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Inflação na indústria desacelera para 1% em maio com queda do dólar

Editoria: Estatísticas Econômicas | Caio Belandi

29/06/2021 09h00 | Atualizado em 29/06/2021 09h11


Setor de alimentos puxou a alta na inflação da indústria em maio - Foto: José Fernando Ogura-AEN PR

Os preços da indústria subiram 1% na passagem de abril para maio, resultado menor que a alta registrada de março para abril (2,19%), representando uma desaceleração da inflação de preços industriais. É também a menor variação de preços no ano de 2021. O acumulado no ano atingiu 17,58% enquanto o acumulado nos últimos 12 meses foi de 35,86%. Os dados são do Índice de Preços ao Produtor (IPP), divulgado hoje (29) pelo IBGE.

A taxa de maio é a 22ª positiva consecutiva na comparação mensal. A pesquisa mede a variação dos preços de produtos na “porta da fábrica”, sem impostos e frete, de 24 atividades das indústrias extrativas e da transformação. Dessas, 16 tiveram variações positivas em maio. A maior influência no índice veio de alimentos, que representou 0,35 ponto percentual do total, seguido por metalurgia (0,25 p.p.), refino de petróleo e produtos de álcool (0,18 p.p.) e produtos de metal (0,09 p.p.).

 

Um dos motivos da desaceleração, segundo o gerente do IPP, Manuel Souza Neto, foi a desvalorização do dólar no mês de maio. O real valorizou em cima do dólar em 4,9%, o que para o especialista é um percentual considerável para um único mês. “Com isso, uma série de produtos cotados em dólar caíram de preço”, explica.

A alta nos alimentos em maio foi de 1,48%. Assim, o setor registra variação acumulada de 8,96% no ano e de 30,54% em 12 meses. Os preços na atividade em maio de 2021 foram 30,54% maiores do que os de maio de 2020. Souza Neto afirma que o resultado em alimentos tem influência dos preços praticados no mercado externo e da estiagem que ocorreu no Brasil, que afetou a produção do leite. Alimentos também têm o principal impacto no índice anual (7,57 pontos percentuais em 35,86%).

Outra alta preponderante em maio foi na metalurgia (3,54%), a maior variação entre todas as atividades no mês. A alta acumulada pelo setor no ano é de 31,85% e 49,89% nos últimos 12 meses. Ambas são as maiores variações acumuladas da atividade em toda a série histórica, iniciada em 2014. “Impacto do preço dos insumos, em especial, do minério de ferro”, justifica o gerente da pesquisa.

Fecham as quatro atividades que mais influenciaram o resultado do mês refino de petróleo e produtos de álcool (1,80%) e produtos de metal (3,12%).

Em relação às grandes categorias econômicas, o IPP registrou uma queda em maio: de 0,36% em bens de capital. Já bens intermediários teve alta de 0,88%, enquanto bens de consumo subiu 1,48%, sendo que 1,13% em bens de consumo duráveis e 1,54% em bens de consumo semiduráveis e não duráveis.

Mais sobre a pesquisa

O IPP, cujo âmbito são as indústrias extrativas e de transformação, tem como principal objetivo mensurar a mudança média dos preços de venda recebidos pelos produtores domésticos de bens e serviços, bem como sua evolução ao longo do tempo, sinalizando as tendências inflacionárias de curto prazo no país. Constitui, assim, um indicador essencial para o acompanhamento macroeconômico e, por conseguinte, um valioso instrumento analítico para tomadores de decisão, públicos ou privados.

O IPP investiga, em pouco mais de 2.100 empresas, os preços recebidos pelo produtor, isentos de impostos, tarifas e fretes e definidos segundo as práticas comerciais mais usuais. Coletam-se cerca de 6 mil preços mensalmente. Adotando a Classificação Nacional de Atividades Econômicas - CNAE 2.0, o IPP gera indicadores para 24 atividades das indústrias extrativas e de transformação, além de reorganizar os mesmos dados em grandes categorias econômicas, abertas em bens de capital, bens intermediários e bens de consumo (duráveis e semiduráveis e não duráveis).