Entrevista

Diretor de Informática destaca a importância da tecnologia no IBGE

Editoria: IBGE | Adriana Saraiva e Pedro Renaux

16/04/2018 13h45 | Atualizado em 16/04/2018 14h03

O diretor de Informática do IBGE, José Sant´Anna Bevilaqua, está completando, em 2018, 50 anos de atuação na área. Nesse período, desempenhou diferentes tarefas, como programador, analista de sistemas e analista de suporte técnico. No IBGE há 35 anos, participou e testemunhou a evolução da Tecnologia da Informação (TI) na instituição e no mundo.

À frente da Diretoria de Informática desde 2016, cargo que ocupou entre 1988 e 1990, Bevilaqua destacou dois projetos recentes: o Censo Agropecuário e o Projeto de Repotencialização da Tecnologia da Informação e Comunicação do Instituto.

Em entrevista para a Agência IBGE Notícias, o diretor falou sobre inovações tecnológicas na coleta do Censo Agro, a criação da gerência de Segurança e os desafios para o futuro. “Precisamos estar preparados para suportar operações que possam se beneficiar de novas tecnologias, como big data, e embarcar em tecnologias que utilizem inteligência artificial”.

O diretor do IBGE, José Bevilaqua, revelou os desafios na área de Informática

Agência IBGE Notícias: Qual é o principal projeto que a Diretoria de Informática desenvolveu recentemente?

José Sant’Anna Bevilaqua: Na verdade, são dois projetos bastante importantes que conduzimos com muito carinho: a repotencialização da Tecnologia da Informação e Comunicação e o Censo Agropecuário. É difícil dizer qual dos dois mais me envolveu.

O primeiro porque ficamos muitos anos sem investir no setor de TI. Havíamos chegado no IBGE a uma situação de esgotamento e obsolescência dos recursos de informática. Com o projeto, tivemos a oportunidade de redimensionar, de reciclar, e hoje estamos, em termos de infraestrutura de equipamentos, em uma situação bastante confortável. Os equipamentos foram modernizados. Conseguimos equipar os servidores da casa com equipamentos novos, inclusive nas Unidades Estaduais e Agências. Foi a primeira vez que isso ocorreu no IBGE, pois, até então, havia um processo de reaproveitamento dos equipamentos que não privilegiava os órgãos mais distantes da Sede.

Esse projeto de repotencialização foi, na verdade, um resgate da capacidade e do compromisso da área de TIC (Tecnologia da Informação e Comunicação) na manutenção da produtividade da Instituição. Afinal, hoje, no IBGE, não existe mais nenhum processo em que a tecnologia não esteja presente. Precisamos manter a Instituição equipada para contribuir com os bons resultados do IBGE.

Agência IBGE Notícias: O que mudou com esse processo de repotencialização?

José Sant’Anna Bevilaqua: Em 18 meses, foram mais de 60 processos diferentes para adquirir equipamentos e serviços de TIC, montando, inclusive, toda a infraestrutura do Censo Agropecuário. Para citar um número, adquirimos 6.300 desktops para uso dos servidores do IBGE, ou seja, há mais equipamentos novos do que o número de funcionários do quadro permanente, o que é excepcional para que o IBGE responda bem aos novos desafios que nos vem sendo dados, como ampliação das pesquisas, novos métodos de aquisição de dados estatísticos e geocientíficos, automação e simplificação dos processos administrativos, entre outros não menos importantes.

Outra atualização importante ocorreu na coleta de informações, onde estamos terminando de fazer a substituição dos DMCs (Dispositivos Móveis de Coleta) antigos, fabricados pela LG e pela Nokia, por novos equipamentos. O aumento da capacidade de armazenamento, a rapidez na coleta, a possibilidade de críticas online nos questionários e a transmissão via WiFi são só alguns benefícios que temos quando fazemos tais atualizações.

Do ponto de vista da infraestrutura de TIC, substituímos e expandimos o parque de computação, aumentando a capacidade de processamento do Data Center principal, no Rio de Janeiro, em cerca de quatro vezes, o que nos habilita a realizar grandes operações.

Também ampliamos nossa capacidade de armazenamento de dados online em cerca de oito vezes. Se somarmos todos os recursos de armazenamento de dados online disponíveis no IBGE, nós já passamos de um petabyte (um quintilhão de bytes) de dados, o que equivale, para se ter ideia de grandeza, a quase 7 bilhões de fotos armazenadas no Facebook. Deve-se levar em consideração os inúmeros projetos do IBGE que necessitam de muito armazenamento de dados, como os convênios com o Ministério do Trabalho e Emprego (CAGED, RAIS e outros) e os tantos projetos de armazenamento de ortofotos (imagens aéreas), imagens de satélites e todas as composições para o georreferenciamento que hoje oferecemos à sociedade.

Em termos de modernização, implementamos um Data Center alternativo em São Paulo, para servir de contingência ao processamento realizado no Rio de Janeiro (Sede). No Censo Agropecuário, esse data center já entrou em operação em duas oportunidades, garantindo a plena disponibilidade dos serviços de transmissão de dados.

Agência IBGE Notícias: Qual foi o papel da Diretoria de Informática no Censo Agropecuário 2017?

José Sant’Anna Bevilaqua: No Censo Agro, tivemos a maior introdução de tecnologia em uma operação estatística do IBGE. Conseguimos, pela primeira vez, não somente ter disponibilidade muito rápida da informação que está no campo, mas começamos a ter informações que até então nunca tínhamos coletado em uma operação estatística. Hoje, as equipes de supervisão e de controle de qualidade conseguem enxergar exatamente o que está acontecendo em campo, como, por exemplo, se um recenseador saiu ou não de seu setor.

Agência IBGE Notícias: Quais foram essas inovações tecnológicas?

José Sant’Anna Bevilaqua: Usamos tecnologias de georreferenciamento para completar a visão da operação sobre o território. Começamos a trabalhar com os chamados paradados de uma operação estatística, ou seja, registramos não somente as informações do questionário de coleta, mas também registramos as interações feitas pelo recenseador com o DMC. Dentro ou fora do setor censitário, acompanhamos o que aconteceu durante a coleta. Por exemplo, quanto tempo o recenseador demorou para passar de um quesito para o outro, o que é um item fundamental para melhorarmos a forma de perguntar, as possibilidades de resposta, o help online para ajudar o recenseador, além de planejar de maneira mais apurada a mão de obra necessária para  as próximas operações de campo.

Foi a primeira vez que conseguimos enxergar o que estava acontecendo em campo. Ao mesmo tempo, fizemos isso sem prejudicar a velocidade do fluxo de informações. E mais, a boa integração do sistema de controle com o de pagamento dos recenseadores permitiu às Unidades Estaduais ter uma frequência de pagamentos do serviço compatível com o andamento do trabalho de campo.

A coleta digital de informações acarretou uma pressão muito grande sobre a infraestrutura de TIC. Entretanto, essa é a primeira operação em que o bom equacionamento dos recursos permitiu a operação fluir num nível bastante tranquilo, com os sistemas e equipamentos funcionando bem.

A qualidade atingida no Censo Agro passa a ser um novo marco para as operações de coleta de dados do IBGE. E o estabelecimento desse marco somente foi possível pelo empenho da equipe e pela disponibilidade dos novos recursos.

Agência IBGE Notícias: A partir da experiência do Censo Agropecuário, quais são os desafios para os próximos Censos?

José Sant’Anna Bevilaqua: No minuto que a informação entra no IBGE, garantimos sua preservação, fazendo backup e colocando em arquivos próprios para o processo de atualização do Banco de Dados. No Censo Agro ainda trabalhamos em ciclos diários de atualização, mas a pretensão é evoluir para um processo de atualização interativa, de forma a obter velocidade ainda maior. O recenseador, em 2020, transmitirá a informação diretamente para o banco de dados do IBGE, e o supervisor poderá ver o resultado antes mesmo do recenseador sair do domicílio.

Agência IBGE Notícias: Como o IBGE se protege de ameaças e tentativas de invasões digitais?

José Sant’Anna Bevilaqua: Criamos recentemente uma gerência de Segurança. Nós temos também o Comitê de Segurança da Informação, com representantes das demais diretorias, responsável pela elaboração e atualização da Política de Segurança da Informação e Comunicação (POSIC) do IBGE, em que estão institucionalizados os métodos e práticas de proteção da infraestrutura de TIC e das informações.

Ataques da internet são, apenas, um dos possíveis meios de invasão. Tentativas de ataque ocorrem diariamente e, portanto, não são episódicas. Assim, as rotinas e procedimentos de proteção tem que estar presentes na gestão diária da infraestrutura operacional de TIC.

No processo de modernização, foram trocados os firewalls, adotando-se modelos de nova geração, que são muito mais inteligentes na detecção desses ataques. Hoje, esses equipamentos já estão funcionando. Trabalhamos, também, com mecanismo de defesa antivírus, com mecanismo de detecção de spams, além de outros mecanismos de detecção de ataques. Porém, sabemos que a tecnologia do crime digital está sempre inovando, o que nos obriga a estarmos sempre atentos. Não podemos deixar nenhuma porta aberta e os esforços são enormes, pois a equipe ainda é muito pequena diante do desafio. Esperamos, com o próximo concurso, resolver essa questão, que não é somente de número de pessoas, mas de uma especialização difícil e cara no mercado.

Outra medida é a campanha de segurança que iniciamos junto aos funcionários. Estamos, nesta primeira fase, distribuindo cartilhas com regras para evitar a exposição de arquivos e equipamentos. Um dos objetivos dessa campanha é sensibilizar todas as pessoas sobre a importância da segurança da informação, principalmente dentro do IBGE, que é uma casa de informação.

Agência IBGE Notícias: Qual é o principal desafio da Diretoria de Informática no futuro?

José Sant’Anna Bevilaqua: Acredito que o maior desafio, não só na Diretoria de Informática, mas no IBGE inteiro, é conseguir manter as operações, apesar da perda de pessoal. E a perda de pessoal compromete nossa capacidade de realização. Então, o grande desafio hoje é como continuar progredindo com as restrições de recursos humanos, cada vez mais presentes no nosso dia a dia. Apesar dos aumentos expressivos na nossa carga de trabalho, o nível de reposição não segue nem a velocidade, nem o volume de aposentadorias.

Há 35 anos, comparados com os dias atuais, tínhamos uma carga bastante restrita de trabalhos informatizados. Hoje, temos uma pressão para informatização grande, porque a demanda por tecnologia não para. Precisamos estar preparados para suportar operações que possam se beneficiar de novas tecnologias, como big data, e embarcar em tecnologias que utilizem inteligência artificial.

Acho que daqui a 25 anos, teremos aplicações bastante evoluídas, com um nível de “inteligência” que permitirá serem utilizadas de forma cada vez mais amigável, e que os processos de integração de informações estejam cada vez mais presentes. A interação das pessoas com os sistemas deverá ser algo natural e corriqueiro.