Produção agrícola
Estimativa da soja aponta novo recorde na série histórica
11/06/2026 09h00 | Atualizado em 11/06/2026 10h18
A estimativa de maio de 2026 para a safra nacional de grãos foi de 350,4 milhões de toneladas, um crescimento de 4,3 milhões de toneladas em relação ao ano anterior, o que corresponde a um aumento de 1,2%. Em relação a abril, a elevação foi de 0,5%. As informações são do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), divulgado hoje (11) pelo IBGE.
O arroz, o milho e a soja, que são os três principais produtos deste grupo, representaram o total de 92,8% da estimativa da produção e respondem por 87,6% da área a ser colhida. Em relação ao ano anterior, houve crescimentos de 1,1% na área a ser colhida da soja; de 3,3% na do milho (aumentos de 10,7% na 1ª safra e de 1,5% na 2ª safra); e de 9,3% na do sorgo. As quedas foram de 5,0% na do algodão herbáceo (em caroço); de 11,6% na do arroz em casca; e de 4,4% na do feijão. No que se refere à produção, ocorreram acréscimos de 5,1% para a soja e de 3,9% para o sorgo; e decréscimos de 8,1% para o algodão herbáceo (em caroço); de 11,4% para o arroz em casca; de 1,7% para o milho (crescimento de 15,8% para a 1ª safra e declínio de 5,5% para a 2ª safra); de 5,8% para o feijão; e de 7,8% para o trigo.
O crescimento da produção brasileira de grãos se deve aos maiores investimentos realizados pelos produtores, que ampliaram as áreas de plantio, bem como aumentaram os aportes de tecnologia nas lavouras, embora alguns produtos não estejam apresentando uma rentabilidade satisfatória. O clima também vem favorecendo as lavouras na maior parte das unidades da federação produtoras. A produção de grãos é recorde da série histórica, sendo que, em 2026, o grande destaque da safra é a soja, já que sua produção alcança quase metade do volume total estimado.
O técnico da Coordenação de Agropecuária do IBGE, Carlos Barradas, destaca o desempenho da oleaginosa. “No Levantamento Sistemático da Produção Agrícola de maio de 2026, temos um recorde na produção da soja, do café canephora e do sorgo. No entanto, temos uma queda na produção do feijão, cuja produção encontra-se apertada quanto a atender ao consumo interno brasileiro, possivelmente, havendo a necessidade da importação de pequenas quantidades do produto”.
Centro-Oeste mantém a liderança na produção de grãos
A grande região que liderou o volume de produção de cereais, leguminosas e oleaginosas foi a Centro-Oeste com 175,9 milhões, o que corresponde a 50,2%. Em seguida, Sul, com 92,4 milhões (26,4%); Sudeste, com 30,8 milhões (8,8%); Nordeste, com 29,8 milhões (8,5%); e Norte, com 21,5 milhões (6,1%). A estimativa da produção de grãos apresentou variação anual positiva para as regiões Sul (7,1%) e Nordeste (7,5%); e negativas para Centro-Oeste (-1,5%), Sudeste (-0,9%) e Norte (-3,8%). Quanto à variação mensal, apresentaram crescimentos na produção: Sul (0,3%), Sudeste (0,6%) e Centro-Oeste (0,8%), enquanto Nordeste (-0,3%) e Norte (-0,2%) apresentaram declínios.
Entre as unidades da federação, Mato Grosso lidera como o maior produtor de grãos com participação de 31,0%, seguido pelo Paraná (13,6%), Rio Grande do Sul (10,7%), Goiás (10,6%), Mato Grosso do Sul (8,3%) e Minas Gerais (5,5%), que, somados, representaram 79,7% do total.
Soja atinge novo recorde da série histórica
A estimativa da produção brasileira de soja em grão alcançou 174,6 milhões de toneladas, novo recorde da série histórica, com aumento de 0,3% em relação a abril e de 5,1% frente ao volume obtido em 2025 (166,1 milhões de toneladas). A área cultivada deve atingir 48,3 milhões de hectares, crescimento de 1,1% em comparação ao ano anterior, enquanto o rendimento médio esperado, de 3.617 kg/ha, representa avanço de 4,0% na mesma base de comparação, consolidando a manutenção de elevados níveis tecnológicos e a recuperação das regiões que haviam sido mais afetadas por eventos climáticos adversos na safra anterior.
Carlos explicou sobre o recorde da série histórica da produção da soja em 2026. “Os produtores têm ampliado as áreas de plantio e investido mais nessa cultura que se tornou o principal grão produzido pelo país. Atualmente, a produção da soja representa quase 50% da safra brasileira de cereais, leguminosas e oleaginosas. O clima também beneficiou o desenvolvimento das lavouras e contribuiu para o aumento de sua produtividade”.
O Mato Grosso, maior produtor nacional, aumentou suas estimativas em 0,3%, chegando a 50,7 milhões de toneladas. O Paraná, com 22,0 milhões de toneladas, mantém a segunda maior produção do país, apresentando pequenos ajustes nas estimativas esse mês, mas com crescimento de 2,7% frente a 2025. No Rio Grande do Sul, a estimativa de maio indicou produção de 18,4 milhões de toneladas, mantendo a recuperação de 34,6% em relação à safra do ano anterior. No Mato Grosso do Sul, a produção foi estimada em 15,8 milhões de toneladas, apresentando crescimento de 0,9% na produção, em função, principalmente, da melhor produtividade.
Capacidade de armazenagem agrícola cresce 1,1% e chega a 233,8 milhões de toneladas no segundo semestre de 2025
A Pesquisa de Estoques, também divulgada hoje (11) pelo IBGE, mostrou que a capacidade disponível para armazenamento no Brasil foi de 233,8 milhões de toneladas, no 2º semestre de 2025, 1,1% superior ao semestre anterior. Já o número de estabelecimentos (9.668) cresceu 0,5% frente ao primeiro semestre de 2025.
Apenas a Região Sul apresentou redução no número de estabelecimentos no período, enquanto as demais apresentaram aumento, com destaque para a região Norte, que subiu 4,7%; seguido do Nordeste (1,9%); Sudeste (1,5%) e Centro-Oeste (0,3%).
Em relação aos estoques dos cinco principais produtos agrícolas existentes nas unidades armazenadoras, em 31/12/2025, os estoques de milho representaram o maior volume (22,8 milhões de toneladas), seguidos pelos estoques de soja (7,3 milhões), trigo (6,0 milhões), arroz (2,9 milhões) e café (0,8 milhão). Estes produtos constituem 90,3% do total estocado entre os produtos monitorados pela pesquisa, sendo os 9,7% restantes compostos por algodão, feijão preto, feijão de cor, e outros grãos e sementes. No total, a pesquisa levantou 44,1 milhões de toneladas de produtos que monitora.
Analisando a série histórica da pesquisa, nos últimos 28 anos, os armazéns convencionais apresentaram uma queda na capacidade de 56,9%. Já a capacidade dos armazéns graneleiros e silos cresceu 151,4% e 469,7%, respectivamente. O aumento destes tipos de armazenagem está associado à expansão da produção nacional de grãos nas últimas décadas, pois estes produtos geralmente são estocados em armazéns graneleiros e silos.
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