SINGED Lab
IBGE apresenta Singed Lab Desastres, plataforma inédita para prevenir impactos climáticos e do El Niño
23/06/2026 18h34 | Atualizado em 23/06/2026 19h17
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apresentou, nesta terça-feira (23), o Singed Lab Desastres, iniciativa voltada à preparação de gestores públicos e privados para o enfrentamento dos impactos das mudanças climáticas. A plataforma integra a estratégia nacional de atenção ao El Niño, cuja probabilidade de ocorrência tende a aumentar ao longo de 2026.
O Singed Lab Desastres entrará em operação em 1º de julho. Na mesma data, o IBGE divulgará os primeiros resultados da Pesquisa Especial sobre as Enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul (PEERS).
O lançamento da plataforma, transmitido pelo IBGE Digital, começou a exibição de vídeo do presidente Marcio Pochmann, que está representando o IBGE na reunião anual da OCDE, em Paris; do diretor de Tecnologia da Informação, Marcos Mazoni; do coordenador-geral do Centro de Documentação e Disseminação de Informações, José Daniel Castro da Silva; do diretor-adjunto da Diretoria de Pesquisas, Vladimir Gonçalves Miranda; do diretor-adjunto de Geociências, Gustavo Cayres; e do diretor-adjunto do Centro de Documentação e Disseminação de Informações, Leandro Albertini. Também participou do evento o coordenador-geral da Escola Nacional de Ciências Estatísticas (ENCE), Jorge Abrahão de Castro.
No contexto das mudanças climáticas no clima do Sul Global, o IBGE está reorganizando sua agenda de pesquisas e estudos geocientíficos, ampliando sua missão institucional para incorporar, de forma mais estruturada, a produção de informações voltadas à prevenção e à mitigação de desastres. Desse movimento fazem parte tanto a Pesquisa Especial sobre as Enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul (PEERS) quanto o próprio Singed Lab Desastres.
“Com a plataforma, o IBGE dá um passo fundamental para que o Brasil possa avançar em plena mudança climática, com melhores condições de avaliar seus efeitos, mas também de se preparar para atuar de forma preventiva. Isso é feito com inteligência de dados geocientíficos e estatísticos, que permitem aos gestores públicos atuar de forma mais racional e decisiva”, ressaltou Marcio Pochmann.
“Nesse sentido, o IBGE lança o Singed Lab Desastres, que é o Sistema Nacional de Geociências, Estatísticas e Dados, justamente para apoiar, na forma de um laboratório, experiências que vão desde a oferta de informações precisas até a formação de quadros para essa nova etapa que o Brasil está vivendo”, acrescentou.
O coordenador-geral do Centro de Documentação e Disseminação de Informações do IBGE (CDDI), José Daniel Castro da Silva, que mediou o encontro, lembrou que a superintendência do IBGE no Rio Grande do Sul foi atingida pela enchente de 2024 e que sua sede também foi alagada, com água chegando a um metro e meio de altura. “Então, o IBGE fez uma força-tarefa, chamada Singed Lab, voltada ao atendimento personalizado dos municípios. Chegamos a ter mais de 1.500 pessoas sendo atendidas, entre gestores públicos e privados, em mais de 200 municípios. Além dos municípios que de fato haviam sido alagados, outros sofreram impactos porque o oxigênio de um hospital dependia de uma estrada localizada em um município que perdeu uma ponte. A experiência do Singed Lab foi exitosa também como órgão de governança de dados e na criação da PEERS”, comemorou José Daniel Castro da Silva.
A construção da plataforma está a cargo da Diretoria de Tecnologia da Informação do IBGE, cujo diretor, Marcos Mazoni, destacou, no evento online, que “a plataforma será toda baseada em software livre e, portanto, poderá ser replicada por outros órgãos. A ideia é que os gestores possam criar debates, encontros online, registros e análises de suas políticas. Queremos que seja útil não apenas nos momentos de crise, mas também que permita a prevenção e o debate contínuo sobre as políticas públicas municipais para enfrentar as mudanças climáticas”.
O diretor-adjunto da Diretoria de Pesquisas do IBGE, Vladimir Gonçalves Miranda, comentou sobre o caráter inédito da realização da PEERS, baseada em metodologias internacionais da ONU e do Banco Mundial. “Fizemos uma abordagem totalmente por telefone com a população atingida nos municípios do Rio Grande do Sul. A coleta ocorreu entre o final do ano passado e o início deste ano. Levantamos informações não somente sobre os efeitos das enchentes, mas também sobre como as pessoas estão após o fenômeno, e isso trará subsídios importantes para os gestores e para a avaliação de políticas públicas voltadas a essa população.”
Já o diretor-adjunto da Diretoria de Geociências do IBGE, Gustavo Cayres, ressaltou que “as situações extremas acontecem no espaço, no território, e o IBGE, como instituição que congrega a Estatística e a Geografia, tem uma responsabilidade especial quanto a isso. Esses eventos possuem determinada recorrência e determinados impactos associados a porções muito específicas do território. Conhecer bem essas áreas é fundamental para que se possa atuar melhor tanto na prevenção de perdas quanto nos momentos em que for necessário agir rapidamente diante de um desastre”.
A Escola Nacional de Ciências Estatísticas do IBGE (ENCE) atuará na capacitação dos gestores públicos e privados, incorporando o Singed em quatro cursos autoinstrucionais, de 30 horas cada, dedicados a qualificar gestores municipais em práticas de planejamento baseadas na utilização de dados.
“Isso permitirá que o gestor local tenha, no caso da ocorrência de um desastre, acesso a um conjunto de informações sobre sua população, que virá diretamente do IBGE. Todos esses cursos estarão disponíveis na plataforma e tornarão possível ao gestor local atuar na prevenção de forma mais científica e elaborada, permitindo-lhe compreender a gravidade dos problemas que precisa enfrentar e elaborar políticas públicas mais adequadas. Eu acho que esta é a nossa grande contribuição”, afirmou o coordenador-geral da ENCE, Jorge Abrahão de Castro.
O diretor-adjunto do Centro de Documentação e Disseminação de Informações do IBGE (CDDI), Leandro Albertini, mostrou outra funcionalidade do portal: o ranking dos municípios, ferramenta já disponível na plataforma Cidades@ e que gera um arquivo em PDF com as principais informações de determinado município. “A ideia aqui no Singed Lab Desastres é fazer uma adaptação dessa área, de forma a integrar as variáveis contidas no curso de capacitação”, explicou Albertini.
No encerramento do encontro, o superintendente do IBGE no Maranhão, Marcelo Virgínio de Melo, lembrou que os desastres ambientais são muito heterogêneos. “Vamos poder atuar tanto na prevenção quanto na correção, com medidas mitigadoras e corretivas necessárias durante o desastre. Além disso, existe uma grande heterogeneidade entre esses desastres ambientais. Temos mudanças climáticas muito poderosas, mas também fatores como a erosão do solo, que é o que está acontecendo, por exemplo, no meu estado”, explicou Melo.
Singed Lab Desastres oferece treinamento a gestores que integrarão comissões municipais
Mais do que uma plataforma, o Singed Lab Desastres é uma iniciativa que apoiará gestores municipais a lidar com desastres ambientais, que causam impactos ao meio ambiente, à fauna, à flora e às comunidades humanas.
O Singed Lab Desastres funcionará com base em sete etapas: formação preventiva; ocorrência do desastre; suporte individualizado; orientações com base na pesquisa sobre o desastre no Rio Grande do Sul; Comissões de Prevenção de Desastres (CPD); capacitação; e iniciativas de médio e longo prazo.
As Comissões de Prevenção de Desastres no Brasil (CPD-IBGE) serão integradas por gestores públicos e privados, com a finalidade de prepará-los para prevenir e mitigar desastres.
“O Singed Lab Desastres inaugura uma nova fronteira para o Estado brasileiro: usar inteligência territorial e estatística não apenas para contabilizar perdas, mas para evitar que elas aconteçam”, concluiu Marcio Pochmann.
Singed Lab foi criado após as enchentes no Rio Grande do Sul
Lançado em 2024, após as enchentes no Rio Grande do Sul, e formado por uma equipe interdisciplinar, o Singed Lab IBGE tem por objetivo desenvolver projetos voltados ao diagnóstico e ao planejamento de políticas públicas, auxiliando na reconstrução das cidades atingidas pelas enchentes no estado.
Mais de 200 gestores, estudantes, docentes, profissionais liberais, membros de organizações da sociedade civil e agentes públicos municipais e estaduais participaram das duas turmas do treinamento online do Singed Lab, realizadas nos dias 3 e 7 de junho, entre outras ações da força-tarefa criada pelo IBGE para auxiliar na recuperação das cidades gaúchas afetadas.
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