Em Brasília
Na Fundação Palmares, IBGE lança publicação O Brasil Quilombola
28/03/2025 15h31 | Atualizado em 28/03/2025 15h31

O IBGE lançou, na quinta-feira (27) a publicação O Brasil Quilombola, na Fundação Palmares, em Brasília (DF). Além da obra, também foi lançada no portal do Instituto uma versão digital da publicação e uma atualização do Meu IBGE, com informações a respeito dos quilombolas por recortes de cor ou raça, gênero, idade e por município. O evento teve transmissão ao vivo pelo IBGE digital e demais redes do Instituto.

Esta obra sistematiza os principais resultados do Censo Demográfico 2022 sobre as pessoas e comunidades Quilombola. A mesa de abertura do evento foi integrada pelo presidente do IBGE, Marcio Pochmann, pelo presidente da Fundação Cultural Palmares, João Jorge Rodrigues, e por Júnia Quiroga, representante auxiliar do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) no Brasil, além de autoridades, especialistas em censos demográficos e representantes da sociedade civil.

Presidente do Instituto, Marcio Pochmann citou a novidade do Censo Demográfico em 2022, que trouxe informações a respeito da população quilombola. “Este levantamento contribui para trazer um Brasil profundo, muitas vezes esquecido. O papel da estatística georreferenciada abrirá um espaço para que se retrate um grupo, que era invisibilizado. Este é o papel do IBGE: revelar o que somos e como vivemos”.

João Jorge Rodrigues ressaltou como é importante descobrir o perfil dos quilombolas no Brasil. “Precisávamos de indicadores para definir políticas públicas dos diversos ministérios para beneficiar esta população que ainda está à margem do Brasil atual. Com estes dados, podemos chegar a este objetivo”, disse o presidente da Fundação Palmares.
A representante auxiliar do UNFPA, Júnia Queiroga, destacou a relevância da parceria com o IBGE. “Para nós, é essencial colaborar com o IBGE e, por meio dessa parceria, dar visibilidade tanto à experiência nacional quanto ao trabalho do IBGE no cenário nacional, como já fazemos atualmente, mas também ampliar essa visibilidade para além das fronteiras do país”, afirmou. Segundo Queiroga, além de ser um motivo de orgulho para o país, o Censo Demográfico tem contribuído significativamente para o desenvolvimento de outros continentes, especialmente na América Latina, Caribe e África.

O lançamento também contou com representantes da Advocacia Geral da União (AGU), Controladoria Geral da União (CGU), Defensoria Pública da União (DPU), além de ministérios, embaixadas, prefeituras e demais instituições.
O evento, assim como a publicação, são uma parceria com o Ministério da Educação e o Fundo de População das Nações Unidas no Brasil (UNFPA). Na manhã de sexta-feira (28), foi apresentada a Oficina Brasil Quilombola: Potencialidades dos dados censitários para a População Quilombola, na Casa da ONU Brasil, situada no Setor de Embaixadas Norte-SEN Quadra 802, Lote 17-Asa Norte, Brasília (DF).
Dados e panorama da população quilombola
Com a mediação de Júnia Quiroga, a apresentação dos dados ficou por conta da responsável técnica pelo Projeto Técnico de Povos e Comunidades Tradicionais do IBGE, Marta Antunes, e do Gerente de Territórios Tradicionais e Áreas Protegidas da Coordenação de Estruturas Territoriais, da Diretoria de Geociências (DGC), Fernando Damasco.
Para Marta, este Censo “é histórico por mostrar quantos são os quilombolas, onde estão e como vivem. Ele é único na forma como foi construído, desafiador para ilustrar um retrato o mais fiel possível à realidade. Isto só foi possível graças a reuniões e consultas com a CONAQ (Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas), INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), MDA (Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar) e demais órgãos competentes. Ele é único pelos dados que traz, anteriormente desconhecidos da sociedade”.
Marta Antunes aproveitou a oportunidade para falar sobre o IBGE Educa e o que as pessoas podem acessar sobre a população quilombola. Ela ressaltou que o site disponibiliza diversos materiais, como vídeos, e-books e PDFs, que podem ser acessados e compartilhados online ou impressos, promovendo a mobilização para o Censo Quilombola e o uso didático dos dados. Marta também enfatizou que o IBGE Educa reúne atividades para diretores, alunos, professores e a comunidade escolar em geral, buscando ampliar a disseminação de informações e fortalecer as parcerias do IBGE na construção de um acesso mais fácil e inclusivo aos dados.
Fernando Damasco apresentou a publicação O Brasil Quilombola e destacou que ela tem como objetivo ampliar o acesso aos resultados do Censo 2022, especialmente para a população quilombola, por meio de materiais mais acessíveis e resumidos. “Essa publicação tem como objetivo honrar o compromisso do IBGE de que os resultados das nossas pesquisas cheguem ao maior número de pessoas possível, a todo o conjunto da sociedade”, afirmou. Além disso, Fernando ressaltou a função didática do material, desenvolvido em parceria com o Ministério da Educação, permitindo que seja utilizado por estudantes e acadêmicos, e reunindo tanto dados estatísticos quanto geográficos sobre a distribuição da população quilombola no Brasil. “A ideia é que toda liderança quilombola que tenha contato com essa publicação possa se encontrar, se localizar de forma simples, fácil e objetiva”, concluiu, destacando que o material busca fortalecer os direitos e as reivindicações dessas comunidades.

Primeiro Censo de População Quilombola
Pela primeira vez, a população quilombola foi identificada num censo de população, Censo Demográfico 2022 – o mais importante retrato demográfico, geográfico e socioeconômico do país.
O Censo 2022 visitou as localidades quilombolas dos Territórios Quilombolas oficialmente delimitados; dos grupamentos quilombolas identificados pelo IBGE; e de outras áreas de interesse censitário, associadas a localidades quilombolas de ocupação dispersa. A população quilombola residente no Brasil é de 1.330.186 pessoas (0,66%), distribuídas em 1.700 municípios, 24 estados e no Distrito Federal.
