Produção agrícola

Com 264,9 milhões de toneladas, safra 2021 pode superar recorde em 4,2%

Editoria: Estatísticas Econômicas | Cristiane Crelier

08/04/2021 09h00 | Última Atualização: 28/04/2021 09h20

#PraCegoVer A foto mostra um campo de soja com um trator do lado esquerdo
Estimativa de março para produção da soja em 2021 registra novo recorde somando 131,8 milhões de toneladas - Foto: Gilson Abreu/AEN-PR

A produção agrícola nacional continua a bater recordes. Pela estimativa de março, a safra nacional de grãos de 2021 deve ultrapassar a de 2020 em 10,7 milhões de toneladas (4,2%), somando 264,9 milhões de toneladas. Com destaque para a previsão da soja, que deve atingir mais um marco inédito, 131,8 milhões de toneladas. Além disso, outras culturas vêm crescendo, como a do trigo e da uva. As informações são do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), divulgado hoje (8), pelo IBGE.

“A colheita da soja está perto de ser concluída na maioria das unidades da federação, mas está com atraso em relação ao ano anterior, que foi causado pelo plantio tardio devido à estiagem no início da primavera. Com o retorno das chuvas, a partir de dezembro, as lavouras se recuperaram e a cultura se desenvolveu de maneira satisfatória. Embora atualmente o excesso de chuvas venha causando problemas em alguns estados, tanto na colheita quanto no escoamento da safra, restam poucas áreas a serem colhidas e a produção da oleaginosa deverá ficar 8,5% (10,3 milhões de toneladas) acima da de 2020”, explica o gerente da pesquisa, Carlos Barradas.

Segundo o pesquisador, a demanda aquecida e o dólar em alta têm favorecido a comercialização da soja e incentivado os produtores a aumentarem o plantio. No final de março de 2021, a saca de 60 kg do produto foi comercializada a R$ 173,30, 3,49% acima do mês anterior. Na região integrada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia (Matopiba), por exemplo, quase todos os estados apresentam aumentos expressivos na produção, como o Piauí (15,6%), a Bahia (7,6%) e o Maranhão (3,8%) – a exceção é o Tocantins (-6,3%).

Além disso, em função do atraso na colheita da soja, a “janela de plantio” do milho 2ª safra foi estreitada, o que pode trazer maior insegurança quanto ao comportamento do clima durante o ciclo dessa cultura.

“Por esse motivo é que está havendo declínio nas estimativas do rendimento médio dessa safra em algumas unidades da federação importantes, como é o caso do Mato Grosso (-8,9%), de Goiás (-8,2%) e do Mato Grosso do Sul (-9,2%). Esses estados conjuntamente devem responder por 68,0% da produção do milho 2ª safra do País em 2021. Caso haja um prolongamento das chuvas durante o outono nesses estados, a safra brasileira de grãos poderá ser ainda maior”, assinala Barradas.

Outra commodity que vem atraindo os produtores é o trigo. Com preços em alta, este cereal de inverno tem se tornado mais atrativo ao cultivo.

“Como importamos quase a metade de todo o trigo que é consumido no país, os preços do cereal acabam muito atrelados ao câmbio e, com a valorização do dólar fazendo os preços subirem, os produtores têm se esforçado para aumentar o cultivo do trigo de modo a substituir parte das importações”, explica Carlos Barradas.

Além dos grãos, cabe destaque também para o aumento na produção de uvas. A estimativa da produção foi de 1,7 milhão de toneladas, crescendo de 4,9% em relação ao mês anterior e de 18,7% em relação a 2020. Isso de deve ao bom rendimento das lavouras. Em março, a produção do Rio Grande do Sul, responsável por 56,5% da safra nacional de uvas, foi reavaliada com crescimento de 8,5% em relação à estimativa anterior e de 29,2% frente a 2020, alcançando 950,2 mil toneladas.

“As condições de estiagem, combinadas com grande amplitude térmica diária, de dias quentes e noites frias, ocorridas no final da primavera e início do verão, não anteciparam o ciclo e foram muito favoráveis para a quantidade e a qualidade enológica das uvas precoces. O consumo de vinho durante a pandemia de Covid-19 cresceu bastante, reduzindo os estoques comercializáveis de uva. Mas as cooperativas do Rio Grande do Sul esperam recompor esses estoques durante o ano, bem como o estoque de passagem até a próxima colheita”, afirma Barradas.

Outras unidades produtoras também esperam crescimento da produção em relação a 2020, como Pernambuco (15,3%) e Bahia (8,9%), estados em que se localiza o Vale do São Francisco e que, junto com o Rio Grande do Sul, respondem por 82,6% da produção nacional de uva. Enquanto no Sul a maior parte das uvas tem como destino a produção de sucos, no Nordeste, a maior parte vai para o consumo de mesa.

Na informação do LSPA de março em relação à de fevereiro, destacaram-se as variações positivas nas produções de trigo (8,1% ou 541,6 mil toneladas), cevada (7,9% ou 31,3 mil toneladas), feijão de 1ª, 2ª e 3ª safra (0,8%, 5,0% e 1,7%, somando 77 mil toneladas), uva (4,9% ou 78,4 mil toneladas), sorgo (2,4% ou 67,5 mil toneladas), soja (1,1% ou 1,4 milhão de toneladas) e arroz (0,9% ou 100,3 mil toneladas). Porém, são esperados declínios na produção do milho de 1ª e 2ª safra (-1,5% e -0,1% ou 471,2 mil toneladas) e da aveia (-0,3% ou 2,5 mil toneladas).

As regiões Sul (13,7%), Sudeste (3,5%), Norte (1,4%) e Nordeste (3,3%) tiveram altas em suas estimativas. Já o Centro-Oeste, que é o maior produtor (45,5% do total), deve ter queda de 0,9%.

Implementado em novembro de 1972, o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) fornece estimativas de área plantada, área colhida, quantidade produzida e rendimento médio de produtos selecionados com base em critérios de importância econômica e social para o país. A pesquisa permite não só o acompanhamento de cada cultura investigada, desde a fase de intenção de plantio até o final da colheita, no ano civil de referência, como também o prognóstico da safra do ano seguinte, para o qual é realizado o levantamento nos meses de outubro, novembro e dezembro.