipos de vegetação e registro de coordenadas, começou em maio de 2024. Na pesquisa, foi demonstrada aplicação dessa técnica em imagens de satélite obtidas entre 2021 e 2024 para avaliar a transição de um tipo de cobertura para outro e comparar como era a situação da vegetação em anos anteriores.

Também participaram da pesquisa o mestrando Arthur Dias e a graduanda Taline Lima, ambos estudantes de Geografia - Foto: Thanan Rodrigues


Resultados dos mapeamentos da Reserva produzidos por aprendizado de máquina - Arquivo RECOR

Transições de classes observadas entre os anos de avaliação (GRA – campo; SAV – savana; BS – solo exposto; SAM – samambaião; FOR – floresta) - Arquivo RECOR

“É importante que haja aproximação do poder público com a ciência, e nesse projeto específico, vislumbramos o futuro, porque dentro do serviço público conseguimos atender uma necessidade que estava acontecendo ali. O sensoriamento remoto é uma ciência promissora importante que está produzindo resultados rápidos para que essas instituições possam utilizar. Na próxima fase do projeto, vamos utilizar imagens de drone que possuem uma visualização melhor da área para termos um panorama mais detalhado das características da Reserva”, reiterou a professora Thanan Rodrigues.