Trabalho informal faz desemprego cair 31/08/2017

Editoria: Estatísticas Econômicas Produto: Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua - Mensal

Na passagem dos trimestres terminados em abril e julho deste ano, mais de 1,4 milhão de brasileiros saíram da fila do desemprego, fazendo o número de trabalhadores atingir os 90,7 milhões de pessoas.  Com isso, a taxa de desemprego caiu de 13,6% para 12,8%. Mas os postos de trabalho foram gerados, em sua maioria, na informalidade. O aumento aconteceu, principalmente, entre os empregados sem carteira assinada (mais 468 mil pessoas) e os trabalhadores por conta própria (mais 351 mil pessoas). Já a população com carteira assinada manteve-se estável (33,3 milhões).

Esses dados são da PNAD Contínua, divulgada hoje pelo IBGE. A pesquisa mostrou, também, que a massa de rendimento recebida por toda a população ocupada subiu 1,3%, passando de R$ 183,6 bilhões para R$ 186,1 bilhões. Para o coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, Cimar Azeredo, esse aumento é muito positivo para a economia do país.

“Essa massa de rendimento de trabalho maior movimenta a economia, pois você vai ter mais pessoas consumindo e, com isso, o mercado de trabalho pode entrar em um processo virtuoso, diferente do que a gente viu nos meses anteriores”, comenta.

Desemprego permanece maior que em 2016

Ainda de acordo com a PNAD Contínua, na comparação anual, a taxa de desemprego se mantém acima da apresentada no mesmo trimestre de 2016 (11,6%) e o número de empregados com carteira assinada caiu 2,9%, passando de 34,3 milhões para 33,3 milhões de pessoas.

Cimar ressalta que nesse tipo de comparação também é possível observar a tendência à informalidade no mercado de trabalho. Segundo o pesquisador, o aumento de 15,2% no número de pessoas trabalhando com alimentação é um dos indícios.

“Em um ano, o grupamento alojamento e alimentação teve um aumento de 683 mil pessoas. Esse acréscimo foi, mais especificamente, relacionado à alimentação. Esse é um grupamento voltado, principalmente, às pessoas que, para fugir da desocupação, estão fazendo comida em casa e vendendo na rua”, explica.

Texto: Mônica Marli
Gráfico: Helena Pontes
Imagem: pxhere.com