De ônibus para o Peru: quem são os passageiros da maior linha rodoviária do mundo 11/08/2017

Editoria: Geociências , IBGE

Percorrer os caminhos da cidade Inca de Machu Picchu, conhecer as misteriosas Linhas de Nazca, admirar a arquitetura colonial de Lima, saborear o tradicional ceviche. Não faltam motivos para conhecer o Peru, mas é como diz o ditado popular: o importante não é o destino, mas sim a jornada. Para aqueles que estão em busca de aventura e querem economizar com a passagem aérea, viajar do Brasil ao Peru de ônibus é uma alternativa possível. De acordo com a publicação Ligações Rodoviárias e Hidroviárias 2016, lançada em junho pelo IBGE, uma vez por semana há ônibus de São Paulo e do Rio de Janeiro com destino às cidades de Puerto Maldonado, Cuzco e Lima, com preços que variam de R$ 600 a R$ 910 e com duração de aproximadamente quatro dias.

O responsável pela Ormeño, empresa que oferece o serviço, é o peruano Oscar Vásquez-Solis. Segundo ele, em um ano de constituída, cerca de 1.500 pessoas utilizaram a linha Rio X Lima, enquanto o trajeto de São Paulo a Lima, disponível há aproximadamente sete anos, contou com aproximadamente 14 mil passageiros. “Estamos acostumados a fazer grandes trechos pela América do Sul, mas nada é como fazer a viagem Rio X Lima. São 6.035 km, é a maior linha rodoviária do mundo”, ressalta. Ele conta que os passageiros – tanto os da linha que sai do Rio de Janeiro, quanto os que embarcam em São Paulo – sempre terminam a viagem como uma grande família, apesar da diversidade e da história particular de cada indivíduo: “A maioria de nossos clientes é do Peru, mas já viajaram conosco alemães, estadunidenses, japoneses e sul-africanos”.

A peruana Rosana Mesa Rojas é passageira assídua do ônibus que vai da capital paulista a Lima. Ela, o marido e a filha de três anos moram no Brasil e, uma vez por ano, fazem a viagem para visitar os parentes. Rosana comenta que o percurso é cansativo, mas que as belezas do caminho fazem a aventura valer a pena. “As paisagens são lindas, principalmente no trecho altiplano andino. Além disso, esta é uma boa época do ano para fazer a viagem, porque faz calor no lado brasileiro e vai esfriando quando atravessamos a fronteira”, afirma. Já Leonardo Cusiquispe, conterrâneo de Rosana, não acha tão agradável a temperatura que faz na parte peruana da travessia. “Faz muito frio em Cuzco, por volta de 10o C”, reclama. Leonardo confessa, também, que não se acostuma com as curvas que o ônibus faz nas montanhas andinas: “Chego a ficar tonto”.

Quem acha a viagem longa precisa conhecer os colombianos Francy Milena Toro e Alberto Burgos e seus dois filhos. A bióloga e o músico, que chegaram ao Brasil há 13 anos pelo rio Amazonas, após fazerem a conexão em Lima, seguirão definitivamente para sua cidade natal, Bogotá: “As coisas têm melhorado na Colômbia, portanto a expectativa é arrumarmos um bom emprego e nos desenvolvermos profissionalmente”. Eles escolheram o ônibus como meio de transporte por causa da grande quantidade de bagagens. Prestes a embarcar, o casal faz um convite entusiasmado: “A viagem é demorada, mas há muitas paradas para esticarmos as pernas. Claro que é um convite mais atrativo para os mochileiros, mas estamos aqui para mostrar que também é uma viagem para a família. Gostamos muito de aventura, e a América do Sul é um lugar que nos proporciona isso, é fantástico!”, afirma.

A Agência IBGE Notícias acompanhou o embarque da família colombiana na rodoviária Novo Rio. Confira no vídeo acima! E lembre-se: para entrar no Peru, cidadãos brasileiros devem apresentar carteira de identidade emitida há até 10 anos da data da viagem ou passaporte com no mínimo seis meses de validade.


Texto, imagem e vídeo: Mônica Marli e Pedro Renaux
Colaboração: Adelina Bracco e Juney Freire (estagiário)