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Pesquisa Industrial Anual

Em 2020, minério de ferro foi o principal produto industrial do país

Editoria: Estatísticas Econômicas | Carmen Nery | Arte: Brisa Gil e Helena Pontes

21/07/2022 10h00 | Atualizado em 21/07/2022 10h16

  • Resumo

  • Os dez principais produtos e/ou serviços industriais foram responsáveis por 20,9% da receita líquida de vendas (RLV) na indústria (R$ 3,1 trilhões), ante 21,6% em 2019.
  • Os dez principais produtos sofreram alterações no ranking. Minério de ferro assumiu a liderança com alta de 1,5 ponto percentual e participação de 4,8% na RLV, trocando de lugar com os óleos brutos de petróleo, cuja participação caiu de 3,8% para 3,1%. Carnes de bovinos, que ocupavam a 5ª posição, subiu para 3ª em 2020.
  • As cinco principais atividades concentraram a 54,0% da receita líquida de vendas do setor industrial em 2020, ante 54,2% em 2019. Destaque para o ganho de participação da indústria alimentícia, de 16,6% para 19,3%, e a perda de 2,1 p.p. da indústria automotiva, com 8,1% da RLV e queda da 3ª para 4ª posição.
  • Entre os cinco itens que mais perderam posições, os quatro primeiros remetem a atividades afetadas pela pandemia: Querosene de aviação (58 posições), serviço de manutenção e reparo de aeronaves (23); caminhões com capacidade acima de 5t (21); e aviões (20).
  • A Preparação e misturas de minerais, vitaminas, contendo ou não medicamentos em alimentação para animais, exceto ração, foi a atividade que mais ganhou posições (34).
  • A Região Sudeste ainda concentra 53,3% da RLV, mas perdeu 6,8 p.p. de participação entre 2011 e 2020. Todas as demais regiões ganharam participação: Sul (20,8%, + 1,4 p.p.); Nordeste (10,1%, + 1,0 p.p.); Norte (8,4%, +1,9 p.p); e Centro Oeste (7,3%, 2,4 p.p.).
Minério de ferro assumiu a liderança entre os produtos industriais. - Foto: Leandro Grandi/Agência Vale

Essas são algumas das informações da Pesquisa Industrial Anual (PIA) Produto 2020, que investigou cerca de 3.400 produtos industriais de 29 setores. Entre as maiores participações na receita de vendas em 2020, o líder foi minério de ferro: 4,8%, 1,5 p.p. acima de 2019, reflexo da alta dos preços internacionais. O produto ultrapassou óleos brutos de petróleo, que liderava desde 2018 e teve participação de 3,1%, ou 0,7 p.p. abaixo de 2019.

Em terceiro, carnes de bovinos frescas ou refrigeradas galgou duas posições, passando de 2,1% para 2,4% de participação. A seguir vêm óleo diesel, que caiu da terceira para a quarta posição; e álcool etílico (etanol) não desnaturado, com teor alcóolico igual ou maior a 80, para fins carburantes, destinado a ser adicionado à gasolina, que ganhou uma posição apesar de a participação ter reduzido de 1,8% para 1,6%.

Synthia Santana, gerente de Análise Estrutural, destaca que a pandemia provocou a desestruturação de diversas cadeias produtivas, enquanto os indicadores macroeconômicos brasileiros indicaram redução no consumo das famílias, na taxa de investimento e no crédito. Os resultados da PIA Produto refletem os impactos dessa conjuntura de grave crise econômica e sanitária com consequências na demanda e na oferta do setor industrial.

“Enquanto alguns setores tiveram paralisação de fábrica e concessão de férias, outros experimentaram um ambiente diferente, especialmente aqueles relacionados a commodities que são ancorados em preços internacionais. Um exemplo é minério de ferro e grãos, que foram beneficiados durante a pandemia devido à alta dos preços internacionais”, analisa a gerente.

Dez produtos concentram 20,9% da receita líquida de vendas em 2020

Somados, os dez maiores produtos concentraram 20,9% do valor das vendas em 2020, participação inferior à assinalada em 2019 (21,6%). Frente a 2019, todos os produtos sofreram mudanças de posições, com destaque para minério de ferro, que passou do 2º para o 1º lugar.

Entre os 100 principais produtos, os que mais ganharam posições frente a 2019 foram Preparações e misturas de minerais, vitaminas, contendo ou não medicamentos para alimentação animal exceto rações (34 posições, de 101ª para 67ª); Automóveis com motor entre 1500 e 2500 cilindradas (32 posições, da 129ª para 97ª); Óleo de soja em bruto (26 posições da 60ª para 34ª); Computadores pessoais portáteis (25 posições, da 53ª para 28ª); e Ouro, em formas brutas, semimanufaturadas ou em pó (22 posições, da 47ª para 25ª).

Os que mais perderam foram Querosenes de aviação (58 posições, da 28ª para 86ª colocação); Serviço de manutenção e reparação de aeronaves, turbinas e motores de aviação, inclusive o serviço de pintura de aeronaves (23 posições, da 67ª para 90ª); Caminhões, com motor diesel, de capacidade máxima de carga superior a 5 t (21 posições, da 27ª para 48ª); Aviões de peso superior a 15.000 kg (20 posições da 33ª para 53ª) e Folhas de fumo (19 posições, da 77ª para 96ª).

“Produtos eletrônicos, que foram muito demandados durante a pandemia, ganharam 25 posições. Já entre as que mais perderam, das cinco, destacamos querosene de avião, que perdeu 58 posições, serviços de manutenção de aeronaves (23), caminhões (21) e aviões (20). Os principais são relacionados ao setor de transporte, que foi bastante afetado durante a pandemia”, diz Synthia.

Cinco atividades concentram 54% das receitas da indústria em 2020

Em 2020, a pesquisa investigou 29 setores. As cinco maiores participações na receita líquida de venda foram: indústria alimentícia (19,3%); fabricação de produtos químicos (10,8%); fabricação de coque, de produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (8,8%); indústria automotiva em quarto (8,1%); e metalurgia (7,0%). A soma destas cinco atividades industriais concentrou 54,0% do valor da receita líquida de vendas de produtos e serviços industriais em 2020, ante 54,2% em 2019.

Entre 2019 e 2020, destaca-se o aumento de participação da indústria alimentícia, que passou subiu 2,7 p.p, de 16,6% para 19,3% da RLV. Em contrapartida, a indústria automotiva perdeu 2,1 p.p. de participação, alcançando 8,1% da RLV em 2020 e caindo da 3ª para a 4ª posição.

Estendendo o ranking para as dez principais atividades da indústria, destacam-se a extração de minerais metálicos; a fabricação de máquinas e equipamentos; e a fabricação de produtos de borracha e de material plásticos, que subiram, cada uma, uma posição no ranking em relação a 2019. Já a extração de petróleo e gás natural perdeu 1,0 p.p., caindo da 6ª para 9ª posição.

Diversificação no Sudeste e no Sul e alta concentração no Norte e no Centro-Oeste

Entre as grandes regiões, o Sudeste foi a única a perder representatividade na composição da receita líquida de vendas em dez anos, caindo de 60,1% para 53,3%. Em contrapartida, as regiões Centro Oeste e Norte foram as que mais ganharam em participação, com incremento de 2,4 p.p. e 1,9 p.p., respectivamente.

A Região Sul foi a que mais apresentou mudanças na relação dos três principais produtos: o óleo diesel perdeu a primeira posição frente a 2011 e dois novos produtos passaram a compor o ranking: carnes e miudezas de aves congeladas, em 1º; e tortas, bagaços, farelos da extração de soja, em 3º.

A Região Sudeste, embora tenha permanecido com os três principais produtos – óleos brutos de petróleo 5,8%), minério de ferro (4,3%) e óleo diesel (2,1%) – mudou o ranking com óleos brutos de petróleo assumindo a liderança antes ocupada por minério de ferro.

A Região Centro-Oeste manteve os mesmos três principais produtos – carnes de bovinos frescas ou refrigeradas (12,9%); tortas, bagaços, farelos de extração de óleo de soja (9,9%); álcool etílico (etanol) não desnaturado, para fins carburantes (5,8%) – e o mesmo ranking.

Na Região Norte, minério de ferro ainda mantém a 1ª posição com 28,9%; seguido por um novo produto, carnes de bovinos frescas ou refrigeradas (5,0%); e televisores (4,8%), que perdeu uma posição.

No Nordeste, óleo diesel manteve a liderança com 4,3%, seguido por óleos combustíveis (3,7%) que ganhou posições; e por pastas químicas de madeira (2,8%), que entrou como novo produto no ranking da região.