Censo da População em Situação de Rua
IBGE lança primeira prova piloto do Censo Nacional da População em Situação de Rua no AM
30/06/2026 17h00 | Atualizado em 01/07/2026 14h48
Nesta terça feira (30), o IBGE realizou mais um evento de lançamento da primeira prova piloto do 1º Censo Nacional da População em Situação de Rua. A solenidade de hoje aconteceu no auditório do Bosque da Ciência, na sede do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (INPA), em Manaus, (AM).
Considerado um marco histórico, o levantamento será a primeira operação estatística nacional dedicada exclusivamente à população em situação de rua, permitindo a produção de dados abrangentes, comparáveis e padronizados em todo o território brasileiro.
As provas piloto do levantamento serão realizadas no segundo semestre de 2026, em cinco municípios de cada região do país, e permitirão testar os instrumentos de coleta, a composição das equipes técnicas e a definição dos percursos nos territórios selecionados, entre outros aspectos.
Nilton Policena, coordenador do Movimento Nacional de Luta em Defesa da População em Situação de Rua, iniciou sua participação solicitando um minuto de silêncio pelas vítimas dos terremotos recentemente ocorridos na Venezuela. Ele lembrou que estava ali representando os Comitês Intersetoriais de Acompanhamento e Monitoramento da Política Nacional para a População em Situação de Rua e que, após décadas de lutas por políticas públicas, será feito um censo demográfico que dará visibilidade a essa população. “Ontem, andando pelas ruas de Manaus, vi como é necessário e urgente esse recenseamento”, disse ele, destacando as particularidades da região, onde muitas pessoas vivem em pequenos barcos, nos igarapés, e também são parte da população em situação de rua. “A gente sabe quantos bois ou quantos pets o país tem, mas não sabemos ainda quantas pessoas vivem em situação de rua”, concluiu.
Cassia Rosário, do Comitê de Acompanhamento e Monitoramento da Política Municipal para a População em Situação de Rua de Manaus. Agradeceu à sensibilidade do IBGE para a necessidade de um censo que retratasse a população em situação de rua do país.
Graça Prola, da Secretaria Municipal da Mulher, Assistência Social e Cidadania de Manaus, lembrou das lutas históricas por uma maior visibilidade para a população em situação de rua, e que o censo deverá “não só informar a quantidade, mas também traçar um perfil desta população”. Ela detalhou as informações oficiais disponíveis sobre a população em situação de rua de Manaus, composta, inclusive por muitas crianças em situação de trabalho infantil. Lembrou que está em curso a elaboração do Plano Municipal de Promoção dos Direitos Humanos da População em Situação de Rua e destacou as diversas iniciativas da prefeitura para esse grupo social, agradecendo, ainda, a parceria com os movimentos sociais e o IBGE.
Jorge Ivan Porto, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, destacou que Manaus é uma “cidade-estado”, pois abriga 60% da população do do Amazonas. “Temos uma pessoa em situação de risco de rua para cada 1.100 habitantes. Com os dados corretos, recursos disponíveis e a cooperação entre os diferentes órgãos públicos, a gente pode tentar mudar um pouco deste cenário, que não é apenas municipal”.
Daniel Bettanim e Silva, defensor público do Estado do Amazonas, lembrou que o censo vai ajudar a retratar as vulnerabilidades da população em situação de rua, facilitando o entendimento das suas diversas necessidades, que não são apenas jurídicas. “Gostaria de louvar a iniciativa do IBGE, que pode ser um grande divisor de águas na nossa capacitação para lidar com as demandas dessa população”.
Francisco Braz da Silva Portela, superintendente do IBGE no Amazonas, ressaltou que as equipes estão dentro do cronograma estabelecido para o teste piloto e que o IBGE tem sido “muito bem recebido” pelas diversas instituições parceiras na realização deste censo. “O IBGE não faz censos sozinho”, ressaltou.
Gustavo Junger, diretor de Pesquisas do IBGE, lembrou que a demanda da sociedade por um censo da população em situação de rua é “histórica”, pois vem sendo apresentada ao IBGE há décadas. Ele enumerou tentativas pregressas de se atender a essa demanda, tanto no Censo 2010 quanto através de uma pesquisa específica para o tema, que não chegaram a se concretizar. Gustavo assinalou que o teste de campo, em 2023, em Niterói, marca o início da retomada desse tema pelo IBGE. O diretor destacou que o processo tem sido bastante desafiador para a instituição e envolveu a prospecção de diversas iniciativas nacionais e internacionais para retratar a população em situação de rua, realizadas por prefeituras, secretarias estaduais de governo e por institutos oficiais de estatísticas da América Latina, como os do Chile, México e Colômbia. “Com isso, percebemos que o desafio é grande, pois não existe uma metodologia internacionalmente consagrada ou um manual das Nações Unidas para o levantamento de informações sobre a população em situação de rua”, salientou.
O presidente do IBGE, Marcio Pochmann, lembrou do apoio para a realização da operação. “Precisamos do apoio do sistema político brasileiro e ele está sendo informado sobre a importância dessa operação censitária”. Pochmann lembrou que o IBGE será homenageado numa sessão solene da Câmara dos Deputados, em 2 de julho.
Em seguida, Bruno Mandelli, gerente de Planejamento do Censo Demográfico, e Marta Antunes, gerente de Povos e Comunidades Tradicionais e Grupos Populacionais Específicos fizeram uma apresentação destacando os aspectos logísticos e metodológicos que serão avaliados nos testes piloto do Censo Nacional da População em Situação de Rua.
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