Investimentos na Indústria caem 13% em 2015

28/06/2017 10h00 | Última Atualização: 29/06/2017 14h16

Redução de 8.454 no número total de indústrias extrativas de transformação, queda de 642.138 postos de trabalho e a diminuição nominal de 13% dos investimentos. Esses e outros resultados da Pesquisa Industrial Anual 2015, do IBGE, refletem a intensificação do quadro de retração da indústria, já mostrada pelos dados de 2014.

“A indústria brasileira, no ano de 2015, apresenta um fraco desempenho da produção industrial, que vem a ser reflexo das incertezas no cenário político e fiscal, com aumento do desemprego e a perda do grau do investimento”, explicou a economista Maristella Rodrigues, da Coordenação da Indústria.

Entre 2014 e 2015, o número de indústrias passou de 333.739 para 325.277 e o pessoal ocupado teve redução de 8,8 milhões para 8,1 milhões. Os setores onde houve mais demissões foram confecção de artigos do vestuário e acessórios, fabricação de veículos automotores, reboques e carrocerias e fabricação de máquinas e equipamentos.

Também houve retração no investimento, que atingiu, em 2015, R$ 193,3 bilhões, representando uma queda nominal de 13%, em relação a 2014. A redução nos investimentos concentrou-se na fabricação de coque, de produtos derivados do petróleo e biocombustíveis e na extração de minerais metálicos. “O investimento cai porque as empresas agem de forma mais cautelosa, assumindo uma postura conservadora”, ressaltou Maristella.

O valor adicionado do setor variou de R$ 783,5 bilhões para 744,7 bilhões.  O total das receitas brutas das empresas industriais atingiu R$ 3,8 trilhões em 2015 e as cinco atividades industriais com maior participação no total das receitas brutas das empresas industriais (responderam por 56,1% do total) foram: Fabricação de produtos alimentícios; Fabricação de coque, de produtos derivados do petróleo e de biocombustíveis; Fabricação de produtos químicos; Fabricação de veículos automotores, reboques e carrocerias; e Metalurgia.

 

A PIA-Produto mostra que, em termos de participação nas vendas, estes setores apresentaram os maiores percentuais em 2015: produtos alimentícios (16,9%), coque, derivados do petróleo e biocombustíveis (10,6%), produtos químicos (10,5%), veículos automotores, reboques e carrocerias (8,7%) e metalurgia (6,3%). Comparativamente, em termos de valor, o óleo diesel lidera o ranking do total de vendas de 2015,  com participação de R$ 79,9 bilhões e participação de 3,7% no total, seguido de carnes de bovinos frescas ou refrigeradas (R$ 49,1 bilhões e 2,3%).

Em termos de ganho de participação nas vendas, dos 100 produtos com as maiores receitas, os três que mais ganharam participação no total das vendas industriais em relação a 2014 foram: artigos de plástico para embalagens, ligas de alumínio em formas brutas e tubos flexíveis e tubos trefilados de ferro e aço. Os três produtos que mais perderam participação foram caminhão-trator para reboques, veículos para transporte de mercadorias e tratores agrícolas.

Texto: Adriana Gonçalves Saraiva e Marília Loschi

Tabela: Helena Pontes e Helga Szpiz

Foto: jannoon028 / Freepik