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IBGE e CFC farão divulgação nacional sobre a importância de empresas e contadores responderem as pesquisas estruturais 

Editoria: IBGE | Carmen Nery

21/08/2020 11h59 | Última Atualização: 21/08/2020 12h40

#PraCegoVer Lucélia Lecheta, vice-presidente de Registro do Conselho Federal de Contabilidade, sentada em sua mesa de trabalho.
Lucélia Lecheta, vice-presidente de Registro do CFC: "Já tenho autorização da presidência do CFC para a divulgação junto aos CRCs sobre a necessidade de continuidade das pesquisas." - Foto: CFC

O IBGE reuniu-se nesta terça-feira, 18, com o Conselho Federal de Contabilidade (CFC), para um esforço conjunto de divulgação sobre a importância no preenchimento dos questionários das pesquisas econômicas estruturais. A comunicação será feita aos Conselhos Regionais de Contabilidade (CRC) para que eles repassem a seus contabilistas associados. De periodicidade anual, as quatro principais pesquisas estruturais econômicas – Pesquisa Anual do Comércio (PAC), Pesquisa Anual de Serviços (PAS), Pesquisa Industrial Anual (PIA) e Pesquisa Anual da Indústria da Construção (Paic) – têm como foco as empresas com Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica do Ministério da Fazenda e que estejam classificadas no Cadastro Central de Empresas do IBGE (Cempre).

De acordo com Jurandir Carlos de Oliveira, gerente de Planejamento e Produção da Coordenação de Serviços e Comércio (Cosec), o objetivo das pesquisas estruturais por empresa é prover o Sistema Estatístico Nacional de informações relevantes para subsidiar o planejamento governamental e fornecer elementos para elaboração de estudos sobre os setores de comércio, indústria, serviços e construção. Elas também visam conhecer as informações necessárias ao sistema de contas nacionais". Além de atualizar o Cempre, sobretudo no que diz respeito ao código da Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE), ambos de responsabilidade do IBGE.

“Coletamos, por ano, informações de 267 mil empresas que representam 4 milhões de companhias de comércio, serviços, indústria e construção, e temos de começar a coleta em abril. Para nós do IBGE, é vital mantermos nossos prazos de divulgação para apresentar os produtos à sociedade”, reforça Oliveira.

Flávio Magheli, coordenador de Pesquisas Conjunturais em Empresas, ressalta que as pesquisas anuais produzidas pelo IBGE visam identificar as características estruturais básicas dos segmentos empresariais de várias atividades no país, e suas transformações no tempo. Para ele, essas pesquisas constituem as mais completas fontes de informações estatísticas sobre os setores econômicos no Brasil. Seus resultados fornecem subsídios para o sistema de contas nacionais e para o planejamento e a tomada de decisão dos órgãos governamentais e privados. Além disso, geram os cadastros fundamentais para a elaboração das pesquisas conjunturais de atividade econômica, que, mês a mês, produzem os indicadores que permitem o acompanhamento da economia no curto prazo.

“A confiabilidade dos indicadores oficiais produzidos está diretamente relacionada com a qualidade da informação obtida nas empresas e, em grande medida, com a qualidade e excelência dos profissionais de contabilidade responsáveis pelo preenchimento dos questionários das operações estatísticas do IBGE. Com o apoio dos profissionais de contabilidade, o IBGE produz informação baseada em metodologia consolidada, com processos de produção referenciados em padrões internacionais. E o que é produzido de informação estatística é compreendido pelos usuários especializados e disseminado para toda a sociedade com rigor na imparcialidade e igualdade de acesso”, reitera Magheli.

Uma das ideias é replicar o trabalho de divulgação que já vem sendo feito pelo Conselho Regional de Contabilidade do Distrito Federal. Nicholli Menezes, supervisora de Pesquisas por Empresas na UE-DF, informa que o CRC-DF publicou em seu site, em 27 de julho, uma notícia para conscientizar os contabilistas sobre a importância de responder rapidamente às pesquisas. “Vamos fazer o mesmo movimento com o CFC, porém com maior abrangência. Agora, o ideal é que, além da publicação no portal, seja enviada uma comunicação na mailing list dos associados”, diz Nicholli.

Nathalia Pereira, supervisora de Pesquisas por Empresas na UE-RJ, diz que a parceria com o CFC é importante porque havia uma demanda para adiamento do prazo de envio das respostas por causa da pandemia. “É fundamental conscientizar os contadores sobre a relevância do IBGE e a necessidade de preencher os questionários, o que inclusive é obrigatório”, lembra Nathalia.

Na reunião, Lucélia Lecheta, vice-presidente de Registro do Conselho Federal de Contabilidade, informou que já tem autorização da presidência do CFC para a divulgação junto aos CRCs sobre a necessidade de continuidade das pesquisas e apresentou algumas sugestões da categoria para facilitar o trabalho de preenchimento dos questionários.

“O ideal é que a data de entrega da pesquisa não coincida com a data final do SPED (Sistema Público de Escrituração Fiscal) porque os setores que preenchem os dois documentos são os mesmos. O questionário também não permite colar informações nem importar dados de sistemas. Precisamos imprimir e digitar os dados. Seria importante que essas facilidades fossem implementadas futuramente”, sugere Lucélia.

Jurandir Oliveira, da Cosec, destaca que foi bastante produtivo o relacionamento com os técnicos do CFC para apresentação dos sistemas do IBGE. No encontro, ele informou que as pesquisas estruturais estão sendo reformuladas e será importante a participação dos contabilistas nos testes.

“Consideramos importantes as observações dos técnicos sobre os pontos a melhorar e sinalizamos que eles serão consultados quanto à adequação das variáveis investigadas, aos planos de contas das empresas e aos sistemas utilizados. Eles poderão, inclusive, participar dos testes de aplicabilidade e serão convidados a opinar sobre os avanços nos nossos sistemas de captação de informações e sobre o conteúdo das pesquisas”, assegura Oliveira.

"Essa reunião entre o CFC e responsáveis pelas pesquisas econômicas do IBGE é um marco, não só para facilitar a coleta de dados das empresas durante a pandemia, mas também para repactuar uma cooperação que fatalmente levará a uma melhoria nos instrumentos de captação. Este é um momento em que a história está sendo forjada,” afirma Eduardo Rios Neto, diretor de Pesquisas do IBGE.

Para Sinval Dias dos Santos, chefe da Unidade Estadual do IBGE no Paraná, a reunião é fundamental e estratégica para facilitar a coleta anual das pesquisas estruturais, que já estão em campo. Ele reforçou como fundamental a iniciativa de o CFC entrar em contato com os Conselhos Regionais para buscar o apoio dos contabilistas, o que vai ajudar muito no relacionamento com o IBGE.

“Aqui na Unidade Estadual do Paraná, concluímos em torno de 50% da coleta das quatro pesquisas. Mas, comparada com igual período do ano passado, a coleta deste ano está um pouco menor, devido aos efeitos da pandemia, que fechou empresas e alguns escritórios contábeis. O trabalho vai evoluir com essa ajuda do CFC, repassando as informações sobre a importância das pesquisas para os CRCs”, afirma Santos.

Alessandro Pinheiro, coordenador de Pesquisas Estruturais e Especiais em Empresas do IBGE, diz que esses esforços são um marco importante de maior aproximação entre o IBGE e o CFC. A partir de então, as duas instituições poderão pensar em estratégias que venham a facilitar o preenchimento dos questionários das pesquisas econômicas e disseminar melhor junto à sociedade essa função exercida pelos contadores, levando a uma valorização ainda maior desse profissional.

“Um questionário bem preenchido é um passo fundamental em direção ao conhecimento apurado sobre a realidade das empresas brasileiras e, em última instância, ao melhor entendimento do comportamento da economia como um todo, por meio das Contas Nacionais”, reitera Pinheiro.

Ele destaca que, este ano, o trabalho está avançando e atingindo uma performance de coleta das pesquisas estruturais correspondente a 76% do registrado no mesmo período do ano passado (95 dias úteis de coleta).

“No primeiro mês da pandemia, o percentual girava em torno de apenas 40%. Portanto, no curto prazo, já podemos vislumbrar parcerias que visem a retomar e melhorar a cobertura de nossas pesquisas, especialmente nos estados que se ressentem mais do isolamento social imposto pela pandemia. A médio e longo prazos, podemos pensar no CFC como um parceiro relevante no processo de modernização das estatísticas empresariais”, conclui Pinheiro.