Nossos serviços estão apresentando instabilidade no momento. Algumas informações podem não estar disponíveis.

90 anos

Reserva do IBGE passa a integrar o Sistema Nacional de Unidades de Conservação

Anúncio fortalece trabalho de produção de informações e preservação do meio ambiente realizado pela unidade

Editoria: IBGE

29/06/2026 17h58 | Atualizado em 29/06/2026 20h16

A Reserva Ecológica do IBGE (RECOR) foi incluída no Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC). O anúncio, realizado em parceria com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), ocorreu nesta segunda-feira (29), na própria reserva, em Brasília.

O SNUC corresponde ao conjunto de Unidades de Conservação (UCs) federais, estaduais e municipais. Ele foi concebido de forma a potencializar o papel das UCs, de modo que sejam planejadas e administradas de maneira integrada.

Com a inclusão, a RECOR passará a ser uma Estação Ecológica no sistema, reforçando ainda mais a preservação de seus recursos.

A iniciativa reforça o papel estratégico da RECOR na integração entre conservação ambiental, ciência e educação. A reserva completou 50 anos em dezembro de 2025 e, ao longo desse período, consolidou-se como um dos mais relevantes sítios de pesquisa ecológica em áreas protegidas no país, com reconhecimento nacional e internacional.

“Nós estamos vivendo momentos de mudanças de época no mundo, em que a questão ambiental e a emergência climática se apresentam. Nesse sentido, o reconhecimento dessa reserva como uma Estação Ecológica é algo que enobrece e fortalece o nosso sistema estatístico e geográfico nacional”, disse o presidente do IBGE, Marcio Pochmann, durante o evento.

Presidente do IBGE, Marcio Pochmann junto a autoridades durante a assinatura da portaria na RECOR.
Presidente do IBGE, Marcio Pochmann junto a autoridades durante a assinatura da portaria na RECOR.
Presidente do IBGE, Marcio Pochmann junto a autoridades durante a assinatura da portaria na RECOR.
Presidente do IBGE, Marcio Pochmann junto a autoridades durante a assinatura da portaria na RECOR.
Presidente do IBGE, Marcio Pochmann junto a autoridades durante a assinatura da portaria na RECOR.
Presidente do IBGE, Marcio Pochmann junto a autoridades durante a assinatura da portaria na RECOR.
Presidente do IBGE, Marcio Pochmann junto a autoridades durante a assinatura da portaria na RECOR.

Participaram da assinatura da portaria o presidente do IBGE, Marcio Pochmann; o gerente da Reserva Ecológica do IBGE, Mauro Lambert; o diretor-adjunto da Diretoria de Geociências do IBGE, Gustavo Cayres; o diretor do Departamento de Conservação e Uso Sustentável da Biodiversidade, Bráulio Dias; a secretária nacional de Biodiversidade, Florestas e Direitos Animais do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Rita Mesquita, representando o Ministro de Estado do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco; o presidente do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Mauro Oliveira Pires; e a diretora de Criação e Manejo de Unidades de Conservação do ICMBio, Iara Vasco.

Trabalho em parceria

O presidente agradeceu às instituições parceiras. Ele também destacou a importância do trabalho realizado conjuntamente entre diferentes instituições públicas para o enfrentamento das consequências ocasionadas pelas mudanças climáticas.

“Não é momento de trabalharmos de forma isolada. Esse congraçamento que se estabelece aqui abre uma perspectiva para uma atuação de política pública mais adequada ao momento que estamos vivendo”, destacou.

O presidente do ICMBio, Mauro Oliveira Pires, ressaltou que o trabalho de preservação da natureza e de realização de pesquisas científicas conduzido na RECOR está em conformidade com o artigo nono do SNUC. Ele elencou os benefícios para a reserva com a sua inclusão no sistema.
Normalmente, as estações ecológicas são geridas pelo ICMBio, mas haverá um compartilhamento de atribuições com o IBGE, ao qual a RECOR é vinculada.

“Como parte do sistema nacional, ela terá que ter um plano de manejo, um conselho. Isso é uma forma de a comunidade participar da gestão dessa unidade. Faremos uma cooperação para definir o que caberá a cada órgão. É uma soma de esforços institucionais, juntando instituições distintas, mas com o mesmo objetivo de preservar essa área tão importante.”

Já Rita Mesquita, Secretária Nacional de Biodiversidade, Florestas e Direitos Animais do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, representando o Ministro de Estado do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, destacou o momento. “A gente as vezes passa anos esperando uma coisa acontecer e a gente acha que não vai acontecer nunca. E quando acontece, nós temos que olhar trás e falar como a gente chegou até aqui e daqui para onde iremos? […] Essa oportunidade que eu tive, pelo convite da ministra Marina Silva e do João Paulo Capobianco, tem me dado uma oportunidade de reconectar com coisas que eu acredito muito. Eu ouvi falar muito aqui sobre a pesquisa científica e ciência produzida aqui e a importância que isso tem. Eu entendo perfeitamente a importância que estudos de longo prazo tem para a gente compreender nossos sistemas naturais. Por isso, quero parabenizar o IBGE.”.

E completou citando uma conversa que teve com Braulio Dias, Diretor de Conservação e Uso Sustentável da Biodiversidade do MMA e pesquisador da Reserva, sobre as espécies da RECOR do IBGE. “Ele estava me contando que aqui dentro temos 63 espécies ameaçadas de extinção dentro dessa reserva. O que pra gente só reforça que cada pedacinho conta. Cada lugar que a gente puder proteger e administrar melhor conta para a conservação das espécies.”.

Produtora de informações

O coordenador da RECOR, Mauro Cesar Lambert de Brito Ribeiro, ressaltou que a unidade completa 50 anos em 2026, sendo uma das maiores produtoras de informação em biodiversidade do bioma Cerrado.

“Ao longo desses 50 anos, nós conseguimos estabelecer inúmeras parcerias. São quase 500 instituições parceiras que conseguiram, junto com a gente, produzir informações e subsidiar, sobretudo, políticas públicas sustentáveis para o bioma Cerrado.”

Além da produção de informações científicas e da preservação do meio ambiente, a RECOR contribui para a formação de novos cientistas. Também são realizadas visitas guiadas para os interessados em conhecer a unidade, aproximando, assim, a comunidade do território.

Ribeiro ressaltou como a inclusão no SNUC auxiliará no trabalho desenvolvido na reserva.

“Nós somos uma unidade que está sendo cercada por áreas urbanas, e isso impõe novos desafios. Entrar para o SNUC é uma necessidade muito mais do que uma vaidade, para que a gente possa enfrentar, junto com a expertise do ICMBio e do Ministério do Meio Ambiente, os novos desafios que se impõem.”

Preservação de espécies

Localizada no Distrito Federal, a RECOR possui 1.391 hectares, sendo referência na produção de informações ambientais. Nesse sentido, a Secretária Nacional de Biodiversidade, Florestas e Direitos Animais do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Rita Mesquita, ressaltou a importância do trabalho realizado na unidade para a preservação das espécies.

“Está muito claro que o grande desafio de preservação da biodiversidade precisa das alianças com a sociedade em todas as suas formas. Aqui, estou vendo o embrião da gestão compartilhada das nossas áreas protegidas. Tenho certeza de que muito aprendizado sairá daqui”, disse Mesquita.
Representando a Diretoria de Geociências do IBGE, Gustavo Cayres ressaltou como a RECOR auxilia nas atividades conduzidas pela diretoria.

“No caso da Reserva, esse trabalho é marcado pela produção científica, pela produção geocientífica e pelo trabalho dos servidores do IBGE e da superintendência do Distrito Federal.”

O superintendente do IBGE no Distrito Federal, Gabriel Moreira Antonaccio, destacou que o anúncio já era esperado há muito tempo pelo Instituto.

“Hoje é dia de celebrarmos o nosso trabalho, a nossa história e o nosso futuro. O anúncio fortalece a nossa reserva e é algo que aguardamos há bastante tempo”, disse.

Durante o evento, foi respeitado um minuto de silêncio em homenagem aos servidores Manoel José de Souza Neto e Valmir de Souza e Silva. Ambos atuavam como brigadistas na RECOR e faleceram no exercício de suas funções, combatendo um incêndio florestal em frente à unidade em julho do ano passado.

Também participou da cerimônia os professores Roberto Brandão Cavalcanti, José Wilson Correia Rosa e Erika Veríssimo da Universidade de Brasília (UnB); Verônica Novaes, analista ambiental do ICMBio, que atuou na instrução do processo do SNUC; Bernardo Issa, Diretor de Áreas Protegidas da Secretaria de Biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e integrantes do IBAMA Prevfogo, que instalará uma base na reserva para atuar na brigada contra incêndios florestais.