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No DF

IBGE avança na atualização da base territorial dos Povos e Comunidades Tradicionais

Editoria: IBGE | Éderson Araújo e Gabriella Carmo

17/06/2026 11h42 | Atualizado em 17/06/2026 11h42

Grupo de trabalho avança no mapeamento de localidades que as lideranças reconhecem como pertencentes a povos tradicionais. - Foto: Éderson Araújo

Ao longo dos três dias da oficina, os grupos de trabalho procuraram mapear as localidades pertencentes a cada comunidade tradicional. Além disso, foram anotados os contatos telefônicos das lideranças locais nos casos em que não se pôde determinar com exatidão se a região pertencia àquela comunidade e também para ajudar os recenseadores a encontrar os moradores.

Nesta sexta (12), último dia da oficina, os trabalhos começaram com a exposição dos resultados da segunda prova-piloto. Para a realização da prova-piloto, foram selecionados seis municípios onde já se sabia da existência de comunidades tradicionais. Foram catalogados 86 setores censitários pelos observadores dos Povos e Comunidades Tradicionais (PCTs). Em nove deles, não foram encontrados os povos tradicionais. Em 11 setores, havia mais de um povo tradicional presente na região. Outro resultado encontrado foi o questionamento entre a atividade desenvolvida e o sentimento de pertencimento, como, por exemplo, pessoas que moravam em comunidades ribeirinhas, mas não se identificavam como tal; alguns se diziam pescadores, ou seja, como pertencentes a comunidade dos pescadores. “Por isso, é preciso levar essas questões em conta no momento da definição do questionário para que se possa captar as informações corretamente”, afirma Marta Antunes (IBGE - DPE).

Também foi constatada a necessidade de adaptação de perguntas na parte de abordagem que busca padronizar a identificação do estabelecimento: a unidade de pesquisa do censo.

Estratégia de Comunicação

Uma das questões levantadas pelas lideranças foi a importância de haver uma comunicação mais efetiva voltada a cada povo e comunidade tradicional para conscientizar os moradores a responder ao questionário do censo.

Foi solicitada também a criação de folders específicos para cada povo e comunidade tradicional; a utilização de mídias em vários formatos, principalmente de vídeo e áudio, para que possam ser

compreendidas por todos, tendo em vista que alguns moradores podem não entender a linguagem na forma escrita.

Durante a oficina foi gravado vídeo institucional com a liderança de cada PCT para ser utilizado na campanha de conscientização para o 12º Censo Agropecuário, Florestal e Aquícola.

Grupos de Trabalho

Servidores do IBGE e representantes do Conselho Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais (CNPCT) no segundo dia de oficina da Consulta Livre, Prévia e Informada. - Foto: Éderson Araújo

Na quinta (11), penúltimo dia da Consulta Livre, Prévia e Informada com representantes do Conselho Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais (CNPCT), os participantes se dividiram em quatro grupos de trabalho para contribuir com o aprimoramento da cartografia censitária do IBGE. A atividade teve como foco a identificação de localidades ainda não mapeadas, a atualização de registros territoriais e o levantamento de lideranças que possam apoiar o trabalho de campo do Censo.

Os grupos foram organizados de acordo com os segmentos representados no encontro. O Grupo 1 reuniu pecuaristas e familiares tradicionais do Pampa, povo dos Peraus, ilhéus, faxinalenses, povo pomerano e cipozeiros. O Grupo 2 contou com caiçaras, pescadores artesanais, extrativistas, extrativistas costeiros e marinhos, andirobeiras e ribeirinhos. Já o Grupo 3 foi composto por morroquianos, pantaneiros, veredeiros, raizeiros, fundos e fechos de pasto, caatingueiros e apanhadores de flores sempre-vivas. O Grupo 4 reuniu povos ciganos, povos de terreiro e matriz africana, povos indígenas e quilombolas.

Durante as discussões, representantes das comunidades analisaram mapas e indicaram novos pontos de interesse a serem incorporados à base territorial do Instituto. Segundo Patrícia de Oliveira Borges, analista de Planejamento e Gestão da SES/MA e integrante do grupo de trabalho de Povos e Comunidades Tradicionais, o esforço busca “confirmar o que já tem na nossa base territorial” e também identificar áreas ainda não registradas.

As atividades também evidenciaram a ausência de diversos segmentos de povos e comunidades tradicionais no decreto vigente e no Cadastro Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais (CNPCT). De acordo com a gerente Marta Antunes, o Censo representa a primeira iniciativa de captar a autoidentificação desses grupos. “Acredito que, através desse primeiro Censo, a gente vá se descobrindo enquanto Brasil, com as multiplicidades de identidades e com outros segmentos que até hoje desconhecia”, afirmou. Segundo ela, o objetivo é tornar visíveis populações historicamente invisibilizadas.

As contribuições levantadas durante a oficina serão catalogadas, posteriormente, como áreas de interesse à malha territorial do IBGE e servirão de subsídio para a preparação do Censo Experimental, previsto para ocorrer no final deste ano.

Povos e comunidades de terreiro

Integrantes do grupo de trabalho que reuniu povos ciganos, povos de terreiro e de matriz africana, povos indígenas e quilombolas. - Foto: Éderson Araújo

Representante dos povos e comunidades de terreiro e da ACBANTU, Tata Lubitu Konmannanjy destacou a importância da operação censitária para ampliar o reconhecimento dos povos tradicionais. Nascido no quilombo urbano Engenho Velho de Brotas e atualmente morador de uma colônia de pesca em território ribeirinho, ele relatou reunir múltiplos pertencimentos identitários, como quilombola, extrativista, ribeirinho e integrante de comunidade pesqueira.

Segundo Tata Lubitu, a diversidade dos povos tradicionais muitas vezes não se encaixa em uma única categoria. “A iniciativa não beneficia apenas o povo de terreiro, mas também outras comunidades tradicionais invisibilizadas. Conhecer quem somos, onde estamos e o que fazemos é essencial para visibilidade e reconhecimento”, afirmou.

Veredeiros

Veredeiro Jaime dos Santos (de amarelo) levanta novas áreas de comunidades veredeiras junto aos servidores do IBGE. - Foto: Éderson Araújo

O veredeiro Jaime Alves dos Santos ressaltou a importância da preservação das veredas e da valorização do trabalho comunitário para a sustentabilidade ambiental e econômica dos territórios tradicionais. Durante a oficina, ele apresentou experiências de comunidades ligadas à apicultura, ao extrativismo de frutos e à conservação dos recursos hídricos.

Entre os exemplos citados estão as comunidades de Cabaceira e Barra de Mandi, que se destacam pela produção de mel, uma das mais expressivas do norte mineiro. Já nas comunidades de Japão e Veredinha, em Bonito de Minas, a cultura local está fortemente associada à preservação das veredas e ao aproveitamento sustentável dos frutos do Cerrado.

Para ele, a visibilidade proporcionada pelo Censo pode contribuir para o reconhecimento dessas comunidades. “Nós, os veredeiros, temos que existir e resistir para cuidar das veredas, manter nossas águas firmes e fortes para abastecer a humanidade e os bichos. Esse trabalho que estamos fazendo aqui é muito importante para gerar mais conhecimento sobre nossa comunidade”, disse.

Resultados dos grupos de trabalhos

Ao final do dia, foram mostrados alguns apontamentos que deverão ser feitos para dar prosseguimento ao cronograma do censo. Por exemplo, para o povo pomerano foi identificada a necessidade de validação de alguns dados de igrejas luteranas para que elas possam ser usadas no mapeamento de áreas de interesse operacional, já que o povo pomerano se organiza em torno dessas igrejas.

Para os andirobeiros, houve a confirmação do mapeamento prévio do IBGE e a identificação de novas comunidades, como nos projetos de assentamento no oeste do Pará, e de novas áreas de interesse operacional. Também foram registrados os contatos das lideranças e os nomes das comunidades.

Em relação aos veredeiros, foram identificados vários pontos no mapa que pertencem a essa comunidade; foram repassados os contatos das lideranças locais para facilitar no momento da coleta. Foi ressaltada a importância de entrar em contato anteriormente com os lideres para que se possa marcar os dias e horários das entrevistas a fim de que se alcance o maior número de pessoas.

Para os raizeiros, foi necessário delimitar o território devido à sua grande abrangência. O trabalho focou na região de Minas Gerais, com a adição de alguns municípios proposta pelas lideranças. Algumas localidades nos estados do Tocantins e Goiás também entraram no catálogo das raizeiras.

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Leia também sobre a Oficina de Consulta livre sobre Povos e Comunidades Tradicionais em Brasília neste link.