Índice de Preços ao Produtor

Alimentos pressionam alta de 1,32% nos preços da indústria em março

Editoria: Estatísticas Econômicas | Umberlândia Cabral

30/04/2020 09h00 | Última Atualização: 30/04/2020 18h16

#PraCegoVer frigorífico do supermercado cheio de carne
Alta no preço dos alimentos foi a maior desde início da série histórica, em janeiro de 2014 - Foto: Helena Pontes/Agência IBGE Notícias

Os preços da indústria tiveram alta de 1,32% em março de 2020, na comparação com o mês anterior, após crescerem 0,35% em janeiro e 0,81% em fevereiro, de acordo com o Índice de Preços ao Produtor (IPP), que o IBGE divulga hoje (30). O resultado foi pressionado pelo setor de alimentos, principalmente carnes bovinas, cujos preços tiveram a maior variação da série histórica (6,68%), iniciada em janeiro de 2014. A indústria extrativa, com deflação de 17,12% no mês, segurou o crescimento no mês, bem como o refino de petróleo e produtos de álcool (-0,97%).

O IPP mede a oscilação dos preços dos produtos na "porta das fábricas", sem impostos e frete, da indústria extrativa e de 23 setores da indústria de transformação. Com o resultado de março, o acumulado do ano atingiu 2,50%, contra 1,16% em fevereiro. Já o acumulado em 12 meses (março de 2020 contra março de 2019) atingiu 6,45%, frente a 6,73% em fevereiro.

 

A atividade de alimentos teve a maior variação positiva da série histórica, com 6,16%. “A indústria alimentar teve aumento nos preços das carnes, farelo de soja, leite e açúcar cristal, muito em função da depreciação do real frente ao dólar, que foi de 12,5% só nesse mês. Esses produtos são muitos ligados à exportação. Então, como o dólar teve um aumento os valores também aumentaram”, explica o gerente do IPP, Manuel Campos Souza Neto.

Com a maior variação negativa de preços levantada na pesquisa (-17,12%), em março, os preços da indústria extrativa caíram influenciados pela queda nos preços do óleo bruto do petróleo e do minério de ferro. “A queda do óleo bruto do petróleo afetou os preços do setor de refino de petróleo e refino de álcool. Esse setor foi um dos que tiveram a maior a queda, com -9,79%. Então os derivados de petróleo tiveram uma queda muito grande e entre eles tem a gasolina. E quando a gasolina cai, o álcool também cai”, comenta o gerente.

"O mês de março foi um mês de extremos. Tivemos cinco das 24 atividades apresentando a maior variação positiva de preços em toda a série. E duas alcançaram o menor valor. Então sete das 24 tiveram o maior extremo de variação”, concluiu Manuel.