Pesquisa Industrial Anual

Indústria perde 1,3 milhão de empregos em quatro anos

Editoria: Estatísticas Econômicas | Luiz Bello | Arte: Helena Pontes

06/06/2019 10h00 | Última Atualização: 06/06/2019 12h11

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Após o auge dos empregos na indústria em 2013, setor acumula queda de 14,8% - Foto: Licia Rubinstein/Agência IBGE Notícias

A indústria perdeu 14,8% de empregos entre 2013 e 2017, o equivalente a 1,3 milhão de trabalhadores. A ocupação na indústria caiu ao longo de todo o período, embora a queda em 2017 tenha sido a menos acentuada, representando um recuo de 0,6% ou 44,5 mil postos de trabalho. O ano em que a indústria brasileira teve o seu maior número de empregados foi 2013, com cerca de 9,03 milhões de pessoas ocupadas. É o que mostra a Pesquisa Industrial Anual (PIA), divulgada hoje pelo IBGE.

Quanto aos salários pagos pela indústria em termos reais, a queda chegou a 14,7%, em média, desde 2014. Mais uma vez, a perda salarial nas indústrias extrativas (-31,2%) foi bem maior que nas indústrias de transformação (-13,9%). Quanto à receita líquida de vendas da indústria geral, também houve queda em termos reais, de 7,7% entre 2014 e 2017. No setor extrativo (-16,9%) a perda foi mais intensa do que nas indústrias de transformação (-7,4%).

As variações de salários e de receitas foram calculadas, respectivamente, a partir do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) e do Índice de Preços ao Produtor (IPP), que passou a incorporar as indústrias extrativas em 2014.

 

Participação do Centro-Oeste na indústria foi a que mais cresceu

Embora tenha perdido representatividade ao longo dos últimos dez anos, o Sudeste foi responsável por 58% do valor da transformação industrial em 2017, mantendo-se na liderança, seguido pelas regiões Sul (19,6%), Nordeste (9,9%), Norte (6,9%) e Centro-Oeste (5,6%). Desde 2008, houve um recuo de 4.2 p.p na participação do Sudeste, em favor do Centro-Oeste, que teve o maior avanço (1,9 p.p.), seguido pelo Sul (1,3 p.p.).

Esse deslocamento produtivo em direção ao Centro-Oeste se deu principalmente em razão da migração de plantas agroindustriais que eram dedicadas à fabricação de produtos alimentícios e passaram a participar da produção de biocombustíveis, fazendo com que essa atividade se tornasse uma das três mais relevantes da região. 

O valor da transformação industrial é o valor bruto da produção menos os custos das operações, e serve como uma aproximação do valor adicionado pela atividade industrial.

Novas atividades industriais se destacam no Norte e no Nordeste

De 2008 a 2017, as regiões Norte e Nordeste mostraram o maior número de atividades industriais que ingressaram, pela primeira vez, entre as três com os maiores valores de transformação industrial de cada estado: foram oito no Nordeste e seis no Norte.

Entre os destaques do Nordeste, está a fabricação de coque, derivados de petróleo e biocombustíveis, que assumiu a liderança da indústria do Rio Grande do Norte, com 25,6% do valor de transformação industrial desse estado. No Maranhão, a fabricação de celulose e papel já representa 22,6%, seguida pela extração de petróleo e gás (9,1%) outra estreante entre as três mais. Em Pernambuco, a fabricação de coque, derivados de petróleo e biocombustíveis se junta à fabricação de veículos, assumindo respectivamente, 11,8% e 10,9% do valor de transformação industrial local. Dos nove estados do Nordeste, apenas Paraíba e Sergipe não tiveram novas atividades industriais entre as três mais importantes.

Na região Norte, cinco dos sete estados tiveram atividades estreantes entre aquelas com os três maiores valores de transformação industrial. O destaque foi o Amapá, onde a metalurgia (26,1%) e os produtos alimentícios (16,7%) já representam quase 43% do valor de transformação industrial local. No Amazonas, a fabricação de bebidas (21,5%) figura na segunda posição entre os três maiores. No Tocantins, a fabricação de coque, derivados de petróleo e biocombustíveis já representa 10,8%.