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Mapeamento

IBGE lança publicação com estratégia de amostragem para mapeamento de cobertura e uso da terra

Editoria: Geociências | Marcos Filipe Sousa

15/06/2026 10h00 | Atualizado em 15/06/2026 10h00

O IBGE, por meio da Coordenação de Meio Ambiente da Diretoria de Geociências, divulgou, hoje (15), o texto para discussão Estratégia de Amostragem para Mapeamento de Cobertura e Uso da Terra, documento que reúne fundamentos metodológicos e operacionais destinados a aprimorar a produção de informações geoespaciais nas estatísticas oficiais.

A publicação apresenta um modelo exploratório, aplicado inicialmente em uma área de estudo piloto para testes, e propõe diretrizes para a definição de estratégias de amostragem que aumentem a eficiência, a precisão e a representatividade para a produção de mapeamentos sobre cobertura e uso da terra em todo o território nacional. Trata-se de uma versão destinada ao debate técnico com partes interessadas, de modo que a estratégia seja conduzida para um protocolo versátil e replicável.

Ilustração do processo de amostragem e controle de qualidade dos pontos de treinamento para modelo de aprendizado de máquina. - Foto: Divulgação

A Bacia do Rio São Francisco foi selecionada como piloto por reunir características que favorecem a avaliação e o ajuste da metodologia proposta. Sua extensão territorial e diversidade de cobertura e usos da terra oferecem um cenário representativo de diferentes realidades ambientais e complexos paisagísticos. Assim, torna-a um laboratório adequado para aferir a aplicabilidade do modelo em contextos de interesse nacional, antes de sua ampliação para outras áreas do país.

O texto aborda de forma inovadora a integração de técnicas estatísticas e geotecnologias, combinando mapeamentos preexistentes de uso da terra com análises preditivas que estimam probabilidades e métricas de incerteza por classe, através da aplicação de algoritmos de aprendizado de máquina. A proposta permite identificar lacunas de representatividade amostral e priorizar áreas para coleta adicional, oferecendo subsídios para equilibrar a quantidade de pontos amostrados e a qualidade da classificação.

Dessa forma, o produto objetiva descrever processos com foco na garantia da qualidade dos dados que servirão de entrada para modelos de Inteligência Artificial, concebidos para assegurar a reprodutibilidade e a transparência, sem impedir ajustes metodológicos necessários durante a fase piloto e no posterior escalonamento para todo o território nacional. A estrutura modular do método desenhado facilita a aplicação escalonada das rotinas e a incorporação de melhorias com base em evidências empíricas.

“O objetivo é disponibilizar uma base técnica que oriente a otimização da amostragem e a validação posterior do modelo, buscando garantir a representatividade dos múltiplos elementos que compõe a diversidade das paisagens brasileiras, para gerar melhores resultados preditos pela IA”, comentou o Gerente de Observação de Cobertura e Uso da Terra, Cássio Almeida. Ele destaca ainda que a iniciativa contribui para a integração de dados geoespaciais e análises automatizadas nos processos de monitoramento ambiental e na produção de estatísticas oficiais.

Os resultados refletem o empenho institucional do IBGE no aprimoramento contínuo de seus processos de produção estatística e de geoinformação, bem como na ampliação do acesso público e transparente às suas metodologias. A iniciativa está alinhada a marcos internacionais de qualidade e governança de dados, como os Princípios Fundamentais das Estatísticas Oficiais e as diretrizes do Grupo de Gestão da Informação Geoespacial, ambos das Nações Unidas.

Esses referenciais orientam a produção estatística imparcial, transparente e comparável, bem como a gestão responsável e integração de informações geoespaciais, reforçando a necessidade de metodologias passíveis de verificação. Com isso, é possível garantir que as informações produzidas pelo Instituto atendam a padrões internacionais e sirvam de base confiável para políticas públicas e monitoramento de compromissos globais.

Especialmente para o tema de cobertura e uso da terra, a coordenadora de Meio Ambiente, Maria Luisa Pimenta, destacou a necessidade de atualização metodológica para responder às demandas atuais: “É preciso rever metodologias e escalas de mapeamento para produzir informações mais granulares e com maior rapidez, capazes de subsidiar decisões públicas em tempo hábil. Isso implica calibrar protocolos, adotar abordagens modulares e integrar técnicas automatizadas que permitam validar resultados e assim garantir a qualidade dos dados e a confiança na informação gerada.”