IV Volume

Atlas une geografia à literatura para retratar a costa brasileira

Editoria: Geociências | Marília Loschi

25/06/2021 10h00 | Atualizado em 25/06/2021 10h53

  • Resumo

  • Este é o quarto volume da série Atlas das representações literárias de regiões brasileiras, projeto inovador que identifica e caracteriza as regiões geográficas a partir de obras da literatura nacional.
  • Além de trechos dos romances, o Atlas traz fotos, imagens de satélite e mapas em diferentes escalas.
  • Neste volume, Costa brasileira, estão contemplados territórios desde o Rio Grande do Sul até Belém e foz do Rio Amazonas, passando por Santos, Rio de Janeiro, Salvador e Olinda, Recife e a Costa dos engenhos, entre outros.
  • O atlas contempla grandes autores como Jorge Amado, João Ubaldo Ribeiro, Dalcídio Jurandir, Ana Miranda, José Lins do Rego, José Cândido de Carvalho, Assis Brasil, Maria Firmina e Lima Barreto, com menção especial a Machado de Assis, no mês de seu 182º aniversário.

Do Rio Grande de São Pedro, no Rio Grande do Sul, até Belém e a foz do Rio Amazonas, a viagem pela costa brasileira pode ser feita nas melhores companhias. Jorge Amado, João Ubaldo Ribeiro, Ana Miranda, José Lins do Rego e José Cândido de Carvalho, entre outros, emprestam suas obras para unir geografia e literatura no quarto volume da série Atlas das Representações Literárias de Regiões Brasileiras, intitulado Costa brasileira, divulgado hoje (25) pelo IBGE. 

Aos trechos de romances, juntam-se fotos, imagens de satélite e mapas da costa brasileira - Arte: Helga Szpiz/Agência IBGE Notícias
Estátua de bronze de Jorge Amado na entrada da Casa de Cultura Jorge Amado, Ilhéus (BA) - Foto: Filipe Borsani, 2018
Marco do Quarto Centenário da fundação de São Vicente na Praia do Gonzaguinha, São Vicente (SP) - Foto: Marcelo Luiz Delizio Araujo, 2016
Igreja dos Santos Cosme e Damião, Igarassu (PE) - Foto: Cayo de Oliveira Franco, 2018
Elevador Lacerda, com Mercado Modelo abaixo e o mar ao fundo, Salvador (BA) - Foto: Felipe Mendes Cronemberger, 2017
Ilha Fiscal, Rio de Janeiro (RJ) - Foto: Luís Cavalcanti da Cunha Bahiana, 2017
Ruínas da Igreja de São Matias, Alcântara (MA) - Foto: Gustavo Medeiros de Pinho, 2018
Forte de Macapá (AP) - Foto: Evelyn Andrea Arruda Pereira, 2012
Ruínas do Engenho Central de Quissamã, Quissamã (RJ) - Foto: Marco Antonio de Carvalho Oliveira, 2016
Forte São Miguel (Fuerte San Minguel), Serra de San Miguel (Uruguai) - Foto: Marco Antonio de Carvalho Oliveira, 2017
Fortaleza de Santo Antônio de Ratones, Ilha de Ratones Grande, Baía Norte, Florianópolis (SC) - Foto: Thiago Gervásio Figueira Arantes, 2016

O livro dá continuidade à coleção iniciada com Brasil Meridional (2006) e Sertões Brasileiros I e II (2009 e 2016) e que terá ainda um quinto volume, Amazônia, ainda sem data prevista de lançamento. Aos trechos de romances, juntam-se fotos, imagens de satélite e mapas em diferentes escalas para compor cenários de regiões brasileiras que marcaram a trama de grandes obras da literatura nacional.

Costa brasileira contempla regiões constituídas a partir do desembarque de europeus em territórios que se tornaram colônias portuguesas, cuja ocupação foi determinada por interesses estratégicos da Coroa, como a proteção do território e a exploração de riquezas.

“Este volume é muito importante, porque aborda justamente o início do processo de ocupação do território e como ele se estendeu ao longo tempo. Há cidades que têm sua ocupação desde o período colonial”, comenta a geógrafa que coordena o projeto, Maria Lúcia Vilarinhos. “Nossa linha de costa é extensa e caracteriza-se pela presença de algumas de nossas maiores metrópoles”. O resultado, segundo ela, é uma expressiva produção literária, tanto pelos autores e autoras, mas também pela presença de público crítico e leitor.

Lugar de chegadas e partidas, a Costa também testemunhou um dos processos mais marcantes na constituição da sociedade brasileira – o desembarque de populações africanas que foram violentamente arrancadas de seus territórios de origem para aqui serem escravizadas. A escravidão e seus impactos na formação social brasileira, assim como a presença de grupos de habitantes originais do que hoje é o Brasil, também estão presentes na trama de vários romances nacionais.

“É importante dizer que o livro não é exaustivo no sentido de abordar toda a extensão da Costa brasileira, porque é impossível. E não é exaustivo em relação aos romances, porque é impossível citar toda a produção literária sobre determinadas regiões”, explica Vilarinhos. “Temos um volume bem diversificado, com escritores e obras nacionais muito importantes para se entender o processo de ocupação do território”.

Vilarinhos destaca o papel de Machado de Assis – “nosso autor maior”, fundador da Academia Brasileira de Letras, nascido em 21 de junho de 1839. “O Machado é um brilhante autor porque ele retrata a sociedade em que ele vive, naquele tempo, mas que nos permite entender a sociedade brasileira até hoje”, declara. Não por acaso, o mês em que se completam 182 anos de seu nascimento foi escolhido para o lançamento da Costa brasileira. A homenagem é uma forma de reconhecer a literatura como “instrumento luxuoso, valiosíssimo”, para entender nossa sociedade e nosso território.