11/10/2018 | Última Atualização: 09/11/2018 11:01:21

Comércio

Vendas se recuperam e se aproximam de patamar anterior à greve dos caminhoneiros

O comércio varejista se recuperou em agosto e subiu 1,3% em relação a julho, alcançando patamar próximo ao registrado em abril, mês anterior à greve dos caminhoneiros. A recuperação acontece após forte queda em maio (-1,2%) e variações negativas em junho (-0,2%) e julho (-0,1%), porém não foi suficiente para alcançar o nível anterior ao bloqueio das estradas brasileiras. Os dados são da Pesquisa Mensal de Comércio, divulgada hoje pelo IBGE.

“Os resultados para todas as atividades são positivos, menos em livros, jornais, revistas e papelaria. Esse grupo vem caindo desde maio. A alta do comércio varejista foi apoiado nos crescimentos em todas as atividades. Em maio, tivemos -1,2%, resultado bastante negativo influenciado pela greve dos caminhoneiros. Depois, tivemos quase uma estabilidade em junho e julho, quando o setor estava ajustando seus estoques após a greve. Em agosto, o índice ainda não supera o patamar de abril, mas há uma recuperação no varejo”, explica a gerente da pesquisa, Isabela Nunes.

“O que chama atenção é o crescimento de 5,6% em tecidos, vestuários e calçados. As promoções do setor se concentram em agosto, sazonalidade que ajudou esse grupo”, completou.

#praCegoVer Gráfico do percentual da variação do volume de vendas, comparando mês com mês imediatamente anterior em uma série com ajuste sazonal

Já o comércio varejista ampliado cresceu 4,1% e superou o patamar anterior à greve dos caminhoneiros. “A alta na venda de veículos (5,4%) contribuiu para a recuperação do varejo ampliado, que superou o patamar de abril. Essa atividade teve grande influência, impulsionada por uma melhora no financiamento de veículos, com parcelas mais longas, além do aumento na ocupação”, analisa Isabela.

Mesmo com os resultados positivos, o comércio ainda está bem abaixo de seu melhor momento na série histórica da pesquisa. “O comércio varejista, mesmo com essa melhora, está 6,4% abaixo do ponto recorde da série, que foi em outubro de 2014, e 0,2% abaixo de abril deste ano. No ampliado, a distância era de -11,3% em abril e agora está em -10,1%. Isso com influência, principalmente, de veículos e materiais de construção”, ressaltou Isabela.

Segundo a gerente da pesquisa, os resultados positivos devem-se a diversos fatores. “Agosto teve uma redução da taxa de desocupação e aumento da população ocupada. As baixas temperaturas de agosto estimulam algumas atividades. O pagamento do PIS/PASEP também ajudou. São coisas que ajudam a compreender esse resultado positivo”, concluiu.


Repórter: Rodrigo Paradella
Imagem: Pedro Girão/Acervo IBGE
Arte: Marcelo Barroso