IBGE
Reuniões em Paris consolidaram um novo patamar de cooperação entre o IBGE e a OCDE
22/06/2026 16h07 | Atualizado em 22/06/2026 16h11
No contexto da participação brasileira na 23ª Reunião da Comissão de Estatística e Política de Estatística da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Marcio Pochmann, realizou reuniões de trabalho com importantes dirigentes da organização, reforçando a aproximação entre o Brasil e os países membros da OCDE em torno da modernização das estatísticas oficiais e da governança de dados na era digital.
Os encontros ocorreram com Mônica Brezzi, diretora de Estatística e Dados da OCDE; Julien Dupont, chefe de Relações Globais da OCDE; e Jorrit Zeijenburg, chefe de Contas Nacionais da OCDE, em uma agenda voltada à ampliação da cooperação técnica, ao intercâmbio de experiências e ao desenvolvimento de iniciativas conjuntas em áreas estratégicas para a produção de informações públicas.
Durante as reuniões, foram discutidas as transformações em curso nos sistemas estatísticos nacionais diante da revolução digital, especialmente a incorporação de novas fontes de dados, o uso de inteligência artificial, a produção de estatísticas em tempo real, o fortalecimento das contas nacionais e a construção de sistemas de informações capazes de apoiar políticas públicas mais eficazes e preditivas.
O presidente do IBGE destacou que a aproximação com a OCDE representa uma oportunidade de aprendizado mútuo.
“O Brasil amplia o seu conhecimento na cooperação técnica a partir da experiência acumulada pelos países da OCDE, bem como possui importantes contribuições a oferecer, sobretudo pela dimensão e complexidade do seu sistema estatístico, pelas experiências de integração de registros administrativos e pelas inovações desenvolvidas para enfrentar desafios sociais, territoriais e ambientais”, afirmou.
Um dos temas centrais das reuniões foi a possibilidade de aprofundar a cooperação internacional em torno da harmonização de dados estatísticos entre o Mercosul e a União Europeia, em decorrência do acordo recentemente firmado entre os dois blocos econômicos. Os dirigentes ressaltaram que a convergência metodológica e a compatibilização de indicadores econômicos, sociais e ambientais constituem instrumentos fundamentais para ampliar a integração econômica, facilitar investimentos, fortalecer o comércio e aprimorar o acompanhamento das políticas públicas.
Nesse contexto, o IBGE apresentou iniciativas que podem contribuir para a construção de marcos comuns de produção e disseminação de informações estatísticas entre os dois blocos, em áreas como contas nacionais, comércio exterior, indicadores sociais, sustentabilidade e mensuração da economia digital.
Outro destaque da agenda foi a apresentação, aos dirigentes da OCDE, das diretrizes que compõem o Plano Geral de Informações Estatísticas e Geográficas 2026-2032 (PGIEG), documento estratégico que orientará a produção estatística e geográfica brasileira nos próximos anos.
O plano propõe uma ampla modernização do sistema nacional de informações, baseado em princípios como: a integração de registros administrativos e novas fontes de dados; o fortalecimento da soberania e da governança pública dos dados; a incorporação de tecnologias digitais e inteligência artificial; a produção de estatísticas mais tempestivas e preditivas; a ampliação da interoperabilidade entre instituições públicas; o desenvolvimento de indicadores voltados à transição ecológica e digital; o aperfeiçoamento das estatísticas territoriais e ambientais; e o fortalecimento da participação social e da transparência na produção de informações oficiais.
Os representantes da OCDE destacaram o caráter inovador do PGIEG ao combinar a agenda de transformação digital com a preservação do papel estratégico do Estado na coordenação e na governança das informações públicas.
As reuniões em Paris consolidaram um novo patamar de cooperação entre o IBGE e a OCDE, abrindo espaço para futuras iniciativas de intercâmbio técnico, capacitação e desenvolvimento conjunto de metodologias e indicadores.
Em um cenário internacional no qual os dados se tornaram ativos estratégicos para o desenvolvimento econômico e social, a aproximação entre o Brasil e a OCDE reforça a importância de construir sistemas estatísticos cada vez mais modernos, integrados e capazes de responder aos desafios de um mundo em rápida transformação.
Mais do que produzir números, a estatística oficial do século XXI tornou-se um instrumento de soberania, cooperação internacional e construção de estratégias para o desenvolvimento sustentável das nações. Por adotar essa perspectiva, os representantes da OCDE foram informados e convidados a participar da próxima Conferência Nacional de Agentes Produtores e Usuários de Dados no Brasil, prevista para ser realizada em dezembro de 2026.
