Mercados internacionais influenciam os preços da indústria em junho 27/07/2017

Editoria: Estatísticas Econômicas Produto: Índice de Preços ao Produtor - Indústrias Extrativas e de Transformação

Minérios de ferro, óleos brutos de petróleo e farelo de soja estão entre os principais produtos da indústria nacional que puxaram a redução de -0,21% do Índice de Preços ao Produtor (IPP) em junho, na comparação com maio. O indicador mede a variação dos preços da indústria geral (extrativas e de transformação) sem impostos e fretes. “Os três itens, assim como seus derivados, têm em comum a forte influência dos mercados internacionais”, explica Manuel Campos, analista da Coordenação de Indústria do IBGE. O IPP havia apresentado uma ligeira variação positiva (0,10%) em maio. Com essa redução, o índice acumulado em 12 meses desacelerou de 2,24% em maio para 1,52% em junho.

Os óleos brutos de petróleo e os minérios de ferro representam, juntos, mais de 90% da indústria extrativa, principal responsável pela queda no índice. Segundo Manuel, “o preço do barril de petróleo tem sofrido quedas no mundo, influenciado pela competição entre países do Oriente Médio, como a Arábia Saudita e Irã. Já a produção de minérios de ferro sofre com a oferta internacional alta, puxada pela China”.

A indústria de alimentos também tem sido afetada pela safra recorde e pela valorização do real em comparação ao dólar. “O farelo de soja, principal produto de exportação, alcança bons preços em dólar nos mercados estrangeiros, mas o câmbio desfavorece o produtor local”, comenta Manuel.

Matéria-prima barata, derivados caros

Na contramão da queda generalizada dos preços, a indústria metalúrgica teve um aumento substancial, puxada pelo aço. Novamente, a China tem influência direta, segundo Manuel: “Além de ser uma grande produtora de minérios de ferro, a China também tem uma forte indústria siderúrgica e exerce grande peso sobre os preços mundiais do aço. Nos últimos meses, observou-se uma valorização substancial do aço chinês, o que puxou o preço do aço brasileiro e também de outros metais, como o alumínio. Isso explica a alta no setor”.

 

Texto: Eduardo Peret

Imagens: Helena Pontes  / Pixabay, Wikipedia