Preços ao produtor

Inflação na indústria fica em 3,22% em julho, maior alta desde 2014

Editoria: Estatísticas Econômicas | Cristiane Crelier

02/09/2020 09h00 | Última Atualização: 02/09/2020 09h43

Inflação da indústria acumula alta de 7,28% no ano e de 11,13% em 12 meses - Foto: Marcelo Benedicto /Agência IBGE Notícias 

Os preços da indústria subiram 3,22% em julho frente ao mês anterior, registrando a maior alta desde o início da série histórica, em janeiro de 2014, do Índice de Preços ao Produtor (IPP), divulgado hoje (2) pelo IBGE. O resultado reflete, principalmente, a elevação no custo dos alimentos e das atividades relacionadas aos derivados de petróleo e biocombustíveis.

Na comparação mensal, esse é o décimo segundo aumento consecutivo do indicador, que mede a variação dos preços de produtos na “porta da fábrica”, sem impostos e frete, de 24 atividades das indústrias extrativas e da transformação. No ano, o IPP acumula alta de 7,28%. Já nos últimos 12 meses a inflação da indústria foi de 11,13%, sendo o primeiro índice acima de 10% desde novembro de 2018 (11,85%).

 

A atividade de alimentos, que tem o principal peso no índice geral (cerca de um quarto do indicador), após retroceder em junho (-0,73%), voltou a registrar alta (3,69%) e acumula 12,03% no ano, sendo essa a maior taxa para o setor desde julho de 2012 (série anterior do IPP, que não contava com a indústria extrativa), quando foi de 12,09%. Na comparação com julho de 2019, os preços mais recentes estavam 23,78% maiores.

“O setor foi impactado principalmente pelas altas no açúcar demerara, na carne de aves, na soja e no óleo de soja. Esses produtos sofreram a influência do câmbio, mas também de outros fatores. No caso do açúcar, houve um crescimento da demanda externa. No caso do frango, por ouro lado, aumentou o consumo interno, além de ter subido o preço do milho e do farelo de soja, que são insumo alimentar para as aves. No caso da soja, houve crescimento da demanda por óleo de soja, que é matéria-prima para o biocombustível”, explica Alexandre Brandão, pesquisador do IBGE.

O refino de petróleo e produtos do álcool também teve variação positiva (11,65%), e pelo segundo mês consecutivo, depois de quatro resultados negativos. De fevereiro a maio, a atividade havia acumulado recuo de 36,67%, mas em junho e julho acumulou alta de 30,81%. Assim, no ano, o setor acumulou uma variação de -16,62%. Na comparação com igual mês de 2019, a queda de julho foi de -7,29%.

Em relação às grandes categorias, foram os bens intermediários, que têm grande influência no índice (2,26 pontos percentuais), que deram um grande salto nos custos, passando a taxa de -0,32% em junho para 4,19% em julho.

Outras variações que merecem destaque na passagem de maio para junho foram as das indústrias extrativas (14,46%), do fumo (4,69%) e da perfumaria, sabões e produtos de limpeza (3,77%). Em termos de influência, sobressaíram, além do refino de petróleo e produtos de álcool (0,89 p.p.) e dos alimentos (0,90 p.p.), as indústrias extrativas (0,68 p.p.) e a metalurgia (0,14 p.p.).