Muito além do Censo Agro

Editoria: IBGE

06/10/2017 17h27 | Última Atualização: 09/10/2017 08h20

O IBGE realiza diversas pesquisas sobre a produção agropecuária do país, com diferentes periodicidades e muita credibilidade.

Desde o início desta semana, o Censo Agro 2017 está nos principais jornais, canais de televisão e sites. Trata-se do levantamento mais abrangente a respeito deste setor da Economia, quando cerca de 18 mil recenseadores irão visitar todos os estabelecimentos agropecuários existentes no país, estimados, atualmente, em mais 5,3 milhões.

Mas, além de enfrentar esse desafio a cada década, o IBGE também realiza outras pesquisas, acompanhando de perto o setor rural: a Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM) e a Pesquisa Agrícola Municipal (PAM), ambas anuais, a Pesquisa dos Estoques (semestral), as Pesquisas Trimestrais da Pecuária e o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), realizado mensalmente. As informações encontradas em todo esse trabalho são utilizadas por usuários acadêmicos, consultorias, cooperativas e órgãos de classe da área rural, além das três esferas de governo.

Diferenças com os dados de outras fontes são cada vez menores

Entre os vários indicadores agropecuários produzidos por essas pesquisas, um dos mais requisitados é o tamanho do rebanho bovino nacional, divulgado na PPM. Esse indicador é proveniente dos cadastros elaborados pelos estados e controlados pelo Ministério da Agricultura, durante as rotinas de fiscalização sanitária e vacinação de animais contra doenças como a febre aftosa. Trata-se de uma informação atualizada e confiável, já que a imunização é obrigatória e o registro dos animais vacinados corresponde à quase totalidade do rebanho bovino do país.

Outras instituições também formulam suas próprias pesquisas sobre a produção rural, e empregam diferentes metodologias estatísticas. É o caso dos indicadores produzidos pelo USDA (o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, órgão governamental norte-americano) e pela consultoria FNP, entre outras.

“No caso do USDA, por exemplo, o número deles e o nosso têm convergido nos últimos anos. A diferença entre os dois já foi de 20%, mas hoje é de apenas 3%, uma variação muito baixa, estatisticamente. Ainda mais se levarmos em conta que são dois institutos distintos, cada um com a sua metodologia”, explicou o coordenador de Agropecuária do IBGE, Octávio Costa de Oliveira.

O intercâmbio técnico é frequente entre os institutos de pesquisa, sempre em busca de resultados mais precisos. Ao comparar as diferentes metodologias, Octávio explica que o USDA tenta contabilizar até mesmo o gado clandestino em suas estimativas, enquanto a FNP trabalha com projeções produzidas em um modelo matemático que tem o Censo Agropecuário 2006 como base principal. “Mas nenhuma das duas instituições recorre aos números da vacinação utilizados pelo IBGE, por exemplo”, ressalta o coordenador.


Tabela comparativa entre os dados do USDA e do IBGE sobre rebanho bovino

Excelência reconhecida

Mesmo com a pluralidade de fontes de informações, as pesquisas do IBGE são referência para aqueles que planejam e vivem o setor agropecuário no dia a dia. São eles que abastecem o país com o conhecimento necessário para a formulação das mais variadas políticas para o campo brasileiro.

“O trabalho do IBGE é fantástico. Um país como o Brasil não pode viver sem dados. Os Censos, as pesquisas, são extremamente relevantes, porque nos dão condições de planejar o Brasil de amanhã. É o IBGE que nos arma com condições de planejar o futuro”, diz o pesquisador e ex-presidente da EMBRAPA, Eliseu Alves, que é PhD em Economia Agrícola pela Purdue University, dos Estados Unidos.

Os levantamentos do IBGE encontram receptividade no setor pela qualidade técnica do trabalho estatístico e pela clareza com que são produzidos cada um dos indicadores.

“As pesquisas são muito válidas porque têm metodologia e sistema de coleta muito interessantes, e diferentes das outras do mercado. A pesquisa do abate, por exemplo, tem uma série histórica que vem de anos, consistente. Os outros são os outros, não são comparáveis. O IBGE tem uma questão metodológica que é seu grande patrimônio”, explica o professor doutor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da Universidade de São Paulo (USP), Sérgio de Zen, que também é responsável pela área de pecuária do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

Convergência com o Ministério da Agricultura

Na área da produção agrícola, especificamente, o IBGE divide a cena com a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), vinculada ao Ministério da Agricultura. A instituição iniciou seus levantamentos na década de 1990, com pesquisas independentes das do IBGE, que apura esse tipo de informação desde 1973.

Desde 2007, porém, IBGE e Conab têm buscado trabalhar em conjunto para conseguir informações de maior qualidade, mesmo que continuem a realizar pesquisas separadas. “Nós temos buscado maior sinergia com eles e com o Ministério da Agricultura para aprimorar ainda mais os resultados estatísticos”, ressaltou Octávio. Atualmente, as duas instituições fazem suas divulgações na mesma data, inclusive.

Censo Agro dará origem a nova pesquisa anual sobre o setor

O Censo Agro 2017 também vai possibilitar a implantação de um cadastro nacional de todas as unidades de produção rural, dando origem a uma nova pesquisa no setor: a Pesquisa Nacional por Amostra de Estabelecimentos Agropecuários, prevista para ir a campo, anualmente, até o final desta década.

“Assim como eu preciso do Censo Demográfico para servir como base da PNAD, eu preciso do Censo Agropecuário para ter informações gerais e calibrar o tamanho da amostra da nova pesquisa. Precisamos saber como é cada local, cada área, antes de desenhar a amostra. É a base”, explica o gerente técnico do Censo Agropecuário, Antonio Florido.  

Texto: Rodrigo Paradella e Luiz Bello
Fotografia: Licia Rubinstein (capa) e Portal Brasil 
Imagem: USDA e IBGE