Contas de Ecossistemas

Estudo experimental analisa quantidade e valor da produção florestal não madeireira por bioma

Editoria: IBGE | Caio Belandi | Arte: Jessica Cândido

15/04/2021 10h00 | Última Atualização: 28/04/2021 09h20

  • Resumo

  • O estudo mostra a evolução física e monetária de 10 produtos extraídos e cultivados, entre 2006 e 2016, ainda em caráter experimental: açaí (extraído e plantado), látex coagulado (extraído e plantado), erva mate (extraída e plantada), palmito (extraído e plantado), castanha-do-pará, pequi (fruto e amêndoa), babaçu, carnaúba (cera e pó), jaborandi e piaçava.
  • Esse trabalho procura medir a contribuição do meio ambiente para as atividades econômicas, assim como o impacto do uso desses recursos sobre a natureza. Seus dados integram o Sistema de Contas Econômicas Ambientais do IBGE, seguindo as recomendações das Nações Unidas (ONU).
  • A Amazônia e o Cerrado são os biomas com a maior variedade dos dez produtos florestais não madeireiros analisados.
  • O pequi amêndoa (-73%) e o látex coagulado extraído (-70%) mostraram as quedas de produção mais intensas. Já os maiores aumentos na produção foram do açaí extraído (113%), da erva mate cultivada (45%) e extraída (51%) e do palmito cultivado (60%).
  • No bioma Mata Atlântica, destaca-se a produção de 347 mil toneladas de erva mate extraída e, na Amazônia, a extração de açaí (215 mil toneladas).
  • Com forte valorização no mercado nacional e internacional, o açaí teve aumento de 113% na quantidade extraída, saindo de 101,3 mil toneladas em 2006 para 215,4 mil toneladas, em 2016.
  • Em 2016, o valor de serviço de provisão do açaí extraído foi estimado em R$ 703,1 milhões. Já o para o açaí cultivado, o valor foi de R$ 2 bilhões.

O IBGE lança hoje (15) as Contas de Ecossistemas: Produtos Florestais Não Madeireiros, estatística experimental com estudos sobre a evolução física e monetária de produção em cada bioma do país, entre 2006 e 2016.  A publicação tem duas seções com metodologias próprias, uma que analisa a produção florestal não madeireira por bioma e outra que realiza uma estimativa de valoração do serviço de provisão desses produtos.

Essas estatísticas compõem o Sistema de Contas Econômicas Ambientais, que segue as recomendações das Nações Unidas (ONU), em promover a integração de informações entre a economia e o meio ambiente. Os estudos e os seus resultados são classificados experimentais pois encontram-se em fase de teste e avaliação. Sua publicação pretende incluir a sociedade no processo de desenvolvimento desses indicadores, desde os estágios iniciais.

A pesquisa catalogou a provisão física e monetária dos 10 produtos extraídos e cultivados com maior expressão econômica, por bioma, de 2006 e 2016. São eles: açaí (extraído e plantado), látex coagulado (extraído e plantado), erva-mate (extraída e plantada), palmito (extraído e plantado), castanha-do-pará, pequi (fruto e amêndoa), babaçu, carnaúba (cera e pó), jaborandi e piaçava.

De 2006 para 2016, o Índice de Quantidade (IQ) mostra quedas na produção do palmito extraído (-34%), do babaçu (-47%), da piaçava (-44%), da carnaúba cera (-45%) e da carnaúba em pó (-51%). A queda acumulada mais intensa foi a do pequi amêndoa (-73%), seguido pelo látex coagulado extraído (-70%).

Por outro lado, houve aumentos na produção do açaí extraído (113%), o maior da pesquisa, e do açaí cultivado (8%), além do látex coagulado cultivado (8%), da erva-mate cultivada (45%) e da extraída (51%), do palmito cultivado (60%), da castanha-do-pará (21%) e do jaborandi (2%).

Observa-se claramente a substituição dos produtos extraídos pelos cultivados. Os destaques foram o látex coagulado (redução de 70% do extraído e aumento de 80% do cultivado) e o palmito (redução de 34% no extraído e alta de 60% no cultivado). 

Considerando o valor de produção em preços correntes, a partir da análise do Índice de Preço (IP), viu-se que os preços médios de todos os produtos subiram, à exceção do açaí cultivado (-55%). Os produtos que tiveram maior aumento foram a carnaúba cera e pó (237% e 244%, respectivamente), seguido da erva-mate extraída (207%) e pequi amêndoa (202%).

“A construção dos Índices de Quantidade e de Preço foi realizada considerando o ano-base de 2006, a partir das estatísticas da Produção Agrícola Municipal (PAM) e da Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura (PEVS) possibilitando identificar a evolução dos benefícios físicos e monetários gerados pela coleta desses produtos”, explica a técnica da pesquisa, Ivone Lopes Batista.

Amazônia se destaca com a maior variedade de produtos

Entre os biomas, o destaque da Mata Atlântica foi a erva mate extraída (347 mil toneladas) e, na Amazônia, a extração de açaí (215 mil toneladas), castanha-do-pará (34 mil toneladas) e babaçu amêndoa (16 mil toneladas).

Entre os produtos cultivados na Mata Atlântica, também chamam a atenção a erva mate (567 mil toneladas) e o látex coagulado (250 mil toneladas). Já no Cerrado, aparecem os cultivos do látex coagulado (47 mil toneladas) e do palmito (16 mil toneladas).

Nota-se, ainda, um aumento no volume dos produtos cultivados em cultura permanente, como a erva-mate (56%) e o palmito cultivados (114%), ambos na Mata Atlântica, e também da borracha, presente na Mata Atlântica (84%), Pantanal (447%) e Cerrado (79%).

#PraCegoVer Uma cesta cheia de frutos do açaí
A extração de açaí na Amazônia chegou a 215 mil toneladas - Foto: Bruna Stein Ciasca/Acervo IBGE

Valor de produção do açaí extraído na Amazônia aumenta 398% em 10 anos

O açaí é uma das espécies mais cobiçadas das florestas, com forte valorização no mercado nacional e internacional em função de suas propriedades nutricionais. De 2006 para 2016, a quantidade extraída de açaí cresceu 113%, saindo de 101,3 mil toneladas para 215,4 mil.

O Valor de Produção (VP) do açaí extraído, que em 2006 era de R$ 103,2 milhões, passou para R$ 514,2 milhões em 2016, representando, respectivamente, 22,3% e 39,7% do VP total dos produtos florestais não madeireiros extraídos. Esse aumento de 398% decorreu das altas no preço médio e na quantidade produzida do açaí extraído, no período. 

Estudo aponta a Valoração Experimental do Serviço de Provisão

A segunda seção da pesquisa traz um estudo sobre a Valoração Experimental do Serviço de Provisão. “O cálculo do Valor do Serviço de Provisão utiliza dados do Censo Agropecuário de 2006, além da Produção Agrícola Municipal (PAM), da Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura (PEVS) e de variáveis do Sistema de Contas Nacionais”, afirma Michel Lapip, gerente do estudo. “Provisão é a categoria de serviços ecossistêmicos que abrange produtos obtidos diretamente do ecossistema, como alimentos, fibras naturais, madeira para combustível, água etc”, explica Lapip.

Em 2016, o Valor do Serviço de Provisão dos produtos extraídos foi estimado em R$ 703,1 milhões para o açaí, R$ 65,1 milhões para o babaçu amêndoa, R$ 55 milhões para a castanha-do-pará, R$ 47,2 milhões para o palmito, R$ 34,8 milhões para a carnaúba pó, R$ 17,2 milhões para a piaçava, R$ 9 milhões para o jaborandi. R$ 7,5 milhões para a carnaúba cera, R$ 3,9 milhões para o látex coagulado, R$ 2,6 milhões para o pequi e R$ 1,1 milhão para a erva-mate.

Entre 2006 e 2016, os produtos extraídos com maior crescimento no valor do serviço de provisão foram o açaí extraído (436%), a castanha-do-pará (345%), a erva mate e o jaborandi (ambos com aumento de 229%), a carnaúba cera (152%), a piaçava (68%) e a carnaúba pó (62%). Por outro lado, as quedas ocorreram nos valores do látex coagulado extraído (-65%), pequi (-47%), babaçu amêndoa (-19%) e palmito (-6%).

Para os produtos cultivados, o valor do serviço de provisão em 2016 foi de R$ 2 bilhões para o açaí, R$ 288 milhões para a erva-mate, R$ 76,1 milhões para o palmito e R$ 5,6 milhões para o látex coagulado.

De 2006 a 2016, os produtos cultivados com maior crescimento no valor estimado do serviço de provisão foram o açaí cultivado (2.559%), a erva-mate cultivada (462%) e o palmito cultivado (101%). Já o látex coagulado cultivado apresentou queda (-89%).